Um ano de planejamento e 900 metros: fotógrafo brasileiro revela bastidores do eclipse com piloto

Quando você está com uma teleobjetiva, vê como o Sol se move rápido
Maragni descreve a experiência de fotografar um eclipse a 900 metros de distância, subindo a montanha para ganhar mais tempo de exposição.
Mark

Como você decide que um eclipse vale um ano inteiro de planejamento?

Mimi

Não é uma decisão racional, é mais um instinto. Você vê o calendário, vê que há um eclipse em um lugar do mundo, e começa a imaginar que tipo de imagem nunca foi feita antes. Depois é difícil parar de pensar nisso.

Mark

E se tivesse chovido em Peralejos naquele dia?

Mimi

Teria ido para o plano B. Mas a verdade é que não teria sido a mesma coisa. Você escolhe um lugar por uma razão — a geografia, a luz, a forma como o fenômeno se comporta ali. Mudar no último minuto é sempre um compromisso.

Mark

Por que luz contínua e não flash?

Mimi

A distância. 900 metros é muito. O flash não alcança. Você precisa de uma fonte de luz que esteja ali, constante, iluminando o piloto enquanto o Sol desaparece.

Mark

O que muda entre um eclipse anular e um total?

Mimi

Tudo. No anular, você tem aquele anel de fogo, é espetacular mas previsível. No total, o dia vira noite de repente. A câmera não sabe como reagir. Você tem que estar preparado para reconfigurar tudo em segundos.

Mark

Você já pensa no próximo?

Mimi

Sempre. Já estou pensando no eclipse do carnaval. Desta vez será alto no horizonte, não no pôr do sol. As possibilidades são completamente diferentes. Talvez alguém voando. Não sei ainda, mas já estou vendo.

  • A janela para capturar o eclipse durava segundos, e uma única nuvem no dia anterior quase comprometeu um ano inteiro de preparação.
  • A 900 metros de distância, flash era inútil — Maragni precisou improvisar com luz contínua e comunicação via rádio para coordenar cada movimento do piloto.
  • No momento do eclipse total, o dia virou noite abruptamente, forçando uma reconfiguração completa da câmera em tempo real.
  • Subindo 70 metros pela encosta durante o fenômeno, o fotógrafo ganhou minutos preciosos de enquadramento que de outra forma teria perdido.
  • A imagem circulou pelas redes horas depois do eclipse, sem que ninguém pudesse imaginar a engenharia invisível por trás daquele clique.
  • Já com o olhar no próximo eclipse anular previsto para o carnaval de 2027, Maragni planeja algo ainda mais ousado sobre o céu do Brasil.

Há imagens que parecem impossíveis até que alguém dedique um ano inteiro para torná-las reais. O fotógrafo brasileiro Marcelo Maragni, em agosto de 2026, posicionou-se a 900 metros do piloto Edgar Canet nas montanhas de Peralejos, na Espanha, e capturou o instante exato em que a Lua encobriu o Sol atrás de uma moto empinada — unindo o efêmero do cosmos com a precisão humana. A imagem nos lembra que a arte fotográfica, em sua forma mais ambiciosa, é também um ato de fé no planejamento e na paciência.

Marcelo Maragni não é estranho a fotografias que param o mundo. Em 2023, sua imagem do surfista Ítalo Ferreira alinhado com um eclipse anular viralizou globalmente. Mas o eclipse solar de 12 de agosto de 2026 exigiu dele algo de outra escala: um ano de planejamento, viagens de reconhecimento à Espanha e a construção de planos alternativos para o caso de o céu não cooperar.

O local escolhido foi o vilarejo de Peralejos, próximo a Teruel, nas montanhas espanholas. Ali, Maragni encontrou o enquadramento ideal para posicionar o piloto Edgar Canet — escolhido pela familiaridade construída ao longo de coberturas anuais do Rally Dakar no Senegal — empinando sua moto no topo de uma colina, com a Lua e o Sol alinhados ao fundo. Na véspera, uma nuvem isolada surgiu exatamente sobre o ponto escolhido. Cem metros ao lado, o céu estava limpo. A decisão final foi tomada com pouca margem e muita fé.

