No cruzamento entre poder e petróleo, Donald Trump anunciou que os Estados Unidos assumirão o controle do Estreito de Ormuz — a garganta por onde passa boa parte da energia que move o mundo — após o Irã fechar a passagem em retaliação a bombardeios americanos. A declaração, feita na segunda-feira, transforma uma rota comercial em símbolo de soberania disputada e coloca em risco o frágil memorando de trégua assinado apenas semanas antes. O que começou como uma guerra no Oriente Médio em fevereiro de 2026 revela agora sua dimensão mais ampla: um confronto sobre quem dita as regras do mar e do co
Trump promete controlar Ormuz e cobrar 'pedágio'; Irã confirma bloqueio do estreito
Nos tornaremos os guardiões do estreito. E deveríamos ser pagos por isso
Por que Trump insistiria em cobrar um pedágio se o próprio Irã está sendo rejeitado por tentar fazer a mesma coisa?
Porque para Trump, o ponto não é a lógica da cobrança em si — é o controle. Ele está dizendo que os EUA têm o direito de fazer o que o Irã não tem. É uma afirmação de poder disfarçada de administração.
O acordo de junho parecia sólido. O que mudou em tão pouco tempo?
Ninguém sabe exatamente. Trump diz que o Irã começou a exigir mudanças depois que tudo estava acertado. Mas ataques aconteceram no fim de semana — alguém disparou primeiro, e a partir daí virou uma espiral.
E quanto aos aliados americanos na região? Jordânia, Bahrein, Kuwait — estão sendo puxados para o meio dessa guerra.
Exatamente. Essas bases não são apenas americanas, são também centros de operações para toda a estratégia regional dos EUA. O Irã sabe disso. Atacar lá é atacar a rede inteira.
O preço do petróleo subiu 4% só com o anúncio do fechamento. Quanto tempo isso pode durar?
Enquanto Ormuz estiver fechado, o preço sobe. Mas ninguém quer uma guerra de atrito econômico — nem os EUA, nem o Irã, nem o resto do mundo. Isso é insustentável.
Então por que ninguém está negociando?
Porque ambos os lados estão convencidos de que estão vencendo. Trump diz que o Irã está levando uma surra. O Irã diz que está defendendo seu território. Ninguém quer ser o primeiro a piscar.
The Pulse
- O Irã fechou o Estreito de Ormuz após ataques aéreos americanos no fim de semana, declarando a passagem 'atualmente inviável' e fazendo o preço do petróleo disparar mais de 4% nos mercados globais.
- Trump respondeu propondo que Washington se torne o 'guardião do estreito' — cobrando seu próprio pedágio onde antes o Irã pretendia cobrar o seu — e acusou Teerã de ter quebrado um acordo já selado.
- A Guarda Revolucionária Islâmica atacou bases americanas e aliadas na Jordânia, Bahrein, Kuwait e Omã, demonstrando que os bombardeios dos EUA não conseguiram neutralizar a capacidade iraniana de retaliar.
- O memorando de entendimento de 17 de junho, que previa 60 dias de trégua para negociar o fim permanente da guerra, está sendo corroído dia a dia pela retomada dos ataques mútuos.
- Com ambos os lados exibindo disposição e capacidade de continuar lutando, o conflito — iniciado em fevereiro com um ataque conjunto israelo-americano ao Irã — caminha para um novo ciclo de escalada sem horizonte claro de resolução.
No cruzamento entre poder e petróleo, Donald Trump anunciou que os Estados Unidos assumirão o controle do Estreito de Ormuz — a garganta por onde passa boa parte da energia que move o mundo — após o Irã fechar a passagem em retaliação a bombardeios americanos. A declaração, feita na segunda-feira, transforma uma rota comercial em símbolo de soberania disputada e coloca em risco o frágil memorando de trégua assinado apenas semanas antes. O que começou como uma guerra no Oriente Médio em fevereiro de 2026 revela agora sua dimensão mais ampla: um confronto sobre quem dita as regras do mar e do comércio global.
Donald Trump anunciou nesta segunda-feira que os Estados Unidos tomarão o controle do Estreito de Ormuz, transformando a passagem estratégica em zona sob tutela americana. A declaração foi uma resposta direta ao fechamento da rota pelo Irã, que retaliava bombardeios americanos lançados no fim de semana contra instalações militares iranianas.
Em entrevista à Fox News, Trump rejeitou a ideia de Teerã cobrar pedágios pela passagem, mas propôs que Washington assumisse exatamente esse papel. 'Nos tornaremos os guardiões do estreito. Talvez possamos nos chamar de anjos da guarda do estreito. E deveríamos ser pagos por isso', afirmou. Ele também acusou as lideranças iranianas de terem quebrado um acordo que, segundo ele, estava praticamente fechado após uma reunião de 11 horas.
