Em meados de 2024, uma greve de 160 dias no Ibama transformou-se em crise econômica concreta para o Brasil: 80 mil barris de petróleo deixaram de ser produzidos diariamente, subtraindo R$ 200 milhões mensais dos cofres públicos. A paralisação simultânea da ANP fechou os dois portões regulatórios pelos quais o setor precisa passar para existir. Quando as instituições que guardam as chaves param ao mesmo tempo, toda a engrenagem produtiva fica à espera — e o custo dessa espera se torna visível, barril por barril.
Greve do Ibama reduz produção de petróleo em 80 mil barris/dia, diz IBP
Dois órgãos reguladores paralisados simultaneamente criaram uma tempestade perfeita
Então o Ibama está em greve há 160 dias e isso está custando R$ 200 milhões por mês ao Brasil em impostos não arrecadados?
Exatamente. E o número cresceu muito — começou em 5 a 10 mil barris por dia de redução e chegou a 80 mil. Projetos que estavam prontos para operar ficaram travados porque precisam de licença ambiental.
Mas espera — esses 80 mil barris são de projetos que estão completamente prontos, ou são estimativas do que poderia ser produzido se as licenças fossem aprovadas?
Segundo Ardenghy, são projetos que não receberam licença para entrar em operação. Então sim, estão prontos, mas sem a autorização do Ibama não podem começar.
E agora a ANP também está em greve?
Sim, começou depois. A ANP regula a operação do petróleo, então você tem os dois órgãos que controlam o setor simultaneamente paralisados.
Isso é um problema real, mas preciso perguntar: esses R$ 200 milhões mensais — é arrecadação que o Brasil deixa de receber, ou é receita que as empresas deixam de gerar?
É arrecadação de impostos que o Brasil deixa de receber. A produção não acontece, então não há impostos sobre essa produção.
E o IBP está pedindo o quê, exatamente?
Negociação. Ardenghy quer que o governo sente com os grevistas para resolver o impasse, porque enquanto isso não acontecer, a indústria fica congelada.
Mas não sabemos ainda qual é a pauta da greve do Ibama, certo? O que os servidores estão pedindo?
A reportagem não entra nesses detalhes. Só deixa claro que há uma greve em andamento e que está afetando o setor.
O Pulso
- O que começou com perdas de 5 a 10 mil barris diários escalou silenciosamente até atingir 80 mil barris — um salto que revela quanto tempo o impasse já durava sem solução.
- R$ 200 milhões em impostos deixam de entrar nos cofres públicos a cada mês, transformando uma disputa trabalhista em rombo fiscal mensurável.
- A greve simultânea da ANP criou uma 'tempestade perfeita': projetos que precisam de licenças de dois órgãos diferentes encontraram ambos paralisados ao mesmo tempo.
- O presidente do IBP, Roberto Ardenghy, foi a público com os números e pediu reuniões urgentes com dois ministérios, sinalizando que o setor não vê saída sem mediação política direta.
- Enquanto as negociações não começam, os projetos permanecem congelados e as perdas continuam se acumulando — o tempo, nesse caso, trabalha contra todos os lados.
Em meados de 2024, uma greve de 160 dias no Ibama transformou-se em crise econômica concreta para o Brasil: 80 mil barris de petróleo deixaram de ser produzidos diariamente, subtraindo R$ 200 milhões mensais dos cofres públicos. A paralisação simultânea da ANP fechou os dois portões regulatórios pelos quais o setor precisa passar para existir. Quando as instituições que guardam as chaves param ao mesmo tempo, toda a engrenagem produtiva fica à espera — e o custo dessa espera se torna visível, barril por barril.
Quando Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo, subiu ao palco de um evento do Grupo de Líderes Empresariais em junho de 2024, os números que ele apresentou já não deixavam margem para interpretação: a greve do Ibama, então com 160 dias de duração, estava custando ao Brasil 80 mil barris de petróleo por dia e R$ 200 milhões mensais em arrecadação de impostos.
A trajetória da crise dizia tanto quanto os números em si. No início da paralisação, as perdas eram contidas — entre 5 e 10 mil barris diários. Mas os projetos continuaram travados, aguardando licenças ambientais que não chegavam, e o volume de produção perdida foi crescendo semana após semana até atingir o patamar que Ardenghy apresentou naquele evento.
O que transformou a situação em algo ainda mais grave foi a chegada de uma segunda frente: a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis iniciou sua própria greve enquanto o Ibama ainda estava paralisado. Para uma indústria que depende de licenças para instalar equipamentos, operar e atualizar autorizações, ter os dois principais órgãos reguladores simultaneamente indisponíveis era, nas palavras do próprio Ardenghy, uma tempestade perfeita. Os processos estavam congelados em ambas as frentes, sem alternativa.
Diante disso, o IBP buscou abrir canais de negociação com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e com a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck. A mensagem era clara: sem que alguém se sentasse para resolver o impasse, as perdas continuariam crescendo — e o petróleo, como os projetos e a arrecadação, não tinha como esperar indefinidamente.
A paralisação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente escalou de um problema setorial para uma crise econômica mensurável. No início de junho de 2024, o presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo, Roberto Ardenghy, divulgou números que colocavam a greve em perspectiva: 80 mil barris de petróleo deixavam de ser produzidos a cada dia por causa da mobilização que já durava 160 dias.
Esse volume de produção perdida se traduzia em R$ 200 milhões mensais em arrecadação de impostos que o Brasil deixava de receber. A cifra não era especulativa — era o resultado direto de projetos que aguardavam licenças ambientais para entrar em operação e não conseguiam avançar enquanto o órgão regulador estava paralisado. Ardenghy apresentou esses dados em um evento do Grupo de Líderes Empresariais, deixando claro que o setor estava contando os dias de prejuízo.
O que tornava a situação particularmente grave era a trajetória da crise. Quando a greve começou, as perdas eram modestas — entre 5 e 10 mil barris diários. Mas a paralisação se estendeu, projetos continuaram travados, e na sexta-feira anterior ao pronunciamento de Ardenghy, o número havia saltado para 80 mil barris. Não era uma estimativa pessimista; era o que estava acontecendo naquele momento específico.
E então veio a complicação adicional. Enquanto o Ibama permanecia em greve, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis também iniciou sua própria mobilização. Para uma indústria que vive de licenças — para instalar equipamentos, para operar, para atualizar autorizações — ter os dois principais órgãos reguladores simultaneamente indisponíveis era o que Ardenghy chamou de uma tempestade perfeita. Não havia para onde ir. Os processos estavam congelados em ambas as frentes.
O executivo do IBP havia solicitado reuniões com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e com a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck. A mensagem era direta: era preciso que negociações começassem. Não porque o setor quisesse contornar regulação ambiental, mas porque a paralisia estava criando um efeito contínuo de perdas que só aumentaria enquanto ninguém se sentasse para resolver o impasse. O petróleo não esperava. Os projetos não esperavam. E a arrecadação de impostos também não.
Citações Notáveis
O setor de óleo e gás vive de licenças, de instalação, de operação e atualização das licenças— Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo
Agora com a greve da ANP estamos em uma tempestade perfeita, os dois principais órgãos que regulam o setor estão ou em situação de mobilização ou de greve— Roberto Ardenghy