Cleitinho e Patrus são principais alvos em debate sobre governo de Minas

Eu sou de direita, mas meu coração é pra todos
Cleitinho tenta se posicionar acima da polarização enquanto mantém oposição ao PT.
Mark

Por que o debate se concentrou tanto em relações políticas e menos em propostas de governo?

Mimi

Porque em Minas, como em muitos lugares, a rejeição ao PT é um fator eleitoral real. Os adversários queriam explorar isso, e Cleitinho estava ali para ser testado sobre suas próprias alianças.

Luke

Mas vale notar que Cleitinho realmente respondeu aos questionamentos — disse que não responde pelos atos de Pettersen. A questão é se os eleitores acreditam nisso ou não.

Mark

Patrus parecia estar em posição defensiva o tempo todo?

Mimi

Sim, porque o legado de Pimentel é um peso real. Mesmo que Patrus tenha uma carreira própria, o PT estadual carrega essa condenação de 2019.

Luke

Embora seja importante lembrar que Pimentel foi absolvido pela Justiça Eleitoral em 2022. Então há duas narrativas em disputa sobre o mesmo fato.

Mark

E quanto ao tom de Cleitinho — essa coisa de "direita mas com coração para todos"?

Mimi

É uma estratégia clara de tentar se posicionar acima da polarização enquanto mantém apoio à direita. Ele quer parecer presidencial.

Luke

O que é interessante é que ele diz isso enquanto reforça oposição ao PT. Então não é exatamente acima da polarização — é polarização com um sorriso.

Mark

A pesquisa Datafolha mostra Cleitinho muito à frente. Isso muda algo sobre o que vimos no debate?

Mimi

Confirma que ele está em posição de força. Quando você lidera com 37%, você pode se dar ao luxo de ser conciliador.

Luke

Mas pesquisa é um retrato de um momento. O debate foi na terça, a pesquisa foi feita entre sexta e segunda. Há sempre essa defasagem temporal que vale mencionar.

  • Cleitinho Azevedo, com 37% das intenções de voto, foi pressionado a explicar sua proximidade com um deputado indiciado por corrupção, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.
  • Patrus Ananias precisou se desvencilhar do fantasma de Fernando Pimentel, ex-governador petista condenado, que seus adversários usaram como arma para ativar a rejeição histórica ao PT em Minas Gerais.
  • Mateus Simões e Flávio Roscoe, candidatos com menos força nas pesquisas, apostaram em ataques coordenados aos dois líderes para se posicionar como alternativas capazes de barrar o PT no segundo turno.
  • Cleitinho respondeu às críticas com tom conciliador, prometendo governar para todos e dialogar com qualquer presidente eleito, mas sem abrir mão de sua posição de oposição ao PT.
  • Os números do Datafolha, divulgados no mesmo dia do debate, confirmam a liderança sólida de Cleitinho, que vence em todas as simulações de segundo turno contra Patrus e Kalil.

Em Minas Gerais, onde a política carrega o peso de governos passados e alianças presentes, os dois candidatos que lideram as pesquisas para governador foram colocados à prova não por suas visões de futuro, mas pelas companhias que escolheram ao longo do caminho. O debate da Globo, realizado na terça-feira, revelou que em tempos de polarização profunda, o passado de cada candidato pode ser tão decisivo quanto qualquer proposta — e que liderar nas pesquisas significa também carregar um alvo nas costas.

Na noite de terça-feira, a Globo promoveu o primeiro debate com todos os principais candidatos ao governo de Minas Gerais — e o encontro rapidamente se transformou em um tribunal de associações políticas. Cleitinho Azevedo, do Republicanos, e Patrus Ananias, do PT, os dois nomes à frente nas pesquisas, foram os alvos preferenciais dos demais candidatos.

Cleitinho foi questionado sobre sua relação com Euclydes Pettersen, presidente estadual do Republicanos indiciado pela Polícia Federal por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. O governador Mateus Simões ironizou o candidato, dizendo que ele falava em revisar pedágios enquanto andava no jatinho do mesmo deputado, e afirmou ter recebido oferta de propina de Pettersen. Cleitinho rebateu dizendo não ser responsável pelos atos de Pettersen e virou o jogo ao lembrar que seu suplente no Senado, Alex Diniz, teria sonegado impostos durante a própria gestão de Simões.

Patrus, por sua vez, teve de enfrentar o legado de Fernando Pimentel, ex-governador petista condenado por tráfico de influência e lavagem de dinheiro. Gabriel Azevedo, do MDB, foi direto ao sugerir que Patrus havia evitado debates anteriores por conhecer a rejeição que o PT enfrenta no estado. O candidato petista respondeu ancorado em sua própria trajetória — como prefeito de Belo Horizonte nos anos 1990 e ministro no primeiro governo Lula — recusando-se a ser julgado pelo histórico do colega de partido.