No dia do eclipse, a operação foi milimétrica. Como o flash não alcança 900 metros, Maragni usou luz contínua ao lado do piloto e se comunicava com um assistente via rádio, que repassava as instruções a Canet em tempo real. Subindo gradualmente pela encosta — cerca de 70 metros —, o fotógrafo ganhou minutos extras de eclipse enquadrado pela teleobjetiva. O maior obstáculo foi a transição abrupta do eclipse total: em segundos, o dia virou noite, e toda a configuração da câmera precisou mudar. O resultado não saiu exatamente como imaginado, mas funcionou — e quando o fenômeno não se repete, isso é o suficiente.

Maragni já projeta o próximo desafio: um eclipse anular previsto para perto do carnaval de 2027, visível do Brasil. Desta vez, o Sol estará alto no horizonte, abrindo possibilidades criativas completamente diferentes. O calendário astronômico, para ele, é também um calendário de ambições.

Marcelo Maragni já conhecia bem o gosto de uma foto que tira o fôlego do mundo. Em 2023, sua imagem do surfista Ítalo Ferreira alinhado com o Sol durante um eclipse anular viralizou nas redes. Desta vez, no eclipse solar de quarta-feira, 12 de agosto, ele fez algo igualmente ambicioso: fotografou o piloto espanhol Edgar Canet empinando sua moto no topo de uma colina, com a Lua e o Sol perfeitamente alinhados atrás dele. A imagem circulou poucas horas depois do fenômeno, mas ninguém que a viu nas redes sociais imagina o que custou chegar até ali.

Maragni começou a planejar este clique há aproximadamente um ano. No início de 2026, viajou à Espanha para pesquisar locações, percorrendo o país até encontrar as montanhas do vilarejo Peralejos, próximo a Teruel. Mas um fotógrafo que trabalha com fenômenos astronômicos não pode confiar em um único plano. Ele preparou alternativas B e C, locais de reserva caso o céu nublasse no momento decisivo. Mesmo assim, a margem de manobra era mínima. Na terça-feira, durante o teste, uma nuvem isolada apareceu exatamente onde ele precisava estar. Cem metros para o lado, o céu estava limpo. Quando bateu o martelo na decisão final, só restava torcer para que desse certo. Maragni teve o apoio da RedBull para executar o projeto.

No dia do eclipse, a logística foi tão precisa quanto o planejamento. Maragni posicionou uma luz contínua ao lado do piloto — flash não funcionaria a 900 metros de distância. Comunicava-se com um assistente via rádio, que repassava as orientações a Canet. O piloto havia sido escolhido justamente porque Maragni o conhecia bem, cobrindo anualmente o Rally Dakar no Senegal, onde Canet compete. Na montanha, o fotógrafo subiu gradualmente, cerca de 70 metros, ganhando minutos preciosos de eclipse fotografável. Com uma teleobjetiva, o movimento do Sol parecia acelerado. Conforme subia, conseguia vê-lo novamente no enquadramento.

O maior desafio técnico veio da própria natureza do eclipse. Num instante, o dia vira noite. A configuração da câmera muda completamente. Maragni deixou luzes posicionadas para compensar, mas o resultado não ficou exatamente como gostaria. Funcionou, porém — e é isso que importa quando você tem segundos para capturar um fenômeno que não se repete.

Este eclipse era diferente daquele de 2023 com Ítalo Ferreira. Naquela ocasião, tratava-se de um eclipse anular, quando a Lua está um pouco mais longe da Terra, deixando um anel de fogo visível. Agora foi um eclipse total, com dinâmica visual completamente distinta. Mas Maragni já está com os olhos no próximo. Um eclipse anular está previsto para perto do próximo carnaval, visível do Brasil. O fotógrafo, que mora em São Paulo, já sente o pulso acelerado. Desta vez, o eclipse estará alto no horizonte — muito diferente do pôr do sol que caracterizou este. As possibilidades criativas são outras. Talvez um atleta no alto, talvez alguém voando. O calendário astronômico já ocupa um lugar permanente na mente de Maragni.

A questão é que não conseguiria mudar muito rápido. Quando bati o martelo, foi torcer para dar certo.
— Marcelo Maragni
Esse eclipse é muito particular, porque de repente vira noite, então muda totalmente a configuração da câmera.
— Marcelo Maragni
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