XP entra no mercado de adquirência com maquininha e cartão para PMEs

Entregar mais valor pelo mesmo patamar de preço praticado
A estratégia da XP para competir em adquirência não é pelo preço, mas pela integração de serviços.
Mark

Por que a XP escolheu entrar na adquirência agora, depois de dois anos da conta digital?

Mimi

Porque o timing faz sentido. Eles já tinham 100 mil clientes empresariais — uma base sólida para testar e escalar. Entrar em adquirência sem ter clientes seria caro e arriscado. Agora eles têm quem usar.

Mark

Mas o mercado de adquirência é muito competitivo. Como a XP vai se diferenciar?

Mimi

Não é pelo preço. Pellegrino foi bem claro: eles vão oferecer "mais valor pelo mesmo patamar de preço". A diferença é a integração. Quando você recebe um pagamento na maquininha XP, aquele dinheiro aparece na sua conta digital, conectado aos seus investimentos, tudo em um lugar.

Mark

E o cartão? Por que um cartão com Investback em vez de pontos tradicionais?

Mimi

Porque empresários pensam diferente de consumidores. Pontos viram milhas de avião. Investback vira rentabilidade. Se você gasta R$ 100 mil no cartão e ganha 1,2%, são R$ 1.200 que você pode reinvestir no negócio. Faz mais sentido.

Mark

Esse modelo de limite colateralizado é inovador?

Mimi

É inteligente. Você começa com um limite "clean", mas se tem R$ 50 mil em ações na XP, pode usar isso como garantia para aumentar o limite. A XP ganha informação sobre o seu perfil financeiro e você ganha flexibilidade.

Mark

E o mercado? Tem espaço para mais um player?

Mimi

Tem, mas não onde você pensa. Sessenta por cento das despesas das famílias já são pagas com cartão. Nas PMEs, são apenas 8%. Esse é o espaço. Quarenta e três por cento dos empresários já tiveram crédito negado por falta de limite. A XP está entrando onde há demanda reprimida.

Mark

Qual é o verdadeiro objetivo aqui?

Mimi

Dados. Ao processar os pagamentos das empresas, a XP vê o fluxo de caixa real de cada cliente. Isso permite oferecer crédito mais inteligente no futuro. É por isso que Pellegrino fala em "principalidade" — não é sobre ter muitos clientes, é sobre ser a instituição que entende melhor o negócio de cada um.

  • O mercado de adquirência brasileiro é dominado por gigantes como Cielo, Stone e Mercado Pago, e a XP entra nesse território com a ambição de competir não por custo, mas por profundidade de relacionamento.
  • A disparidade entre o uso de cartão por famílias (60%) e por PMEs (8%) expõe uma demanda reprimida enorme — e 43% dos empresários já tiveram crédito negado por limite insuficiente.
  • A parceria com a Fiserv e a plataforma Clover permite à XP processar pagamentos, administrar recebíveis e conectar esse fluxo à conta digital e aos investimentos dos clientes empresariais.
  • O cartão Visa Infinite sem anuidade e com Investback de até 1,2% introduz um modelo híbrido em que investimentos mantidos na XP podem ampliar o limite de crédito disponível.
  • Os produtos chegam no terceiro trimestre em operação assistida e gradual, mirando primeiro os 100 mil clientes ativos antes de acelerar a captação de novos correntistas.

Duas décadas após consolidar sua presença no mercado de investimentos, a XP avança sobre o cotidiano financeiro das pequenas e médias empresas brasileiras, lançando maquininha e cartão de crédito como peças de um ecossistema que aspira a tornar-se o centro gravitacional das finanças corporativas. O movimento revela uma tensão estrutural do mercado: enquanto 60% das despesas das famílias já transitam pelo cartão, apenas 8% das PMEs operam dessa forma, uma lacuna que concentra tanto oportunidade quanto disputa acirrada. A XP não chega sozinha — chega com a Fiserv, com a Visa e com cem mil clientes já conquistados, apostando que integração vale mais do que preço.

A XP Empresas anunciou sua entrada no mercado de adquirência com o lançamento de uma maquininha de pagamentos e de um cartão de crédito voltado a pequenas e médias empresas com faturamento de até R$ 500 milhões. Os dois produtos chegam cerca de dois anos após a criação da conta digital para pessoas jurídicas e representam mais um passo na construção de um ecossistema financeiro integrado que une investimentos, conta corrente, câmbio e meios de pagamento — com crédito previsto para o futuro.

A operação de adquirência é viabilizada por uma parceria com a Fiserv, utilizando a plataforma Clover. Philipes Pellegrino, head da XP Empresas, afirma que a estratégia não será competir por preço ou equipamento, mas oferecer uma plataforma integrada a sistemas de gestão que concentre pagamentos e finanças em um único ambiente. A base atual de 100 mil clientes ativos — que dobrou nos últimos três anos — será o foco inicial antes de qualquer expansão agressiva.

O cartão XP Empresas Visa Infinite terá anuidade gratuita, até seis cartões adicionais e Investback de 1,2% nas compras no crédito. Um diferencial é o modelo híbrido de limite: além do crédito inicial definido por análise de risco, o cliente pode ampliar esse valor usando investimentos mantidos na XP como garantia — o que Ciro Moreira, head de cartões, chama de colateralização.

O contexto de mercado reforça a aposta. Segundo a Visa, enquanto 60% das despesas das famílias brasileiras já são pagas com cartão, nas PMEs esse índice é de apenas 8%. Uma pesquisa com duas mil empresas mostrou que 43% dos empresários já tiveram crédito negado por falta de limite adequado. Ao concentrar o fluxo de recebimentos das empresas, a XP espera conhecer melhor o perfil financeiro de seus clientes — informação que pode alimentar tanto recomendações de investimento quanto futuras ofertas de crédito. Os produtos serão disponibilizados gradualmente ao longo do terceiro trimestre.

A XP Empresas anunciou nesta terça-feira sua entrada no mercado de adquirência, o segmento que processa pagamentos eletrônicos através de máquinas de cartão e liquida transações entre consumidores, estabelecimentos e instituições financeiras. Junto com a maquininha, a empresa lançou um cartão de crédito voltado para pequenas e médias empresas com faturamento de até R$ 500 milhões. Os dois produtos chegam cerca de dois anos após o lançamento da conta digital para pessoas jurídicas, reforçando a estratégia da companhia de construir um ecossistema financeiro integrado que una investimentos, conta corrente, câmbio, meios de pagamento e, no futuro, crédito.

A base de clientes da XP Empresas cresceu significativamente nos últimos três anos, dobrando para mais de 100 mil usuários ativos. É nessa base que a empresa pretende focar inicialmente, antes de acelerar a conquista de novos correntistas. Philipes Pellegrino, head da XP Empresas, explica que o lançamento não representa uma mudança de rumo, mas a continuidade de um plano iniciado em 2024. A prioridade, segundo ele, é aumentar a "principalidade" — tornar-se a principal instituição financeira dos clientes empresariais — antes de expandir agressivamente para novos clientes.

A operação de adquirência acontece através de uma parceria com a Fiserv, utilizando a plataforma Clover. Com isso, a XP entra em um mercado já dominado por nomes como Cielo, Stone, Rede, Getnet, PagBank e Mercado Pago. A maquininha permitirá que a empresa processe pagamentos com cartão, administre os recebíveis das empresas e integre essas transações ao restante do ecossistema financeiro, conectando o fluxo de caixa à conta digital, aos investimentos e às futuras ofertas de crédito. Pellegrino afirma que a estratégia não será competir apenas por preço ou equipamento, mas "entregar mais valor pelo mesmo patamar de preço praticado pelo mercado". A ideia é oferecer uma plataforma integrada a sistemas de gestão empresarial, permitindo que o empreendedor concentre em um único ambiente a gestão dos pagamentos e do negócio.

O cartão XP Empresas Visa Infinite terá anuidade gratuita, possibilidade de emissão de até seis cartões adicionais e Investback de até 1,2% sobre as compras realizadas na função crédito. O produto também oferecerá acesso a salas VIP, Visa Fast Pass e benefícios como consultoria de reputação digital e assistência tecnológica. Um diferencial importante é o modelo híbrido de concessão de crédito. Os clientes receberão um limite inicial definido por análise de risco e poderão ampliá-lo utilizando investimentos mantidos na XP como garantia. Ciro Moreira, head de cartões da XP, explica que "o cartão nasce com um limite 'clean', mas o cliente poderá potencializar esse valor por meio da colateralização dos investimentos". Para Moreira, o programa de Investback faz mais sentido para empresas do que os tradicionais programas de pontos.

O mercado brasileiro ainda apresenta espaço relevante para expansão dos meios eletrônicos de pagamento entre empresas. Segundo Marcela Pinori, vice-presidente de soluções comerciais da Visa no Brasil, cerca de 60% das despesas das famílias já são pagas com cartão, enquanto nas pequenas e médias empresas essa participação é estimada em apenas 8%, indicando um potencial significativo de crescimento. Uma pesquisa realizada pela Visa com duas mil PMEs mostrou que 43% dos empresários já tiveram crédito negado por falta de limite adequado, reforçando a importância de soluções de financiamento adaptadas a esse público.

Para Pellegrino, a ampliação do portfólio permitirá à XP aprofundar o relacionamento com seus clientes empresariais. Ao concentrar na instituição o fluxo de recebimentos das empresas, a companhia espera ganhar mais informações sobre o perfil financeiro dos clientes, o que pode apoiar tanto recomendações de investimentos quanto futuras ofertas de crédito. Tanto o cartão quanto a solução de adquirência serão disponibilizados em operação assistida gradualmente aos clientes da plataforma ao longo do terceiro trimestre. A expectativa é que os novos produtos fortaleçam o relacionamento com a base atual e ampliem a capacidade da empresa de competir em um mercado cada vez mais disputado entre bancos tradicionais, fintechs e empresas especializadas em meios de pagamento.

Queremos entregar aos clientes uma oferta cada vez mais completa de produtos e serviços
— Philipes Pellegrino, head da XP Empresas
O cartão nasce com um limite 'clean', mas o cliente poderá potencializar esse valor por meio da colateralização dos investimentos
— Ciro Moreira, head de cartões da XP
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