No Brasil, onde doenças cardiovasculares ceifam trezentas mil vidas por ano, o Estado se vê diante de uma escolha que transcende a burocracia sanitária: incorporar ao SUS um exame capaz de enxergar o perigo antes que ele se torne irreversível. Em agosto de 2026, a Conitec abriu consulta pública para avaliar a angiotomografia coronariana como porta de entrada diagnóstica para pacientes com suspeita de doença nas artérias do coração — um exame não invasivo que, segundo pesquisadores, economiza mais de mil reais por paciente e pode poupar dezenas de bilhões ao sistema ao longo de cinco anos. A de
Conitec abre consulta sobre angiotomografia coronariana no SUS com potencial de R$ 30 bi em economia
Quanto mais cedo identificamos o risco, maiores as chances de prevenir eventos graves
Por que a angiotomografia é melhor que os exames que o SUS usa hoje?
Porque ela mostra as artérias do coração com clareza sem precisar colocar um cateter dentro do paciente. Os médicos veem exatamente onde está a obstrução e decidem o tratamento com mais segurança.
E isso economiza dinheiro de verdade?
Sim. Mil reais por paciente em média. Mas a economia maior vem do que não acontece — menos infartos, menos internações, menos cirurgias. Quando você diagnostica cedo, previne a doença de piorar.
Trinta bilhões em cinco anos parece um número muito grande. Como chegaram nele?
É uma projeção teórica baseada em dados da saúde privada. Pegaram o número de pessoas que poderiam se beneficiar, multiplicaram pela economia por paciente, e projetaram ao longo de cinco anos. Para o SUS seria diferente, mas mostra o potencial.
Qual é o risco de fazer essa mudança?
O risco é mínimo porque a angiotomografia é não invasiva. O maior risco seria não fazer nada e continuar deixando pacientes morrerem de infarto que poderia ter sido prevenido.
Por que a Conitec pediu opinião da sociedade?
Porque decisões sobre tecnologia no SUS precisam levar em conta não só a ciência, mas também a perspectiva de quem vai usar — pacientes, médicos, gestores. A consulta pública qualifica a decisão.
O Pulso
- O Brasil ocupa o nono lugar mundial em mortes cardíacas, com 300 mil óbitos anuais — uma urgência silenciosa que pressiona o sistema de saúde a agir com mais precisão e menos demora.
- Sem acesso a exames não invasivos de alta resolução, pacientes suspeitos de doença coronariana percorrem caminhos diagnósticos mais longos, mais caros e potencialmente mais perigosos.
- Um estudo publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia demonstrou economia média de R$ 1.021 por paciente e projeção de R$ 30 bilhões em cinco anos, dando à Conitec argumentos clínicos e financeiros para a mudança.
- A consulta pública na plataforma Brasil Participativo, aberta até 24 de agosto de 2026, convida cidadãos, profissionais e entidades a influenciar diretamente uma decisão que pode redesenhar o protocolo de diagnóstico cardíaco no SUS.
No Brasil, onde doenças cardiovasculares ceifam trezentas mil vidas por ano, o Estado se vê diante de uma escolha que transcende a burocracia sanitária: incorporar ao SUS um exame capaz de enxergar o perigo antes que ele se torne irreversível. Em agosto de 2026, a Conitec abriu consulta pública para avaliar a angiotomografia coronariana como porta de entrada diagnóstica para pacientes com suspeita de doença nas artérias do coração — um exame não invasivo que, segundo pesquisadores, economiza mais de mil reais por paciente e pode poupar dezenas de bilhões ao sistema ao longo de cinco anos. A decisão que se aproxima não é apenas técnica: é sobre quantas mortes evitáveis o país está disposto a aceitar.
Três em cada dez mortes no Brasil têm origem no coração. São trezentas mil vidas perdidas por ano, muitas delas de pessoas que nunca souberam que suas artérias estavam se fechando lentamente. A doença arterial coronariana avança em silêncio — o acúmulo de gordura nos vasos que irrigam o coração pode não dar sinais até que o infarto já esteja acontecendo. O desafio do sistema de saúde é encontrar esses pacientes antes do dano, sem submetê-los a procedimentos invasivos desnecessários.
Em agosto de 2026, a Conitec abriu consulta pública para decidir se a angiotomografia coronariana deveria se tornar o primeiro exame oferecido pelo SUS a pacientes com suspeita de doença coronariana. O exame usa tomografia computadorizada para mapear as artérias do coração com precisão, sem cateterismo, revelando onde estão as obstruções e permitindo que médicos decidam com segurança quem precisa de intervenção imediata e quem pode ser acompanhado clinicamente.
