Grupo Veloci quer triplicar faturamento até 2030 com plataforma de negócios em corridas

A paixão coloca o carro na pista, mas são os negócios que o mantêm
Lincoln Oliveira, CEO do Grupo Veloci, resume sua filosofia sobre o que sustenta o automobilismo profissional.
Mark

Então a ideia é que a corrida deixa de ser o produto principal e vira um palco para negócios?

Mimi

Exatamente. Oliveira separa isso bem: a paixão coloca o carro na pista, mas são os negócios que o mantêm lá. A corrida atrai o público, mas o dinheiro vem de patrocinadores, lojas, experiências pagas, B2B nos eventos.

Luke

Mas quanto disso já está gerando receita? O faturamento cresceu 30% de 2025 para 2026, mas não fica claro quanto vem da verticalização versus do crescimento orgânico das categorias.

Mimi

Boa pergunta. Oliveira não detalha a quebra por fonte de receita. Sabemos que o retorno publicitário foi R$ 2 bilhões em 2025 e deve crescer 19% em 2026, mas isso é valor equivalente em mídia, não receita de fato.

Mark

E a compra do Ultimate Drift? Isso é um movimento defensivo ou ofensivo?

Mimi

Ofensivo. O drift atrai público jovem — 20 mil pessoas em Ribeirão Preto em agosto. Oliveira quer consolidar todas as categorias sob um guarda-chuva.

Luke

Mas ele não revela os valores da aquisição. Não sabemos se é um bom negócio ou se está pagando caro.

Mimi

Verdade. Ele só diz que depende da diligência ser concluída favoravelmente.

Mark

E o IPO? Quando isso realmente acontece?

Mimi

Oliveira fala em 2027 ou 2028, mas deixa claro que depende do cenário macroeconômico. Agora não é o momento.

Luke

Então é uma intenção, não um compromisso. E a meta de R$ 500 milhões em receita — como ele chega nesse número? Triplicar de R$ 230 milhões daria R$ 690 milhões.

Mimi

Ótima observação. Ele não explica essa discrepância. Pode ser que R$ 500 milhões seja uma meta intermediária ou conservadora para o IPO.

  • Grupo Veloci controla seis categorias e projeta faturamento de R$ 230 milhões em 2026, crescimento de 30% ante 2025
  • Aquisição do campeonato Ultimate Drift será anunciada ainda em outubro de 2026
  • Retorno publicitário foi R$ 2 bilhões em 2025, com previsão de crescimento de 19% em 2026
  • Meta é atingir R$ 500 milhões em receita e abrir capital entre 2027 e 2028

Grupo Veloci controla seis categorias de automobilismo e projeta faturamento de R$ 230 milhões em 2026, crescimento de 30% em relação a 2025. Estratégia inclui verticalização de serviços, criação de novas receitas como lojas de souvenir e experiências pagas, além da aquisição do campeonato Ultimate Drift.

Dono da Stock Car, Lincoln Oliveira projeta triplicar o faturamento do Grupo Veloci até 2030 através da compra de categorias concorrentes, internalização de serviços e criação de plataforma de negócios B2B nos eventos de corrida.

Lincoln Oliveira, dono do Grupo Veloci e pai do piloto Gabriel Bortoleto, tem uma visão pouco convencional sobre o que faz uma categoria de automobilismo prosperar. Para ele, a corrida não é o fim — é o meio. A paixão coloca o carro na pista, mas são os negócios que o mantêm lá, e é essa lógica que orienta seu plano ambicioso de triplicar o faturamento do grupo até 2030.

O Grupo Veloci, fundado em 2020, já é o maior conglomerado de automobilismo da América do Sul. Controla seis categorias: Stock Car Pro e Light, Fórmula 4 Brasil, Turismo Nacional, TCR Brasil e TCR South America. Neste ano, o grupo deve encerrar com faturamento de R$ 230 milhões, quase 30% acima do registrado em 2025, quando faturou R$ 180 milhões. Para chegar ao objetivo de triplicar esse número, Oliveira combina estratégias clássicas — como a compra de categorias concorrentes — com abordagens pouco convencionais para o setor esportivo.

