No limiar do inverno, o Zoo Santo Inácio estende uma ponte entre a infância e o mundo selvagem: quem apadrinhar uma das 250 espécies do parque em dezembro entra num sorteio que pode transformar cinco crianças em tratadores por um dia. É uma campanha de Natal que recusa o efémero do presente descartável e aposta, em vez disso, na memória duradoura do contacto com a natureza — um gesto pequeno com a ambição silenciosa de mudar a forma como uma geração olha para os outros seres vivos.
Zoo Santo Inácio lança campanha de apadrinhamento com prémio de tratador por um dia
Quando uma criança se aproxima de um animal, algo muda na sua relação com o mundo
Porque é que o zoo decidiu lançar esta campanha especificamente agora, em dezembro?
Porque é Natal. As pessoas estão a pensar em presentes, em formas de surpreender os filhos. O zoo viu uma oportunidade de transformar essa lógica de consumo numa coisa com propósito — em vez de um brinquedo que esquecemos em três meses, oferecemos uma experiência e uma participação contínua na conservação.
Mas cinco crianças é um número muito pequeno. Quantas pessoas é que vão apadrinhar animais e não vão ganhar nada?
Muitas, provavelmente. Mas ganham na mesma. Recebem um cartão anual para visitar o zoo, o nome deles fica no habitat do animal. Não é um prémio vazio. É uma relação que continua.
A diretora fala muito em conservação e extinção. Será que uma criança de seis anos realmente compreende isso?
Talvez não compreenda a palavra. Mas compreende o contacto. Quando estás perto de um rinoceronte, quando vês como é tratado, como é alimentado, quando um profissional te explica porque é que essa espécie está em perigo — isso fica. Fica de forma diferente de um documentário.
E os tratadores? Como é que eles lidam com ter crianças a seguir durante um dia inteiro?
Não sabemos. Mas a diretora diz que as crianças vão "descobrir muito mais sobre os animais e sobre as rotinas diárias de um tratador". Isso sugere que é uma atividade estruturada, não apenas deixar as crianças soltas. Há aprendizagem envolvida.
Qual é o verdadeiro valor desta campanha para o zoo?
Financeiro, claro — os apadrinhamentos geram receita. Mas também é educacional e de reputação. Um zoo que consegue criar gerações de pessoas que se importam com conservação tem futuro. Essas crianças vão crescer e talvez tragam os seus filhos. Ou trabalhem em conservação. Ou simplesmente votem por políticas ambientais.
Le Pouls
- Num ano em que o isolamento reduziu o mundo das crianças a ecrãs e paredes, o Zoo Santo Inácio propõe uma experiência radicalmente presencial: trabalhar lado a lado com tratadores profissionais entre pinguins, rinocerontes e veados.
- A campanha cria urgência natural — as inscrições decorrem apenas durante dezembro, e o sorteio dos cinco vencedores acontece antes do final do ano, transformando o apadrinhamento num presente de Natal com prazo.
- O zoo enfrenta o desafio de se reinventar como espaço relevante, e responde com uma proposta que une sustentabilidade, educação ambiental e participação ativa em vez de consumo passivo.
- Os padrinhos ganham nome exposto no habitat do animal e cartão anual de visitas, ancorando o gesto simbólico numa relação contínua com o parque e com a conservação das espécies.
No limiar do inverno, o Zoo Santo Inácio estende uma ponte entre a infância e o mundo selvagem: quem apadrinhar uma das 250 espécies do parque em dezembro entra num sorteio que pode transformar cinco crianças em tratadores por um dia. É uma campanha de Natal que recusa o efémero do presente descartável e aposta, em vez disso, na memória duradoura do contacto com a natureza — um gesto pequeno com a ambição silenciosa de mudar a forma como uma geração olha para os outros seres vivos.
O Zoo Santo Inácio, em Vila Nova de Gaia, lançou uma campanha de Natal com uma promessa concreta: cinco crianças entre os 6 e os 12 anos poderão tornar-se tratadores de animais por um dia inteiro em 2021. O mecanismo é direto — qualquer pessoa que apadrinhe uma das 250 espécies do parque durante o mês de dezembro entra automaticamente no sorteio. Os vencedores serão conhecidos antes do final do ano.
