Nepal intensifica resgate de 600 trabalhadores presos em túneis após avalanche devastadora

Mais de 900 mortos confirmados no Nepal, 639 trabalhadores desaparecidos presos em túneis de usinas hidrelétricas, centenas de famílias aguardando notícias de entes queridos.
A cada hora que passa, esta esperança se desvanece
Sita Pandey, esposa de um trabalhador desaparecido na usina Trishuli-3A, sobre a angústia de esperar pelo resgate.
Mark

Por que exatamente esses trabalhadores estão em túneis? Não deveriam estar em algum lugar seguro durante uma avalanche?

Mimi

Os túneis fazem parte da infraestrutura das usinas hidrelétricas. Eles desviam a água dos rios para as turbinas. Muitos trabalhadores estavam dentro deles quando a avalanche atingiu, e agora estão presos.

Luke

Mas sabemos com certeza que há pessoas vivas lá dentro? Os socorristas lançaram mensagens e não receberam resposta.

Mimi

Não sabemos com certeza. Mas os túneis são grandes o suficiente para que as pessoas se refugiem, e há sistemas de oxigênio. Algumas famílias de trabalhadores que conseguiram sair dizem que havia pessoas dentro.

Mark

Quantas pessoas estamos falando?

Mimi

As autoridades suspeitam que centenas possam estar presas no túnel de Trishuli-3A especificamente. No total, 639 trabalhadores de diferentes projetos hidrelétricos estão desaparecidos.

Luke

Mas esse número de 639 inclui pessoas que podem estar mortas em outros lugares, não necessariamente presas em túneis. O número de desaparecidos em geral saltou de 2.502 para 3.925 em 24 horas.

Mimi

Verdade. Mas as autoridades acreditam que a maioria dos 639 trabalhadores de usinas hidrelétricas esteja especificamente nos túneis.

Mark

E quanto tempo as pessoas podem sobreviver lá dentro?

Mimi

Ninguém está dizendo explicitamente. Mas as famílias estão desesperadas porque cada hora que passa reduz as chances. Começaram a bombear ar para o túnel no fim de semana.

Luke

Começaram no fim de semana? A avalanche foi na quarta-feira. Por que esperaram tanto?

Mimi

Não está claro nos relatos. Mas essa demora é exatamente o que está frustrando as famílias.

  • O número de desaparecidos saltou de 2.502 para 3.925 em apenas 24 horas, revelando a dimensão crescente e ainda incalculável da catástrofe.
  • Centenas de trabalhadores podem estar presos em túneis de mais de 4 km de profundidade, sem que os socorristas tenham ainda recebido qualquer resposta do interior.
  • Equipes da China, Índia e Coreia do Sul uniram forças com soldados e bombeiros nepaleses, usando explosivos controlados, drones e cães farejadores para abrir acessos milímetro a milímetro.
  • Ar está sendo bombeado para os túneis, mas familiares denunciam que a medida chegou tarde demais — e a lentidão das operações transforma a esperança em desespero a cada hora.
  • Sita Pandey, esposa de um trabalhador preso na usina Trishuli-3A, resume o estado coletivo: 'A cada hora que passa, esta esperança se desvanece.'

Seis dias após avalanches devastarem o Nepal e o Tibete, centenas de trabalhadores permanecem presos nas entranhas da terra — nos túneis escavados para domar os rios do Himalaia e transformá-los em energia. Com mais de 900 mortos confirmados e quase quatro mil desaparecidos, a tragédia revela o preço humano oculto por trás do avanço das infraestruturas em regiões de extrema fragilidade geológica. Enquanto especialistas de três países tentam abrir caminho através dos escombros, famílias inteiras suspendem o tempo à espera de uma notícia — sabendo que cada hora que passa pesa sobre a balança entre a vida e o silêncio.

Seis dias após avalanches e inundações varreram o Nepal e o Tibete, as equipes de resgate travam uma corrida silenciosa contra o tempo nas profundezas da terra. Mais de 900 pessoas morreram confirmadas apenas no Nepal, e o número de desaparecidos disparou para quase quatro mil em apenas um dia — entre eles, 639 trabalhadores que se acredita estarem presos nos túneis subterrâneos das usinas hidrelétricas da região.

A atenção das autoridades se concentra especialmente na usina Trishuli-3A, cujo túnel de adução ultrapassa 4 quilômetros de extensão e pode abrigar centenas de operários. Cerca de 90 socorristas — soldados, policiais e membros da defesa civil — conseguiram abrir uma entrada de aproximadamente 10 metros de profundidade usando maquinaria pesada e explosões controladas. Mensagens foram lançadas para o interior, mas nenhuma resposta chegou. Especialistas da China, Índia e Coreia do Sul juntaram-se aos esforços, enquanto drones exploram os corredores em busca de sinais de vida.

A tragédia atingiu cerca de 13 projetos hidrelétricos ao longo dos rios Bhote Koshi e Trishuli, no distrito de Rasuwa, na fronteira com o Tibete — uma região que viveu um auge de construção hidrelétrica na última década, atraindo trabalhadores de todo o país e capital chinês. Além de Trishuli-3A, há suspeitas de operários presos em Trishuli-1, Trishuli-3B e Chilime. No projeto de Rasuwagadhi, soldados entraram no túnel mas não encontraram ninguém.

Do lado de fora, famílias aguardam em angústia. Sita Pandey, cujo marido trabalhava em Trishuli-3A, ainda mantém metade da esperança — apoiada na existência de um sistema de oxigênio interno. Mas reconhece que o tempo corrói essa esperança a cada hora. Jiban Khadka, com um familiar preso, critica a lentidão: 'É uma operação desesperadamente lenta.' O ar começou a ser bombeado para os túneis no fim de semana, mas para muitas famílias, a medida chegou tarde demais.

Seis dias depois que avalanches e inundações varreram o Nepal e o Tibete, as equipes de resgate enfrentam uma corrida contra o tempo para alcançar centenas de trabalhadores que podem estar presos em túneis subterrâneos de usinas hidrelétricas. O saldo da catástrofe cresce a cada hora: mais de 900 mortos confirmados apenas no Nepal, e o número de desaparecidos disparou de 2.502 para 3.925 em apenas 24 horas, segundo dados divulgados pela Autoridade Nacional para a Redução e Gestão de Risco de Desastres do Nepal nesta segunda-feira.

Entre os desaparecidos estão 639 trabalhadores ligados a diferentes projetos hidrelétricos na região mais atingida pela tragédia. As autoridades acreditam que muitos deles ficaram presos nos túneis que desviam a água dos rios do Himalaia em direção às turbinas das centrais. A atenção se concentra particularmente na usina Trishuli-3A, construída entre 2011 e 2019, que possui um túnel de adução com mais de 4 quilômetros de comprimento. Através dele, a água do rio Trishuli é direcionada para uma casa de máquinas subterrânea equipada com duas turbinas de 30 megawatts cada. As autoridades suspeitam que centenas de trabalhadores possam estar presos neste túnel específico.

Para acelerar os trabalhos de remoção de escombros e acesso aos túneis, as equipes de resgate empregam maquinaria pesada, drones, cães treinados e explosivos controlados. Especialistas da China, Índia e Coreia do Sul se juntaram aos esforços nas últimas horas. Cerca de 90 socorristas, incluindo soldados, policiais e membros da defesa civil, foram deslocados para a usina Trishuli-3A. Utilizando maquinaria pesada e explosões controladas, conseguiram abrir um acesso com aproximadamente 10 metros de profundidade. Os socorristas lançaram mensagens através da abertura, mas até o momento não receberam resposta do interior, segundo o escritório do primeiro-ministro do Nepal. Um professor da Universidade de Graz, na Áustria, explicou que estes túneis são suficientemente grandes para a passagem de caminhões, oferecendo espaço adequado para que as pessoas se refugiem ali.

A tragédia da quarta-feira passada arrasou cerca de 13 projetos hidrelétricos situados ao longo dos rios Bhote Koshi e Trishuli, particularmente no distrito de Rasuwa, na fronteira com o Tibete. Além de Trishuli-3A, as autoridades acreditam que haja dezenas de outros operários presos em instalações similares, como Trishuli-1 e Trishuli-3B, ambas em construção, e em Chilime, inaugurada em 2003 a cerca de 28 quilômetros de Trishuli-3A. Soldados do exército nepalês conseguiram entrar no túnel do projeto hidrelétrico de Rasuwagadhi, mas não encontraram ninguém. Os militares empregaram drones para explorar o interior do corredor em busca de sobreviventes.

A indústria hidrelétrica passou por um auge no Nepal na última década. A grande quantidade de água que flui pelos rios escarpados do Himalaia transformou o corredor fluvial do distrito de Rasuwa em um dos locais com maior concentração de projetos hidrelétricos do país. Esta movimentação atraiu trabalhadores não qualificados de todo o Nepal, e capital chinês é responsável por muitos desses projetos.

Centenas de famílias aguardam angustiosamente notícias sobre seus entes queridos desaparecidos. Sita Pandey, cujo marido trabalhava na central Trishuli-3A, mantém a esperança de encontrá-lo com vida. "Ainda tenho 50% de esperança de que ele esteja vivo, pois existe um sistema de oxigênio no lado interno", declarou ao jornal nepalês Kantipur. Mas ela admite que o tempo joga contra as possibilidades. "A cada hora que passa, esta esperança se desvanece", reconheceu. Priya Kharel, cuja irmã trabalhava na construção da central Trishuli-1, também mantém esperança. "Aqueles que regressaram dizem que há pessoas dentro do túnel. Por isso, espero que ele possa ser resgatado se o exército o encontrar logo."

A lentidão das operações de resgate gera frustração entre os familiares. Jiban Khadka, que tem um familiar preso na usina, declarou à imprensa local que a operação deve avançar com muito mais rapidez. "Quanto mais se prolongar esta situação, mais se desvanece a nossa esperança. É uma operação desesperadamente lenta." Os socorristas começaram a bombear ar para o túnel durante o fim de semana, mas algumas famílias acreditam que esta medida deveria ter sido adotada há mais tempo. Cada hora que passa reduz as chances de sobrevivência dos trabalhadores presos.

Ainda tenho 50% de esperança de que ele esteja vivo, pois existe um sistema de oxigênio no lado interno. Mas a cada hora que passa, esta esperança se desvanece.
— Sita Pandey, esposa de trabalhador desaparecido
Quanto mais se prolongar esta situação, mais se desvanece a nossa esperança. É uma operação desesperadamente lenta.
— Jiban Khadka, familiar de desaparecido
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