Simões e o empresário Flávio Roscoe, do PL, repetiram o discurso de que representavam as únicas candidaturas capazes de barrar o PT em um eventual segundo turno, reforçando apoio a Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. Roscoe foi o único a mencionar a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal, afirmando que o brasileiro havia perdido a fé na justiça.

Cleitinho manteve tom conciliador ao longo do debate, definindo-se como alguém de direita mas com coração para todos, e prometendo dialogar com qualquer presidente eleito. A pesquisa Datafolha divulgada no mesmo dia confirmou sua liderança: 37% no primeiro turno, contra 18% de Patrus e 9% de Kalil. Nas simulações de segundo turno, Cleitinho vence em todos os cenários, com 52% contra Patrus e 51% contra Kalil.

Na noite de terça-feira, a Globo reuniu os principais candidatos ao governo de Minas Gerais em um debate que rapidamente se transformou em confronto direto entre os dois nomes que lideram as pesquisas. Cleitinho Azevedo, do Republicanos, e Patrus Ananias, do PT, tornaram-se o centro das atenções — não por apresentarem suas propostas, mas por terem de responder por associações políticas que seus adversários não deixaram passar em branco.

Cleitinho enfrentou questionamentos sobre sua proximidade com Euclydes Pettersen, deputado federal e presidente estadual do Republicanos que foi indiciado pela Polícia Federal sob suspeita de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. O atual governador Mateus Simões não poupou ironia ao mencionar que Cleitinho falava sobre revisão de pedágios nas estradas mineiras enquanto, segundo ele, andava em jatinho do mesmo deputado. Simões também afirmou ter recebido oferta de propina de Pettersen e pediu que Cleitinho se libertasse dessas amizades. O candidato do Republicanos retrucou dizendo que não responde pelos atos de Pettersen nem de seu suplente no Senado, Alex Diniz, e virou o jogo ao lembrar que Diniz estava sonegando impostos durante a gestão de Simões.

Patrus, por sua vez, precisou lidar com o fantasma de Fernando Pimentel, ex-governador do PT que administrou o estado entre 2015 e 2018. Condenado em 2019 por tráfico de influência e lavagem de dinheiro — embora absolvido pela Justiça Eleitoral em 2022 — Pimentel foi invocado repetidamente pelos adversários como símbolo do legado petista no estado. Gabriel Azevedo, do MDB, foi particularmente direto, apontando que Patrus havia faltado a todos os debates anteriores justamente porque conhecia a rejeição que o PT enfrenta em Minas, e sugeriu que uma eventual ida ao segundo turno abriria caminho para Cleitinho vencer. Patrus respondeu afirmando que seus compromissos com Minas estavam alicerçados em sua própria história — sua passagem como prefeito de Belo Horizonte na década de 1990 e como ministro no primeiro governo Lula — e não como advogado do colega de partido.

O debate, o primeiro realizado no estado com todos os principais candidatos presentes, manteve o foco em questões locais e evitou as controvérsias que agitavam a disputa nacional. A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal foi mencionada apenas por Flávio Roscoe, empresário do PL que afirmou que o brasileiro havia perdido a fé na justiça. Roscoe e Simões repetiram o discurso de representarem as únicas candidaturas capazes de barrar o PT em um eventual segundo turno, enquanto reforçavam apoio a Flávio Bolsonaro na eleição presidencial.

Cleitinho manteve um tom conciliador durante todo o confronto, descrevendo-se como alguém de direita mas com coração para todos, e afirmando que pretendia governar para acabar com a polarização e dialogar com qualquer presidente eleito — fosse Flávio, Lula ou Renan Santos. Ainda assim, reforçou sua posição de oposição ao PT. Também enfrentou críticas por fazer o que seus adversários chamaram de show midiático em torno de sua proposta de reduzir o IPVA, uma de suas principais bandeiras de campanha.

Os números da pesquisa Datafolha divulgada no mesmo dia do debate confirmam a liderança de Cleitinho. Com 37% de intenção de voto no primeiro turno, ele aparece significativamente à frente de Patrus, que marca 18%, e de Alexandre Kalil, com 9%. Mateus Simões fica em 4º lugar com 6%, seguido por Flávio Roscoe com 5%. Gabriel Azevedo e Ben Mendes aparecem com 2% cada, enquanto Professor Túlio Lopes marca 1%. Três candidatos — Indira Xavier, Rafael Duda e Henrique Áreas — não pontuaram. Nas simulações de segundo turno, Cleitinho vence em todos os cenários: 52% contra Patrus (26%) e 51% contra Kalil (22%). O levantamento ouviu 1.506 eleitores entre sexta e segunda-feira, com margem de erro de até três pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Você vir falar de estrada sendo que anda no jatinho do Euclydes?
— Mateus Simões, governador e candidato do PSD, questionando Cleitinho sobre sua relação com Pettersen
Os meus compromissos com Minas Gerais estão alicerçados na minha história
— Patrus Ananias, respondendo a críticas sobre o legado de Fernando Pimentel
Contact Us FAQ