Leavitt foi nomeada secretária de imprensa em janeiro de 2025 e se tornou a pessoa mais jovem a ocupar esse cargo na história dos EUA. Durante sua gestão, demonstrou hostilidade com jornalistas críticos e o governo mudou o sistema de acesso presidencial, favorecendo veículos alinhados.
Karoline Leavitt deixa cargo de porta-voz da Casa Branca aos 27 anos
Ela não apenas falava Trump fluentemente, como sabia alimentar a fera da mídia
Como uma pessoa tão jovem chegou a um cargo tão importante?
Ela começou do zero — bolsa esportiva, primeira da família a se formar. Entrou como estagiária na Casa Branca durante o primeiro mandato de Trump, escrevendo cartas. Depois trabalhou para uma deputada republicana. Quando Trump voltou, ela já era sua porta-voz de campanha. Ele a conhecia, confiava nela.
E por que ela se tornou tão conhecida por confrontar jornalistas?
Porque fazia exatamente o que Trump queria. Ela defendia o presidente de forma agressiva, não recuava. Quando um jornalista fazia uma pergunta incômoda, ela respondia com provocação ou sarcasmo. Isso agradava ao presidente e aos seus apoiadores.
Mas isso não prejudicou a credibilidade da Casa Branca?
Depende de quem você pergunta. Para críticos, sim — ela mudou como jornalistas acessavam o presidente, favorecendo veículos alinhados. Mas para Trump e seus apoiadores, ela estava modernizando o sistema, trazendo podcasters e criadores digitais para a sala de coletivas.
Por que ela saiu agora?
Oficialmente, para ficar com os filhos. Ela tinha dois filhos pequenos e anunciou o segundo em maio. Mas ninguém sabe ao certo se foi só isso ou se havia pressão, cansaço, algo mais.
E ela desaparece da política?
Não. Trump disse que ela será conselheira externa e voz influente no Partido Republicano. Ela vai continuar envolvida, especialmente nas eleições de 2026. É uma saída, mas não é um adeus.
The Pulse
- Nomeada secretária de imprensa em janeiro de 2025, aos 27 anos, a mais jovem da história
- Frequentes confrontos com jornalistas críticos, especialmente da CNN
- Governo mudou sistema de acesso presidencial, eliminando entidade independente
- Anunciou saída no fim de agosto de 2026 para dedicar-se à família
Leavitt foi nomeada secretária de imprensa em janeiro de 2025 e se tornou a pessoa mais jovem a ocupar esse cargo na história dos EUA. Durante sua gestão, demonstrou hostilidade com jornalistas críticos e o governo mudou o sistema de acesso presidencial, favorecendo veículos alinhados.
Karoline Leavitt, a porta-voz mais jovem da história da Casa Branca aos 27 anos, deixará o cargo no fim de agosto para dedicar-se à família, segundo anúncio de Trump.
Karoline Leavitt deixou o cargo de porta-voz da Casa Branca no fim de agosto aos 27 anos, tornando-se a secretária de imprensa mais jovem da história americana. Donald Trump anunciou a saída em suas redes sociais na quarta-feira, 12 de agosto, afirmando que ela se dedicaria à família. A decisão encerrou uma trajetória meteórica dentro do círculo político do presidente, que a havia nomeado para o cargo em janeiro de 2025.
Durante seus dezenove meses à frente da Secretaria de Imprensa, Leavitt construiu uma reputação de defensora agressiva do presidente. Ela frequentemente confrontava jornalistas de grandes veículos que questionavam a administração Trump. Seus embates com a repórter Kaitlan Collins, da CNN, tornaram-se recorrentes, com Leavitt acusando a jornalista de disseminar narrativas falsas. Em outubro de 2025, quando um repórter do HuffPost perguntou quem havia sugerido Budapeste como local para um encontro entre Trump e Vladimir Putin, Leavitt respondeu com uma provocação pessoal em vez de responder à pergunta. No Brasil, ganhou repercussão em novembro de 2025 quando a imprensa americana revelou que uma mulher brasileira, mãe de um sobrinho da porta-voz, havia sido detida pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA.
Sob sua liderança, o governo implementou mudanças significativas no acesso à imprensa. O sistema tradicional, que havia funcionado por anos sob responsabilidade de uma entidade independente com um grupo rotativo de jornalistas garantindo diversidade de cobertura, foi abandonado. Trump passou a escolher diretamente quais jornalistas teriam acesso ao presidente. A administração também criou um assento de "novas mídias" na sala de coletivas para podcasts, newsletters e veículos digitais. Essas medidas foram apresentadas como uma adaptação às transformações no cenário jornalístico, mas também enfrentaram críticas por abrir espaço para favorecer veículos alinhados ao governo.
A trajetória de Leavitt começou modestamente. Formada em 2019 em política e comunicação por uma faculdade de New Hampshire com bolsa esportiva, foi a primeira da família a completar um curso superior. Jogou em um time de softball e, durante a faculdade, percebeu que seu verdadeiro interesse estava em política, serviço público e jornalismo. Trabalhou brevemente em uma emissora de televisão com aspirações de ser repórter, mas depois afirmou estar feliz por não ter seguido esse caminho, que descreveu como o "lado sombrio" da profissão.
No primeiro mandato de Trump, conseguiu um estágio na Casa Branca, trabalhando no escritório de correspondência escrevendo cartas em nome do presidente. Posteriormente, foi incorporada à equipe da Secretaria de Imprensa como secretária-adjunta. Após a derrota de Trump em 2020, trabalhou na comunicação da deputada Elise Stefanik, de Nova York, uma das principais defensoras do presidente na Câmara. Em 2022, concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados, mas perdeu. Dois anos depois, tornou-se porta-voz da campanha presidencial de Trump e, após a vitória eleitoral, foi convidada a chefiar a secretaria de imprensa da Casa Branca.
Harrison Fields, ex-vice-secretário de imprensa principal de Trump, elogiou sua atuação à Reuters, dizendo que poucos poderiam se comparar a ela. Segundo Fields, Leavitt não apenas falava "Trump fluentemente", como também sabia alimentar a máquina da mídia de forma astuta, audaciosa e bem-sucedida, agradando principalmente ao seu público principal: o presidente.
Trump justificou a saída afirmando que Leavitt desejava passar mais tempo com seus filhos pequenos e a família. O presidente disse respeitar a decisão e destacou que ela continuaria próxima ao governo. "Karoline agora será uma das minhas principais conselheiras externas e uma voz influente dentro do Partido Republicano", escreveu. Trump também a descreveu como "uma das melhores secretárias de Imprensa da Casa Branca na história do cargo" e indicou que ela continuaria atuando politicamente ao lado do Partido Republicano, especialmente durante as eleições de meio de mandato previstas para 2026. Leavitt havia anunciado o nascimento de seu segundo filho em maio daquele ano.
Teoricamente circularam nas redes sociais sobre uma possível conexão entre a saída e uma viagem em um avião do governo que teria sido ameaçado pelo Irã ao deixar a Turquia, com Trump embarcando secretamente em outro voo por questões de segurança. No entanto, a TV Globo apurou que Leavitt não acompanhou o presidente naquela viagem. Ela estava nos Estados Unidos enquanto Trump estava na Turquia.
Notable Quotes
Karoline agora será uma das minhas principais conselheiras externas e uma voz influente dentro do Partido Republicano— Donald Trump
Poucos poderiam ou poderão algum dia se comparar a Karoline. Ela não apenas falava Trump fluentemente, como também sabia alimentar a fera da mídia de uma forma astuta, audaciosa e bem-sucedida— Harrison Fields, ex-vice-secretário de imprensa principal de Trump