A próxima aquisição já está em vias de ser anunciada ainda este mês: o campeonato Ultimate Drift, idealizado pelo piloto João Barion. Oliveira não revela os valores envolvidos, mas confia que, se a diligência for concluída favoravelmente, o campeonato em breve integrará o portfólio da Veloci. A aposta no drift se justifica pelo público que a modalidade tem atraído. Em agosto, durante a etapa de Ribeirão Preto, mais de 20 mil pessoas acompanharam as corridas do fim de semana e, segundo o CEO, torceram como se estivessem em um jogo de futebol.

Mas a estratégia vai muito além de comprar categorias. Oliveira tem internalizado serviços que antes eram contratados de terceiros a cada etapa — geradores, estrutura metálica, telecomunicação. Como todo o material é usado ao longo da temporada e por vários anos, comprar em vez de alugar melhora significativamente o lucro operacional. Os investimentos são concretos: um painel de LED de 120 metros no pódio, uma sala de descanso para pilotos imediatamente após o fim da corrida, e uma carreta de 23 metros que funciona como centro de controle de prova, comandando mais de 180 câmeras utilizadas pela Confederação Brasileira de Automobilismo para fiscalização em tempo real.

A verticalização se estende também à criação de novas fontes de receita dentro do próprio evento. Lojas de souvenir, experiências pagas como voltas rápidas ao lado de pilotos profissionais oferecidas a convidados de patrocinadores, e para o próximo ano, corridas de rua matinais utilizando o autódromo como ativo ocioso fora do horário de competição. Oliveira descreve a visão: criar espaços como lounges VIP para gerar negócios B2B e B2C, organizar exposições para patrocinadores e montadoras, fazer feirões dentro do evento. Em 2025, o grupo registrou retorno publicitário de R$ 2 bilhões, e a previsão é crescimento de 19% em 2026. A métrica mede o valor equivalente em mídia gerado pela exposição de marcas de patrocinadores.

Parte dessa estratégia envolve reorganização física da publicidade dentro do autódromo. Em vez de dividir cada trecho da pista entre múltiplos anunciantes, o grupo passou a criar setores dedicados a uma única marca — como o S do Senna, considerado a área com o maior retorno de mídia no autódromo de Interlagos, que será reservado ao Bradesco, patrocinador master da Stock Car. Esse modelo segue uma referência adotada na Fórmula 1 e é desenvolvido em parceria técnica com o Ibope.

Para os próximos anos, Oliveira planeja uma série inspirada no modelo de "Drive to Survive", o programa da Netflix que mostra os bastidores da Fórmula 1. A proposta é documentar a trajetória de jovens pilotos em ascensão na Stock Light e TCR, formados na Academia da Stock Car. As gravações já foram iniciadas e mostrarão o desenvolvimento dos campeões das duas categorias na categoria principal, os bastidores das decisões e a dinâmica com pilotos mais experientes. A academia resolve dois problemas: garante que novatos subam de posição com uma vaga 100% paga, preocupando-se apenas em correr, e forma mão de obra especializada — mecânicos, engenheiros, telemetristas — profissionais responsáveis por interpretar dados dos sensores dos carros. Oliveira quer que esses profissionais sejam formados internamente, reduzindo custos operacionais.

O próximo grande passo é a abertura de capital. A meta é atingir R$ 500 milhões em receita e aguardar um cenário macroeconômico favorável. Oliveira acredita que 2027 ou 2028 serão os momentos adequados. Com Gabriel Bortoleto como cartão de visitas — único brasileiro na Fórmula 1 atualmente — ele também não descarta expansão da holding para outros países da América do Sul e potencialmente para a Europa, um cenário que passa pela abertura de capital.

A paixão coloca o carro na pista, mas são os negócios que mantêm ele na pista. Você não tem como criar um evento grandioso se você não tiver negócios envolvidos.
— Lincoln Oliveira, CEO do Grupo Veloci
A gente vai fazer isso em todas as categorias para atrair ainda mais os patrocinadores, criar espaços novos como lounges VIP para poder fazer geração de negócio B2B e B2C, organizar exposição para os nossos patrocinadores.
— Lincoln Oliveira, sobre a estratégia de diversificação de receitas
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