No Sul do Brasil, onde o inverno aperta e os vírus encontram condições favoráveis para circular, Rio Grande do Sul e Santa Catarina emergem como focos de preocupação sanitária em 2026. O Vírus Sincicial Respiratório avança de forma desproporcional sobre as crianças mais pequenas, enquanto idosos enfrentam o peso da influenza — dois extremos da vida expostos, cada um à sua maneira, à fragilidade do sistema respiratório. O alerta da Fiocruz não é apenas epidemiológico: é um lembrete de que a prevenção coletiva — vacinas, máscaras, higiene — continua sendo o único caminho que a ciência conhece pa
RS e SC registram crescimento de SRAG impulsionado pelo VSR em crianças
O VSR atinge desproporcionalmente as crianças pequenas, especialmente menores de 2 anos
Por que o VSR está causando tanto impacto justamente agora, em agosto, no Rio Grande do Sul e Santa Catarina?
O VSR tem um padrão sazonal bem definido. Ele circula com mais intensidade nos meses de inverno e transição, quando as crianças pequenas passam mais tempo em ambientes fechados. No Sul, as temperaturas mais baixas intensificam essa dinâmica. Além disso, esses estados estão enfrentando a circulação simultânea de outros vírus respiratórios, o que cria um cenário de pressão maior sobre o sistema de saúde.
As crianças menores de 2 anos parecem ser o grupo mais vulnerável. Há algo específico sobre essa faixa etária que as torna tão suscetíveis ao VSR?
Sim. Crianças muito pequenas têm sistemas imunológicos ainda em desenvolvimento. O VSR causa inflamação nas pequenas vias aéreas — os bronquíolos — e em bebês isso pode rapidamente evoluir para dificuldade respiratória grave. Diferentemente dos idosos, onde o problema é principalmente a morte, nas crianças pequenas o problema é a hospitalização em massa.
Os números mostram que Santa Catarina tem menos hospitalizações que o Rio Grande do Sul, mas ambos estão em nível de alerta. Isso significa que SC está controlando melhor a situação?
Não necessariamente. Os dados de SC estão até a Semana Epidemiológica 26, enquanto RS tem dados mais recentes. Além disso, SC pode estar em um ponto anterior da curva de crescimento. O que importa é que ambos têm tendência de alta — o que significa que os números devem continuar subindo nas próximas semanas.
A vacinação contra VSR existe? Por que não é mencionada como algo que já está sendo feito?
Vacinas contra VSR existem, mas são relativamente novas e ainda não estão amplamente disponíveis em programas de vacinação de rotina no Brasil. O foco atual é em vacinação contra influenza e Covid-19, que têm cobertura mais estabelecida. A recomendação de máscara e higiene é o que está ao alcance imediato das pessoas.
Qual é o risco de o VSR se disseminar para outros estados?
É real. O VSR não respeita fronteiras estaduais. Se não houver contenção rápida no Sul, é provável que o vírus se dissemine para o Sudeste e outras regiões nas próximas semanas. Por isso o alerta agora é importante — quanto mais cedo as medidas preventivas forem intensificadas, menor será a propagação nacional.
El Pulso
- RS e SC são dois dos apenas três estados brasileiros com crescimento sustentado de SRAG nas últimas seis semanas, mantendo incidência em níveis de alerta ou alto risco enquanto o restante do país estabiliza ou recua.
- O VSR domina o cenário respiratório nacional, responsável por mais da metade dos casos positivos de SRAG e por quase um terço dos óbitos laboratoriais, com crianças menores de 2 anos como principal alvo.
- No Sul, a ameaça é amplificada pela circulação simultânea de múltiplos vírus — Influenza B, rinovírus e metapneumovírus — criando uma pressão combinada sobre hospitais e famílias.
- O Rio Grande do Sul já soma 690 mortes e mais de 10 mil hospitalizações por SRAG em 2026; Santa Catarina contabiliza 175 óbitos e mais de 7 mil notificações, com crianças e idosos concentrando o maior peso.
- Especialistas apontam vacinação, uso de máscaras em locais fechados e higiene das mãos como medidas essenciais para conter o avanço antes que o vírus se dissemine ainda mais entre os grupos vulneráveis.
No Sul do Brasil, onde o inverno aperta e os vírus encontram condições favoráveis para circular, Rio Grande do Sul e Santa Catarina emergem como focos de preocupação sanitária em 2026. O Vírus Sincicial Respiratório avança de forma desproporcional sobre as crianças mais pequenas, enquanto idosos enfrentam o peso da influenza — dois extremos da vida expostos, cada um à sua maneira, à fragilidade do sistema respiratório. O alerta da Fiocruz não é apenas epidemiológico: é um lembrete de que a prevenção coletiva — vacinas, máscaras, higiene — continua sendo o único caminho que a ciência conhece para proteger os mais vulneráveis.
O boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado no final de julho em parceria com a FGV EMAP, acendeu um sinal de alerta para o Sul do Brasil. Rio Grande do Sul e Santa Catarina figuram entre apenas três estados com crescimento sustentado de SRAG nas últimas seis semanas — enquanto a maioria do país apresenta queda ou estabilidade, esses dois estados mantêm incidência em níveis de alerta ou alto risco.
