Numa quinta-feira de janeiro de 2024, a Petrobras ganhou o pregão na B3 porque duas correntes se encontraram: o petróleo voltou a subir, sustentado por uma economia americana mais forte e por estímulos chineses, e o BTG Pactual, ao reiterar sua recomendação de compra, ergueu o preço-alvo da estatal. É um lembrete antigo de que o valor de uma empresa de energia nunca depende só dela mesma, mas do humor de mercados distantes e da prudência de quem projeta o futuro. O banco, ao mesmo tempo que se mostra otimista quanto aos dividendos, reconhece que o barril pode não sustentar os patamares atuais
Petrobras sobe mais de 2% com petróleo em alta e BTG reitera compra com preço-alvo elevado
O petróleo ganhou força e o BTG elevou o alvo da Petrobras para R$ 47
Por que a Petrobras subiu hoje, afinal?
Por duas razões. O petróleo ganhou força, com PIB americano forte, estímulos na China e estoques menores por causa do inverno. E o BTG reiterou compra e elevou o preço-alvo para R$ 47.
Mas o BTG também cortou algo, não?
Cortou. A projeção de Ebitda de 2024 caiu 5% e o brent previsto passou de US$ 80 para US$ 75. Mesmo assim, o banco mantém a tese de caixa sólido.
Vale separar o que é fato do que é projeção. A alta de 2,65% e 2,06% é dado de mercado, às 13h45. Os retornos de 51% e 47% são estimativa do BTG, não garantia.
E os dividendos de US$ 12,2 bilhões?
Vêm da política de 45% do fluxo de caixa menos capex, aplicada às premissas do banco. O rendimento de 16% é cálculo dele.
Exato. Depende do petróleo a US$ 75 e dos investimentos de US$ 16,7 bilhões, que o BTG vê 10% abaixo do plano da empresa. Se algum desses números mudar, a conta muda.
E a frase sobre US$ 76 no WTI?
É opinião de um estrategista da Miller Tabak, dita à CNBC. Indica uma possibilidade, não um resultado confirmado.
O que está claro é que a alta de hoje combina um impulso externo com um aval de analistas.
Der Puls
- As ações PETR3 e PETR4 avançaram mais de 2% na B3, enquanto o petróleo ganhava força no mercado internacional.
- O WTI superou US$ 76 o barril, e a pergunta que domina o pregão é se essa alta vai se sustentar ou se é apenas um respiro.
- O BTG Pactual elevou o preço-alvo para R$ 47 e manteve a recomendação de compra, apostando em retorno de 47% a 51% em doze meses.
- Ao mesmo tempo, o banco cortou em 5% a projeção de Ebitda de 2024, admitindo que um brent mais barato, a US$ 75, pesa sobre os resultados.
- O mercado segue atento ao WTI em torno de US$ 76 e à distância entre a premissa do banco e o preço real praticado, com dividendos projetados em US$ 12,2 bilhões para 2024 como pano de fundo.
Numa quinta-feira de janeiro de 2024, a Petrobras ganhou o pregão na B3 porque duas correntes se encontraram: o petróleo voltou a subir, sustentado por uma economia americana mais forte e por estímulos chineses, e o BTG Pactual, ao reiterar sua recomendação de compra, ergueu o preço-alvo da estatal. É um lembrete antigo de que o valor de uma empresa de energia nunca depende só dela mesma, mas do humor de mercados distantes e da prudência de quem projeta o futuro. O banco, ao mesmo tempo que se mostra otimista quanto aos dividendos, reconhece que o barril pode não sustentar os patamares atuais no curto prazo.
Às 13h45 desta quinta-feira, 25 de janeiro de 2024, a Petrobras aparecia no topo das altas da B3. As ordinárias subiam 2,65%, a R$ 40,28, e as preferenciais avançavam 2,06%, a R$ 38,66. Dois movimentos se somavam: o petróleo, que ganhava preço com a expectativa de demanda aquecida nos Estados Unidos e com os estímulos anunciados pela China, e uma revisão favorável do BTG Pactual.
No mercado internacional, o WTI para março subia para cerca de US$ 76 o barril, e o brent superava US$ 81. Estoques em queda, por causa das tempestades de inverno, reforçavam o movimento. O estrategista Matt Maley, da Miller Tabak, avaliou que manter o WTI acima de US$ 76 confirmaria um rompimento e uma tendência imediata de alta.