Tereza Guedes, diretora do parque, sublinhou que a iniciativa tem dois propósitos complementares. O primeiro é despertar nas crianças uma relação genuína com a natureza: quando um miúdo se aproxima de um animal que até então conhecia apenas de livros, algo na sua visão do mundo muda. O segundo é oferecer uma alternativa com sentido aos presentes de Natal tradicionais — quem apadrinhar um animal vê o seu nome destacado junto ao habitat da espécie escolhida e recebe um cartão anual de visitas ao zoo.
As crianças sorteadas acompanharão tratadores profissionais numa jornada completa: comportamentos animais, rotinas de alimentação, cuidados diários e tudo o que envolve gerir um parque zoológico moderno. Não é uma visita guiada — é educação ambiental transmitida pela experiência direta. Para aderir, basta aceder ao site do Zoo Santo Inácio e escolher a espécie a apoiar. Num ano marcado pelo distanciamento, a iniciativa ganha uma dimensão que vai além do Natal.
O Zoo Santo Inácio, em Vila Nova de Gaia, abriu as inscrições para uma campanha de Natal que promete transformar cinco crianças em tratadores de animais por um dia inteiro. A mecânica é simples: qualquer pessoa que apadrinhe uma das 250 espécies do parque durante dezembro entra automaticamente num sorteio. Os cinco vencedores serão anunciados antes do final do ano, mas a experiência propriamente dita acontecerá ao longo de 2021. As crianças selecionadas, com idades entre os 6 e os 12 anos, terão a oportunidade de trabalhar lado a lado com um tratador profissional, descobrindo na prática como funciona o dia a dia de quem cuida de pinguins, rinocerontes, veados e outras espécies.
Tereza Guedes, diretora do parque zoológico, explicou que a iniciativa persegue dois objetivos bem definidos. O primeiro é permitir que as crianças mais novas vivenciem a natureza de forma imersiva e compreensão genuína. Quando uma criança se aproxima de um animal que conhece apenas de livros ou documentários, algo muda na sua relação com o mundo natural. Guedes acredita que esse contacto direto pode despertar nos mais jovens uma consciência sobre a importância da conservação e da prevenção da extinção de espécies em todo o planeta.
O segundo objetivo é comercial, mas com propósito. O zoo está a sugerir os apadrinhamentos como uma alternativa criativa aos presentes de Natal tradicionais. Quem decide apadrinhar um animal recebe benefícios tangíveis: o seu nome fica permanentemente destacado junto ao habitat do animal afilhado, e recebe um cartão anual que lhe permite visitar o Zoo sempre que desejar. É uma forma de transformar um gesto simbólico em participação ativa na preservação da natureza.
O processo de adesão é direto. Basta aceder ao site do Zoo Santo Inácio e escolher qual a espécie que se pretende ajudar. Não há complicações burocráticas. O que existe é uma oportunidade clara: contribuir para a manutenção de um espaço dedicado à educação ambiental enquanto se oferece às crianças uma experiência que dificilmente esquecerão. Num ano marcado pelo isolamento e pela redução de atividades presenciais, uma iniciativa assim ganha dimensão adicional.
A campanha decorre durante todo o mês de dezembro, e o sorteio dos cinco vencedores será realizado antes do final do ano. Depois disso, durante 2021, as crianças selecionadas terão a sua experiência como tratadores. Acompanhadas por profissionais do zoo, poderão aprender sobre comportamentos animais, necessidades nutricionais, rotinas de limpeza e cuidados, e tudo aquilo que envolve a gestão de um parque zoológico moderno. É educação ambiental em estado puro, transmitida não através de aulas, mas através da experiência direta.
Citations marquantes
Queremos que os mais pequenos sintam e vivam a natureza, ao mesmo tempo que conhecem o nosso dia-a-dia e se sintam atraídos na missão de conservar estas espécies— Teresa Guedes, diretora do Zoo Santo Inácio
Os apadrinhamentos são uma excelente forma de participarem ativamente na Preservação da Natureza— Teresa Guedes, diretora do Zoo Santo Inácio