EUA planejam expandir operações militares contra narcotraficantes para terra na América Latina

Operações anteriores contra lanchas deixaram pelo menos 215 mortos; potencial para novas vítimas em operações terrestres planejadas.
Vamos destruir estas redes com todas as capacidades do governo americano
Secretário de Guerra dos EUA rejeita processos judiciais e promete ação militar direta contra narcotraficantes.
Mark

Por que o Pentágono decidiu agora expandir essas operações para a terra? O que mudou?

Mimi

As operações marítimas tiveram sucesso em termos de capacidade de ataque — duzentas e quinze mortes em um ano. Mas o tráfico não acontece só no mar. Os cartéis têm bases, laboratórios, rotas terrestres. Washington quer aplicar a mesma lógica de resposta rápida e letal que usou nas águas.

Mark

E a questão legal? Hegseth disse explicitamente que não vai submeter ninguém a processo judicial.

Mimi

Isso é o ponto crucial. Ao classificar essas organizações como terroristas, os EUA se dão uma margem legal para operações que seriam questionáveis sob direito internacional. É a mesma lógica usada contra Al-Qaeda e ISIS, mas aplicada agora a grupos criminosos latino-americanos.

Mark

O Brasil não está na coalizão, mas o PCC e o Comando Vermelho foram designados como terroristas. Como isso funciona?

Mimi

É uma contradição intencional. Os EUA podem justificar operações contra essas facções mesmo sem cooperação formal do Brasil. A designação de terrorista é a chave — transforma essas organizações em alvos legítimos sob a ótica americana, independentemente de acordos bilaterais.

Mark

Qual é o risco real aqui?

Mimi

Operações militares em terra são mais complexas que ataques a embarcações. Há mais civis, mais possibilidade de erro, mais potencial para escalação. E sem supervisão clara ou limites geográficos definidos, as operações podem se expandir além do que foi anunciado.

Mark

Por que o México não está na coalizão?

Mimi

O México é complicado. Tem as maiores organizações criminosas, mas também é vizinho dos EUA. Uma coalizão formal criaria obrigações que o México pode não querer assumir. Mas isso deixa em aberto como Washington vai agir lá — talvez de forma menos transparente.

  • Operações marítimas anteriores deixaram pelo menos 215 mortos
  • Coalizão Anticartéis reúne 19 países, mas exclui Brasil e México
  • PCC e Comando Vermelho foram designados como organizações terroristas em junho de 2026
  • Colômbia entrou na coalizão na semana do anúncio

EUA pretendem realizar ataques em terra contra cartéis em países parceiros, classificando organizações de tráfico como terroristas. Operações seguirão modelo dos ataques contra lanchas no Caribe e Pacífico, com possibilidade de ações além da coalizão oficial.

Pentágono anuncia planos para operações militares terrestres contra narcotraficantes latino-americanos, expandindo modelo usado em ataques marítimos que deixaram 215 mortos.

Na noite de quarta-feira, em algum ponto da selva panamenha, o secretário de Guerra dos Estados Unidos anunciou um novo capítulo na guerra americana contra o narcotráfico latino-americano. Pete Hegseth, reunido com militares de cerca de vinte países em exercícios anuais, deixou claro que Washington planeja levar para a terra firme uma estratégia que até agora tinha se concentrado nas águas do Caribe e do Pacífico.

Desde setembro do ano anterior, os Estados Unidos vêm atacando o que descrevem como embarcações de narcotraficantes em águas internacionais. Essas operações deixaram pelo menos duzentas e quinze pessoas mortas. Agora, o Pentágono quer replicar esse modelo em solo latino-americano, trabalhando ao lado de parceiros como Equador e Colômbia para atingir o que classifica como organizações terroristas ligadas ao tráfico de drogas. A mudança representa uma expansão significativa do escopo geográfico e operacional das ações militares norte-americanas na região.

Hegseth foi direto em suas intenções. Disse que as operações ocorrerão "onde quer que" atuem grupos de narcotraficantes, ampliando a possibilidade de ações para além dos países que integram a Coalizão Anticartéis das Américas, a aliança criada pelo governo Trump. Essa coalizão reúne dezenove nações — entre elas Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Honduras e Peru — mas notavelmente exclui o Brasil e o México, dois dos países mais afetados pelo tráfico de drogas na região. O Brasil, apesar de ter duas de suas principais facções criminosas — o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho — designadas como organizações terroristas pelos EUA em junho, não faz parte da aliança.

A estratégia reflete uma mudança mais ampla na postura do governo Trump em relação ao crime organizado latino-americano. Washington tem expandido agressivamente o uso da classificação de grupos ligados ao narcotráfico como entidades terroristas, equiparando-os ao Estado Islâmico e à Al-Qaeda em termos de ameaça e resposta. Hegseth deixou isso explícito: "Onde quer que trafiquem drogas ou ameacem o povo americano ou nossos parceiros, essas organizações são um alvo, assim como o ISIS ou a Al-Qaeda."

Os alvos potenciais são vastos. As operações podem visar desde redes de tráfico de cocaína até as operações de fentanil no México. Hegseth também classificou como "alvos legítimos" remanescentes de guerrilhas colombianas. A amplitude dessa definição levanta questões sobre quem exatamente será considerado um alvo legítimo e sob que circunstâncias.

O tom das declarações de Hegseth foi particularmente duro quando se referiu ao processo judicial. "Não vamos submetê-los a um processo judicial, onde sabemos que serão liberados. Vamos destruir estas redes com todas as capacidades do governo americano", afirmou. A frase sugere uma abordagem que prioriza a ação militar sobre os procedimentos legais tradicionais, uma escalada retórica que tem implicações significativas para como essas operações serão conduzidas.

No curto prazo, os Estados Unidos pretendem desenvolver com seus aliados uma capacidade operacional semelhante à utilizada nos ataques contra embarcações. A Colômbia, um dos principais parceiros, entrou na coalizão justamente nesta semana, sinalizando seu alinhamento com a estratégia norte-americana. O México, apesar de abrigar algumas das principais organizações criminosas da região, permanece fora da aliança, o que deixa em aberto como Washington lidará com operações em território mexicano.

O anúncio ocorre em um momento de tensões crescentes entre os Estados Unidos e organizações criminosas latino-americanas. As operações marítimas anteriores já geraram controvérsias e questionamentos sobre colateral e procedimentos. A expansão para operações terrestres, potencialmente em múltiplos países e com menos supervisão internacional, representa um passo ainda mais significativo na militarização da guerra contra o tráfico de drogas na região.

Será o mesmo efeito em terra. Por isso, estamos trabalhando com Equador, Colômbia e outros parceiros para levar a luta às DTOs em terra
— Pete Hegseth, secretário de Guerra dos EUA
Onde quer que trafiquem drogas ou ameacem o povo americano ou nossos parceiros, essas organizações são um alvo, assim como o ISIS ou a Al-Qaeda
— Pete Hegseth
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