O BTG reiterou a compra e elevou o preço-alvo em R$ 8, para R$ 47 nas ações ordinárias e preferenciais, e em US$ 3, para US$ 19 nos ADRs. Os analistas defendem que não deveria haver diferença de avaliação entre PN e ON e projetam retorno de 51% e 47%, respectivamente, em doze meses.
O otimismo vem com cautela. O banco passou a trabalhar com brent a US$ 75, ante US$ 80 antes, e cortou em 5% a projeção de Ebitda de 2024, porque preços menores compensaram a produção maior. Ainda assim, a geração de caixa segue sólida, com investimentos previstos de US$ 16,7 bilhões neste ano e dividendos de US$ 12,2 bilhões em 2024, seguindo a política de remuneração de 45% do fluxo de caixa livre. Para quem acompanha o papel, o ponto decisivo é se o WTI consegue se manter em torno de US$ 76 e se o preço real do brent se aproxima da premissa do banco.
Às 13h45 desta quinta-feira, 25 de janeiro de 2024, o painel da B3 mostrava a Petrobras no azul. As ações ordinárias (PETR3) subiam 2,65%, cotadas a R$ 40,28, e as preferenciais (PETR4) avançavam 2,06%, a R$ 38,66. Dois fatores puxavam o movimento: a alta do petróleo no mercado internacional e uma revisão favorável do BTG Pactual.
No mercado de commodities, o barril ganhava preço porque as expectativas de demanda aumentaram. A economia dos Estados Unidos cresceu com o PIB acima do esperado, e a China anunciou medidas de estímulo. Do lado da oferta, os estoques de petróleo bruto caíram por causa das tempestades de inverno. Na manhã de quinta, o contrato do WTI para março subia 1,35%, a US$ 76,10 por barril, e o brent do mesmo vencimento avançava 1,22%, a US$ 81,02. No acumulado do ano, o WTI subia quase 7% e o brent, 5,7%.
Matt Maley, estrategista-chefe de mercado da Miller Tabak, disse à CNBC que a permanência do WTI acima de US$ 76 indicaria um rompimento, confirmando uma tendência imediata de alta para o petróleo.
A segunda notícia veio do BTG Pactual, que reiterou a recomendação de compra e elevou o preço-alvo. Para os ADRs, os recibos negociados em Nova York, o alvo subiu US$ 3, para US$ 19. Para as ações ON e PN, subiu R$ 8, para R$ 47. Os analistas seguem defendendo que não deveria haver diferença de avaliação entre preferenciais e ordinárias. Eles projetam retorno ao acionista de 51% nos próximos 12 meses para as PN e de 47% para as ON.
O banco, porém, ficou mais cauteloso quanto ao petróleo no curto prazo. Passou a trabalhar com brent a US$ 75 o barril, ante US$ 80 na projeção anterior, e incorporou novas curvas de capex e de produção. Como resultado, cortou em 5% a projeção de Ebitda da Petrobras para 2024: os preços menores do petróleo mais do que compensaram a maior produção.
Segundo o BTG, a geração de caixa continua sólida. Os analistas esperam investimentos totais de US$ 16,7 bilhões neste ano, 10% abaixo da projeção oficial da companhia e 8% abaixo da estimativa anterior do próprio banco. Para eles, a ação mantém a combinação de múltiplos baratos e potencial de reavaliação. Afirmam acreditar que o pragmatismo prevalecerá, permitindo à estatal gerar resultados sólidos e pagar dividendos substanciais, o que descrevem como um importante vento favorável para as necessidades do governo.
O banco lembra ainda que, em 2023, os preços do diesel da Petrobras ficaram em média alinhados à paridade de importação, enquanto os da gasolina ficaram 14% abaixo, provavelmente porque o Brasil depende menos de importações desse combustível. Na visão do BTG, essa tendência deve continuar e sustentar dividendos de US$ 3,6 bilhões para o quarto trimestre de 2023 e de US$ 12,2 bilhões para 2024. O cálculo segue a política de remuneração da estatal, de 45% do fluxo de caixa menos capex, e resulta em rendimento de 16% nos próximos cinco resultados trimestrais.
Para quem acompanha o papel, os pontos de atenção são o comportamento do WTI em torno de US$ 76 e a distância entre o brent de US$ 75 usado pelo BTG e o que o mercado vai de fato praticar.
Bemerkenswerte Zitate
A permanência do WTI acima de US$ 76 por barril indicaria um rompimento que confirma uma tendência imediata de alta para o petróleo.— Matt Maley, estrategista-chefe de mercado da Miller Tabak, à CNBC
O BTG reiterou compra e prevê retorno de 51% para as PN e 47% para as ON em 12 meses.— Analistas do BTG Pactual