O principal responsável é o Vírus Sincicial Respiratório, que em nível nacional responde por 57,7% dos casos positivos de SRAG e por 31,9% dos óbitos laboratoriais nas últimas quatro semanas analisadas. Seu impacto é especialmente severo entre crianças menores de 2 anos e entre 2 e 4 anos. No Sul, o quadro se agrava porque o VSR circula simultaneamente com Influenza B, rinovírus e metapneumovírus.
Os números são expressivos. O Rio Grande do Sul registrou 10.619 hospitalizações por SRAG em 2026 e 690 mortes, distribuídas entre influenza, outros vírus respiratórios, Covid-19 e causas não especificadas. Santa Catarina contabiliza 7.474 notificações até a Semana Epidemiológica 26 e 175 óbitos associados a Covid-19, influenza e outros vírus respiratórios, com o rinovírus liderando entre os agentes identificados.
No panorama nacional, o Brasil soma 125.914 casos de SRAG em 2026, com impacto desigual conforme a faixa etária: nas crianças pequenas, o VSR é o grande vetor de hospitalizações; nos idosos, a Influenza A lidera as mortes, seguida pelo rinovírus e pela Influenza B. Diante desse cenário, especialistas reforçam que vacinação, uso de máscaras em locais fechados e higiene das mãos continuam sendo as ferramentas mais eficazes para proteger os mais vulneráveis.
O Boletim InfoGripe, divulgado pela Fiocruz em parceria com a FGV EMAP no final de julho, trouxe um alerta preocupante para o Sul do país. Rio Grande do Sul e Santa Catarina estão entre apenas três estados brasileiros que registram crescimento sustentado de SRAG — a Síndrome Respiratória Aguda Grave — nas últimas seis semanas. Enquanto a maioria das unidades federativas apresenta queda ou estabilidade, esses dois estados mantêm incidência em níveis de alerta, risco ou alto risco, com tendência de alta.
O culpado principal é o Vírus Sincicial Respiratório, o VSR. Em nível nacional, ele responde por 57,7% dos casos positivos de SRAG e por 31,9% dos óbitos laboratoriais nas últimas quatro semanas analisadas. Mas o impacto não é uniforme. O VSR atinge de forma desproporcional as crianças pequenas, especialmente aquelas com até 2 anos e entre 2 e 4 anos de idade. No Sul, a situação é ainda mais grave porque o VSR circula junto com outros agentes — Influenza B, rinovírus e metapneumovírus — criando um cenário de múltiplas ameaças respiratórias simultâneas.
Os números do Rio Grande do Sul ilustram a dimensão do problema. Até agora em 2026, o estado registrou 10.619 hospitalizações por SRAG. Desse total, 3.840 foram associadas a outros vírus respiratórios, 2.082 a influenza, 349 a Covid-19, e 3.711 permanecem sem especificação. O estado contabiliza 690 mortes por SRAG no ano — 288 de causa não especificada, 204 por influenza, 124 por outros vírus respiratórios, 62 por Covid-19 e 12 por outros agentes. Santa Catarina, por sua vez, registrou 7.474 notificações de SRAG até a Semana Epidemiológica 26. Entre os casos com identificação viral confirmada, 2.781 (37,2%) foram causados por outros vírus respiratórios, 1.245 (16,7%) por influenza e 220 (2,9%) por Covid-19. O rinovírus foi o agente mais frequente entre os outros vírus respiratórios, seguido pelo VSR. O estado contabiliza 175 mortes por SRAG associadas a Covid-19, influenza e outros vírus respiratórios.
Em contexto nacional, o Brasil registrou 125.914 casos de SRAG em 2026 até o momento, com 53,4% tendo resultado positivo para algum vírus respiratório. O impacto da doença é desigual no país, afetando severamente os extremos das faixas etárias, mas por causas distintas. Nas crianças pequenas, especialmente menores de 2 anos, o VSR é o grande responsável pelas hospitalizações. Na população idosa, o cenário é diferente: o impacto mais crítico aparece na mortalidade. A Influenza A é a principal causa de óbito entre pessoas com 65 anos ou mais, seguida pelo rinovírus. A Influenza B também apresenta taxa de mortalidade elevada para esse grupo.
Os especialistas reforçam que a vacinação é a principal forma de prevenção contra casos graves e óbitos pelos principais vírus que causam SRAG — influenza, VSR e Covid-19. Além disso, recomendam o uso de máscaras em postos de saúde e em locais fechados com aglomeração de pessoas, higiene constante das mãos e isolamento em caso de sintomas de gripe ou resfriado. O desafio agora é conter a circulação do VSR no Sul antes que o vírus se dissemine ainda mais entre as crianças pequenas.
Citas Notables
A vacinação é a principal forma de prevenção contra casos graves e óbitos pelos principais vírus que causam SRAG— Especialistas do Boletim InfoGripe