O Irã confirmou o bloqueio, declarando a travessia 'atualmente inviável' e condicionando a reabertura ao retorno da 'estabilidade e calma'. O impacto foi imediato: o petróleo subiu mais de 4%, expondo a vulnerabilidade da economia global a interrupções nessa rota vital.
Os ataques americanos haviam mirado sistemas de defesa aérea, radares costeiros, mísseis e embarcações iranianas — mas não impediram a retaliação. A Guarda Revolucionária atacou bases americanas e aliadas na Jordânia, Bahrein, Kuwait e Omã. O Exército do Kuwait confirmou ter respondido a 'objetos aéreos hostis' em seu território.
Essa espiral de retaliações ameaça o memorando de entendimento assinado em 17 de junho, que previa 60 dias de trégua para negociar o fim permanente de uma guerra iniciada em fevereiro com um ataque conjunto israelo-americano ao Irã. Trump garantiu que Teerã estava levando uma 'surra', mas o campo de batalha conta uma história mais ambígua: dois lados com capacidade e vontade de continuar lutando, e um acordo de paz cada vez mais distante.
Donald Trump anunciou nesta segunda-feira que os Estados Unidos tomarão o controle do Estreito de Ormuz, transformando a passagem estratégica em zona sob proteção americana — e sugerindo que cobrará uma taxa pelo privilégio. A declaração veio em resposta direto ao fechamento da rota pelo Irã, que retaliava bombardeios americanos lançados no fim de semana contra instalações militares iranianas.
Em entrevista à Fox News, o presidente americano rejeitou categoricamente a ideia de Teerã cobrar pedágios, mas propôs que Washington assumisse exatamente esse papel. "Vamos controlar o estreito e provavelmente vamos administrá-lo. Nos tornaremos os guardiões do estreito. Talvez possamos nos chamar de anjos da guarda do estreito. E deveríamos ser pagos por isso", disse Trump. Ele também atacou as lideranças iranianas, descrevendo-as como "pessoas ruins" que haviam quebrado um acordo anterior e começado a exigir mudanças após uma reunião de 11 horas onde, segundo ele, tudo já estava acertado.
O Irã, por sua vez, confirmou o bloqueio da passagem. A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico divulgou comunicado afirmando que a travessia estava "atualmente inviável" devido às ações militares americanas, e que o processo de permissão de passagem seria retomado apenas quando a "estabilidade e a calma" fossem restauradas. O fechamento teve impacto imediato nos mercados globais: o preço do petróleo subiu mais de 4%, refletindo a vulnerabilidade da economia mundial a interrupções nessa rota crítica para o comércio de combustíveis.
Os ataques americanos visaram especificamente impedir o bloqueio iraniano. Forças dos EUA no Oriente Médio atingiram sistemas de defesa aérea, unidades de radar costeiras, capacidades de mísseis e drones, além de embarcações pequenas. Mas a estratégia não funcionou: o Irã respondeu com seus próprios ataques. A Guarda Revolucionária Islâmica anunciou que havia atacado a Base Aérea Príncipe Hassan na Jordânia, um centro de comando de drones no Bahrein, duas bases aéreas no Kuwait e instalações americanas em Omã. No domingo anterior, havia relatos de ataques contra bases no Catar. O Exército do Kuwait confirmou que precisou responder a "objetos aéreos hostis" lançados contra seu território.
Essa escalada de retaliações mútuas coloca em risco um memorando de entendimento assinado em 17 de junho entre Washington e Teerã. O protocolo previa 60 dias de trégua para negociar o fim permanente da guerra no Oriente Médio, que havia começado em 28 de fevereiro com um ataque conjunto israelo-americano contra o território iraniano. A retomada dos disparos, que começou na última segunda-feira e não parou desde então, mina as bases desse acordo e ameaça mergulhar a região em novo ciclo de escalada. Trump garantiu que o Irã estava levando uma "surra" na guerra, mas a realidade no terreno sugere um conflito longe de ser resolvido, com ambos os lados demonstrando capacidade e disposição para continuar lutando.
Notable Quotes
Vamos controlar o estreito e provavelmente vamos administrá-lo. Nos tornaremos os guardiões do estreito.— Donald Trump, presidente dos EUA
Devido a ações hostis recentes das forças dos Estados Unidos, a passagem pelo Estreito de Ormuz é atualmente inviável.— Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA)