Pessoas que praticam variedade de exercícios têm 19% menos probabilidade de morrer do que aquelas focadas em uma única atividade. Combinar atividades complementares — como treinamento de resistência e exercícios aeróbicos — oferece benefícios à saúde física e mental.
Variedade de exercícios é chave para viver mais, aponta estudo de 30 anos
Cada exercício diferente oferece algo diferente
O que exatamente o estudo mediu? Foram apenas pessoas que já eram ativas, ou incluiu sedentários também?
O estudo acompanhou 110 mil profissionais de saúde — enfermeiros, enfermeiras e outros — durante 30 anos. Eles preenchiam questionários a cada dois anos sobre quais atividades praticavam. Então sim, eram pessoas que já faziam exercício, mas em diferentes combinações e frequências.
Isso é importante notar. Não sabemos como esses resultados se aplicam a alguém que é completamente sedentário e está começando do zero. O estudo compara pessoas ativas entre si, não pessoas ativas versus inativas.
E quanto ao tamanho do efeito — 19% menos probabilidade de morrer é realmente significativo?
Para contexto, é maior do que o efeito de qualquer atividade isolada. Então sim, é substancial. E para causas específicas — câncer, doenças cardíacas — o efeito era ainda maior, entre 13% e 41%.
Mas precisamos ser cuidadosos aqui. Essas são pessoas que responderam questionários sobre seus hábitos. Não sabemos se havia outros fatores — dieta, sono, estresse — que também variavam entre quem praticava variedade e quem não praticava. A correlação não prova que a variedade em si é o fator causal.
Então por que a variedade funcionaria melhor? Qual é o mecanismo?
O Dr. Hu sugere que atividades complementares — como resistência e aeróbico — oferecem benefícios que se reforçam mutuamente. Você trabalha diferentes sistemas do corpo, diferentes grupos musculares, diferentes capacidades cardiovasculares.
Mas o estudo não explica o mecanismo. Essa é uma interpretação razoável, mas não é algo que o estudo provou diretamente. Seria interessante saber se a variedade importa porque cada tipo de exercício oferece algo único, ou se importa simplesmente porque pessoas que variam tendem a ser mais consistentes ou mais engajadas com sua saúde em geral.
E quanto às recomendações práticas? O NHS diz 150 minutos de atividade moderada — isso precisa ser distribuído entre diferentes tipos de exercício?
As recomendações do NHS já incluem uma mistura: atividades de fortalecimento, exercícios aeróbicos, atividades vigorosas. Então sim, a orientação oficial já aponta para variedade. O estudo reforça que essa abordagem mista é ainda mais benéfica do que pensávamos.
Verdade, mas o estudo não quantifica exatamente quanto de cada tipo você precisa. Ele mostra que variedade é melhor, mas não diz se você precisa de 50% aeróbico e 50% força, ou 70% e 30%. Isso ainda é uma questão aberta.
Il Polso
- Estudo de 30 anos com 110 mil pessoas nos EUA
- 19% menos probabilidade de morte entre quem pratica variedade de exercícios
- Risco de morte por câncer, doenças cardíacas e pulmonares era 13% a 41% menor
- Recomendação do NHS: combinar fortalecimento, atividades aeróbicas e vigorosas ao longo de 4-5 dias por semana
Pessoas que praticam variedade de exercícios têm 19% menos probabilidade de morrer do que aquelas focadas em uma única atividade. Combinar atividades complementares — como treinamento de resistência e exercícios aeróbicos — oferece benefícios à saúde física e mental.
Estudo de 30 anos com 110 mil pessoas mostra que praticar diversos tipos de exercício reduz em 19% o risco de morte, superando benefícios de atividades isoladas.
A tentação é sempre a mesma: escolher um exercício que você gosta e fazer dele sua rotina. Caminhar todas as manhãs. Correr três vezes por semana. Ir à academia com disciplina. O problema é que essa lealdade a uma única atividade pode estar lhe custando anos de vida. Um estudo que acompanhou 110 mil pessoas nos Estados Unidos ao longo de três décadas descobriu algo que desafia essa lógica: quem pratica uma variedade de exercícios diferentes a cada semana tem 19% menos probabilidade de morrer durante esse período do que quem se concentra em apenas uma modalidade. O efeito é tão pronunciado que supera os benefícios observados em atividades específicas isoladas — seja caminhada, tênis, remo ou corrida.
A pesquisa, liderada pelo Dr. Yang Hu da Escola de Saúde Pública de Harvard e publicada na revista BMJ Medicine, envolveu mais de 70 mil enfermeiros e enfermeiras entre 30 e 55 anos, além de 40 mil profissionais de saúde entre 40 e 75 anos. Durante 30 anos, esses participantes responderam a questionários a cada dois anos, detalhando quais atividades praticavam: caminhada, trote, corrida, ciclismo, natação, remo, tênis, squash, musculação, ioga, jardinagem e subida de escadas. Os dados revelaram que a maioria dos tipos de exercício, quando praticados isoladamente, reduzia o risco de morte. Mas aqueles que alternavam entre diferentes modalidades alcançavam resultados ainda mais impressionantes — o risco de morte por câncer, doenças cardíacas, doenças pulmonares e outras causas era entre 13% e 41% menor comparado aos demais participantes.
Maddie Albon, uma gerente global de marketing de 29 anos que vive em Londres, exemplifica essa abordagem na prática. Ela pratica triatlo, mas não para por aí. Sua semana inclui também tênis, aulas de spinning, ioga, pilates e musculação. Para ela, a variedade não é apenas uma estratégia de saúde — é uma questão de compreender como o corpo funciona. "Cada exercício diferente oferece algo diferente", explica. "Você precisa ter variedade para ser bom em um esporte — para ser bom na corrida, você precisa fazer musculação." Além dos ganhos físicos, Maddie percebe que a combinação de atividades impacta seu bem-estar mental. Nos dias em que não tem energia para uma sessão intensa, a ioga oferece um espaço para desacelerar e relaxar. "É bom ter essas outras opções para movimentar o corpo e realmente dedicar esse tempo a si mesma durante o dia", disse ela à BBC. Ela começou a praticar triatlo há pouco mais de um ano e agora considera experimentar esportes coletivos, atraída pela dimensão social que eles oferecem.
O Dr. Yang Hu enfatiza que a quantidade total de exercício continua sendo fundamental, mas a diversidade amplifica os resultados. "É importante manter um alto nível de atividade física total e, além disso, diversificar os tipos de atividades pode ser ainda mais benéfico", afirma. "Combinar atividades que oferecem benefícios complementares à saúde, como treinamento de resistência e exercícios aeróbicos, pode ser muito útil." Essa conclusão alinha-se com as recomendações do NHS, o serviço público de saúde do Reino Unido, que orienta adultos entre 19 e 64 anos a buscar uma combinação de abordagens: atividades de fortalecimento que trabalhem todos os principais grupos musculares pelo menos dois dias por semana; 150 minutos de atividade de intensidade moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa por semana; distribuição uniforme da atividade ao longo de 4 a 5 dias; e minimização do tempo sedentário.
A ciência já estabelecia que ser fisicamente ativo reduz o risco de doenças cardiovasculares, pulmonares e de alguns tipos de câncer, além de melhorar a saúde mental. O que esse estudo de três décadas adiciona é uma evidência robusta de que o padrão importa tanto quanto o volume. Não é suficiente ser ativo — é preciso ser ativamente diverso. Para quem está começando, a mensagem é clara: não é necessário ser um atleta completo como Maddie Albon. Basta reconhecer que o corpo responde melhor quando solicitado de formas diferentes, quando desafiado por modalidades que exigem capacidades distintas, quando oferecido variedade em vez de repetição.
Citazioni salienti
É importante manter um alto nível de atividade física total e, além disso, diversificar os tipos de atividades pode ser ainda mais benéfico. Combinar atividades que oferecem benefícios complementares à saúde pode ser muito útil.— Dr. Yang Hu, Escola de Saúde Pública de Harvard
Você precisa ter variedade para ser bom em um esporte — para ser bom na corrida, você precisa fazer musculação.— Maddie Albon, participante do estudo