Um estudo recente forneceu os números que sustentam essa proposta: cada paciente diagnosticado pela angiotomografia como primeiro exame economiza em média R$ 1.021 ao sistema, resultado de menos infartos, menos internações e menos cirurgias de revascularização. Projetada para cinco anos na população elegível da saúde suplementar, a economia acumulada poderia ultrapassar R$ 30 bilhões. A Dra. Isabela Bispo, coautora do estudo e membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia, sintetizou a lógica: identificar cedo e com precisão os pacientes de maior risco é o caminho para prevenir eventos graves e usar melhor os recursos disponíveis.
A consulta ficou aberta até 24 de agosto de 2026 na plataforma Brasil Participativo. Pacientes, familiares, profissionais e entidades podiam contribuir com opiniões e evidências. O que a Conitec avaliaria ao final não era apenas uma mudança de protocolo — era a possibilidade de que centenas de milhares de brasileiros tivessem seus problemas cardíacos descobertos a tempo.
Trezentas mil pessoas morrem por ano no Brasil de doenças do coração. Isso representa três de cada dez óbitos no país — uma proporção que coloca o Brasil em nono lugar no mundo em número de mortes cardíacas. A maioria dessas mortes poderia ser evitada com diagnóstico mais rápido e preciso.
A doença arterial coronariana está no centro desse problema. Ocorre quando gordura se acumula nas artérias que alimentam o coração, estreitando os vasos e reduzindo o fluxo de sangue. Quando não identificada cedo, pode levar a infarto e morte súbita. O desafio médico é encontrar esses pacientes antes que o dano aconteça — e fazê-lo sem expô-los a procedimentos invasivos desnecessários.
Em agosto de 2026, a Conitec, a comissão federal responsável por decidir quais tecnologias entram no Sistema Único de Saúde, abriu uma consulta pública para avaliar se a angiotomografia coronariana deveria se tornar o primeiro exame oferecido pelo SUS para pacientes com suspeita de doença coronariana. A angiotomografia é um tipo de tomografia computadorizada que cria imagens detalhadas das artérias do coração sem necessidade de cateterismo ou outros procedimentos invasivos. Ela mostra exatamente onde estão as obstruções, permitindo que os médicos decidam com precisão quem precisa de tratamento imediato e quem pode ser acompanhado clinicamente.
Um estudo recente publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia forneceu números que ajudam a explicar por que a Conitec está considerando essa mudança. Pesquisadores analisaram o custo-efetividade da angiotomografia em comparação com as estratégias diagnósticas tradicionais usadas hoje. Os resultados foram claros: cada paciente diagnosticado com angiotomografia como primeiro exame economiza em média mil e vinte e um reais ao sistema de saúde. Essa economia vem de várias fontes — menos infartos ocorrem quando o diagnóstico é feito cedo, menos hospitalizações são necessárias, e menos procedimentos de revascularização precisam ser realizados.
Os números projetados para o futuro são ainda mais impressionantes. Se a angiotomografia fosse adotada progressivamente ao longo de cinco anos em toda a população elegível da saúde suplementar, a economia acumulada poderia ultrapassar trinta bilhões de reais. Essa é uma projeção teórica para o setor privado, não uma estimativa direta para o SUS, mas ilustra o potencial da estratégia. Além da economia, o estudo mostrou que pacientes diagnosticados com angiotomografia tiveram menos infartos agudos, menos internações hospitalares e precisaram de menos cirurgias de revascularização.
A Dra. Isabela Bispo, uma das autoras do estudo e membro do Departamento de Imagem Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia, resumiu o argumento assim: quanto mais cedo e com precisão os médicos conseguem identificar os pacientes de maior risco, maiores são as chances de prevenir eventos graves e oferecer o tratamento certo. A escolha do exame inicial, segundo ela, pode beneficiar simultaneamente os pacientes e o sistema de saúde, combinando melhores resultados clínicos com uso mais eficiente dos recursos disponíveis.
A consulta pública ficou aberta até 24 de agosto de 2026 na plataforma Brasil Participativo. Qualquer pessoa — pacientes, familiares, profissionais de saúde, entidades — podia contribuir com opiniões, sugestões, experiências ou evidências sobre o tema. A Conitec usaria essas manifestações para qualificar sua avaliação da tecnologia e tomar uma decisão final sobre incorporação. O que estava em jogo era não apenas uma mudança técnica no protocolo de diagnóstico, mas potencialmente a vida de centenas de milhares de brasileiros que poderiam ter seus problemas cardíacos identificados mais cedo e com menos risco.
Citações Notáveis
Quanto mais cedo e precisamente conseguimos identificar os pacientes de maior risco, maiores são as chances de prevenir eventos cardiovasculares graves e direcionar o tratamento adequado— Dra. Isabela Bispo, Departamento de Imagem Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia