Laudo da defesa de Vorcaro aponta inconsistências em dados do celular e pode beneficiar Moraes

O laudo não comprova adulteração, mas também não a descarta
A perícia da defesa de Vorcaro trabalhou com dados já processados pela PF, não com o arquivo bruto.
Mark

Qual é o achado central do laudo?

Mimi

Há 657 arquivos modificados no dia da prisão, 999 depois dela e 94 imagens criadas após a apreensão do celular.

Luke

Isso prova adulteração?

Mimi

Não. O próprio laudo não comprova isso, nem descarta.

Luke

Por quê?

Mimi

A defesa só recebeu o arquivo UFDR, já processado pela PF. Sem o bruto, não há comparação possível.

Mark

Por que as 94 imagens importam para Moraes?

Mimi

Segundo a PF, as mensagens eram prints enviados como imagem de visualização única, e as cópias ficaram no iPhone. Imagens criadas depois da apreensão levantam dúvida sobre sua autoria.

Luke

Mas a PF respondeu a isso?

Mimi

Não até a publicação. Também não se sabe se as datas são artefato de processamento.

Mark

E a anulação é provável?

Luke

Não há indicação disso. É um cenário condicional, e a aplicação da teoria depende da análise do caso pela Justiça.

  • Um laudo da defesa de Vorcaro identifica 657 arquivos modificados no dia da prisão e 999 depois dela, um número que desloca o caso para o terreno da perícia.
  • As 94 imagens criadas após a apreensão acendem o alerta sobre o que, afinal, foi extraído do celular e quando.
  • A defesa exige acesso aos dados brutos, enquanto a PF ainda não respondeu se há arquivos alterados depois da apreensão.
  • Se a adulteração for confirmada, a teoria do fruto da árvore envenenada pode anular provas derivadas e atingir o caso de Moraes, que nega as mensagens.

Num caso que já misturava finanças, poder e a intimidade digital de um banqueiro preso, surge agora uma pergunta mais antiga que qualquer tribunal: pode-se confiar em um registro que ninguém mais consegue ver em sua forma original? Um laudo encomendado pela defesa de Daniel Vorcaro, guardado no Supremo Tribunal Federal, aponta centenas de arquivos com datas que se deslocam para depois da prisão, sem provar que alguém mexeu neles. A dúvida, porém, alcança o ministro Alexandre de Moraes, cujo nome aparece em mensagens que hoje existem apenas como imagens guardadas no aparelho.

Um laudo pericial encomendado pela defesa de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, examinou os dados extraídos do celular dele, que está sob guarda do Supremo Tribunal Federal. O documento encontrou inconsistências: 657 arquivos com registro de modificação no dia da prisão, em 18 de novembro de 2025, e outros 999 modificados depois dela. Há ainda 94 imagens criadas após a apreensão.

O próprio laudo tem limite claro. Os peritos só tiveram acesso a um arquivo UFDR já processado pela Polícia Federal, não ao conteúdo bruto do aparelho. Assim, não é possível provar adulteração, mas também não se pode descartá-la. A defesa quer os dados brutos. A PF, procurada pelo Poder360, não respondeu até a publicação.

O risco para Moraes está nas mensagens. Segundo a PF, o ministro recebeu ao menos 52 mensagens de Vorcaro enquanto o escritório da mulher dele mantinha contratos com o Banco Master. Vorcaro teria escrito os textos na app Notas do iPhone, tirado prints e enviado como imagens de visualização única, que sumiam após a leitura. Esqueceu, porém, de apagar as imagens no aparelho, e foi delas que a PF extraiu o teor das conversas. Se houver imagens criadas depois da apreensão, surge a dúvida sobre sua autoria.

Se as provas forem anuladas, a teoria do fruto da árvore envenenada, prevista no artigo 157 do Código de Processo Penal, pode alcançar também o que derivou delas. Moraes nega ter trocado essas mensagens e as chama de diálogos fantasiosos. O desfecho depende agora do acesso aos dados brutos e de uma resposta da PF que mostre se as datas são alteração real ou apenas efeito do processamento.

Um laudo pericial encomendado pela defesa de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, examinou os dados extraídos do celular dele, que está em poder do Supremo Tribunal Federal. O documento aponta inconsistências nesse material e, se for confirmada alguma alteração, pode beneficiar não só o ex-banqueiro, mas também o ministro Alexandre de Moraes.

Os números do laudo são concretos. A perícia identificou 657 arquivos com registro de modificação em 18 de novembro de 2025, dia da prisão de Vorcaro, e outros 999 com registro de modificação posterior a essa data. Há ainda 94 imagens com data de criação depois da prisão.

O próprio laudo, porém, tem um limite claro. Os peritos trabalharam com os dados que a Polícia Federal entregou ao STF e que foram repassados à defesa: um arquivo no formato UFDR, já processado e classificado pela corporação, e não o arquivo bruto extraído do aparelho. Por isso não é possível comparar o que a PF apresentou com o que foi originalmente coletado. O documento não prova que o material foi adulterado, mas também não descarta essa possibilidade. Em um trecho, afirma que a falta de elementos para atribuir as alterações a uma intervenção humana não autoriza classificá-las como automáticas, rotineiras ou inofensivas. A defesa de Vorcaro quer acesso aos dados brutos.

O Poder360 perguntou à PF se há, nos dados do celular, arquivos criados ou modificados depois da apreensão. Até a publicação, não houve resposta.

Por que isso interessa a Moraes? Segundo a PF, o ministro recebeu ao menos 52 mensagens de Vorcaro enquanto o escritório de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, mantinha um contrato de até R$ 131 milhões com o Banco Master e outro, de R$ 50 milhões, envolvendo o uso de aeronaves. A relação entre os dois está sob escrutínio público, e o ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, é autor de um pedido de investigação contra Moraes.

Se as provas extraídas do celular fossem anuladas, entraria em cena a teoria do fruto da árvore envenenada: provas obtidas de fonte ilícita, ou derivadas dela, são nulas e não podem ser usadas no processo. No Brasil, o princípio está no artigo 157 do Código de Processo Penal, e sua aplicação depende da análise das circunstâncias de cada caso pela Justiça. A anulação, nesse cenário, poderia alcançar também os procedimentos derivados.

O ponto mais sensível para Moraes são as 94 imagens em formato HEIC, usado por iPhones para guardar fotos. Segundo a PF, as mensagens com o ministro não circulavam como texto no WhatsApp. Vorcaro as escrevia no aplicativo Notas do iPhone, tirava um print e o enviava como imagem de visualização única; Moraes lia e a mensagem sumia. As respostas do ministro também chegavam assim. Vorcaro, porém, teria esquecido de apagar as imagens do aparelho, e foi a partir delas que a PF concluiu o teor das conversas.

Se houver, no conjunto analisado pelo STF, imagens criadas depois da apreensão, surge a dúvida sobre como garantir que foram escritas por Vorcaro e enviadas ao ministro. Moraes nega ter trocado as mensagens e as chama de “diálogos fantasiosos”.

O desfecho depende de um passo ainda pendente: o acesso da defesa aos dados brutos e a eventual resposta da PF, que permitiriam saber se as datas apontadas são alteração real ou artefato do processamento.

A ausência de elementos que atribuam as alterações a intervenção humana não autoriza classificá-las como automáticas, rotineiras ou inofensivas.
— Laudo pericial encomendado pela defesa de Vorcaro (paráfrase)
Moraes nega ter trocado as mensagens e as chama de “diálogos fantasiosos”.
— Ministro Alexandre de Moraes
Quer a matéria completa? Leia o original em Poder360 ↗
Fale Conosco FAQ