Há um ano, em 28 de outubro, a Operação Contenção no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, deixou 122 mortos e tornou-se a ação policial mais letal já documentada no país. Ao completar-se o aniversário, a Folha avalia que o saldo prático é quase nenhum: dos alvos de prisão, poucos foram capturados, e lideranças do Comando Vermelho seguem livres. Entre a promessa de combater o crime e o luto de famílias que ainda esperam respostas, o episódio revela a distância entre a força empregada e a ordem efetivamente alcançada.
Um ano após a Operação Contenção, saldo em segurança é nulo e líderes do CV seguem foragidos
Dos 51 alvos de prisão, só quatro foram capturados
Por que o balanço de um ano pesa tanto?
Porque a operação foi a mais letal já documentada no país, com 122 mortos, e os resultados práticos ficaram muito abaixo disso: quatro presos entre 51 alvos.
E os líderes do CV?
Seguem soltos. Luiz Carlos Bandeira Rodrigues e Doca, que tem 46 mandados em aberto, eram alvos e não foram presos. Isso é o que o texto afirma.
E as mortes, o que se sabe?
Há 12 ações penais abertas, mas elas ainda não esclareceram as circunstâncias de cada caso. Os familiares fizeram um ato na terça.
Um cuidado: as câmeras não registrarem as mortes é conclusão da Human Rights Watch, não de um órgão oficial. E o texto fala em potencial abuso, não em abuso comprovado.
O problema é só do Rio?
Não. A Folha contou 18 operações ligadas ao CV em 14 estados entre janeiro e outubro.
Importante lembrar que é um editorial, uma opinião. Os números vêm de fontes citadas, mas a avaliação de que o saldo é nulo é do jornal.
O Pulso
- Dos 51 mandados de prisão, apenas quatro alvos foram capturados, enquanto 45 seguem sem paradeiro.
- Das 145 ordens de busca e apreensão, somente 34 foram cumpridas, expondo a fragilidade do planejamento.
- Chefes do Comando Vermelho, como Doca e Bandeira Rodrigues, continuam foragidos, com dezenas de mandados em aberto.
- Câmeras de PMs com 4.400 horas de gravação não registraram as mortes, e as 12 ações penais ainda não esclareceram nenhuma circunstância.
Há um ano, em 28 de outubro, a Operação Contenção no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, deixou 122 mortos e tornou-se a ação policial mais letal já documentada no país. Ao completar-se o aniversário, a Folha avalia que o saldo prático é quase nenhum: dos alvos de prisão, poucos foram capturados, e lideranças do Comando Vermelho seguem livres. Entre a promessa de combater o crime e o luto de famílias que ainda esperam respostas, o episódio revela a distância entre a força empregada e a ordem efetivamente alcançada.
No dia 28 de outubro, familiares das vítimas se reuniram num ato por justiça. Exatamente um ano antes, a Operação Contenção foi deflagrada no Complexo da Penha, zona norte do Rio, e deixou 122 mortos, a operação policial mais letal já documentada no país.
O balanço oficial dos objetivos é pobre. Dos 51 alvos de mandado de prisão, apenas quatro foram capturados. Dos 145 mandados de busca e apreensão, só 34 foram cumpridos. Entre os que escaparam estão lideranças centrais do Comando Vermelho, como Luiz Carlos Bandeira Rodrigues e Edgar Alves de Andrade, o Doca, que acumula 46 mandados em aberto.
O custo humano segue sem resposta. As 12 ações penais não esclareceram as circunstâncias das mortes, e a análise da Human Rights Watch sobre as gravações dos policiais concluiu que as imagens não registraram os fatos. Para o editorial, o uso excessivo da força fere direitos e, somado ao fracasso dos resultados, revela ineficiência.
O texto conclui que combater o crime organizado exige inteligência integrada entre União e estados, com Receita Federal e Coaf sufocando o financiamento das redes, além de combate à corrupção. Um levantamento da Folha identificou 18 operações ligadas ao CV em 14 estados. O que se acompanha agora é o andamento das ações penais e o destino dos 45 foragidos.
Na terça-feira, 28 de outubro, familiares das vítimas se reuniram num ato para exigir justiça. Um ano antes, nesse mesmo dia, a Operação Contenção havia sido deflagrada no Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro. Foi a operação policial mais letal já documentada no país: 122 pessoas morreram.
Um ano depois, o editorial da Folha avalia que o saldo em segurança pública é praticamente nulo. A conta dos objetivos é simples. Dos 51 alvos de mandado de prisão, apenas quatro foram capturados e outros dois já estavam presos. Os 45 restantes não foram localizados. Dos 145 mandados de busca e apreensão, só 34 foram cumpridos.
Entre os que escaparam estão figuras centrais do Comando Vermelho. Luiz Carlos Bandeira Rodrigues comanda, a partir da Penha, o tráfico na zona oeste do Rio e em cidades da Bolívia. Dados da Polícia Federal indicam que o CV atua em oito países da América do Sul. Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca ou Urso, acumula 46 mandados de prisão em aberto. Ambos eram alvos da operação, e nenhum foi preso.
O custo humano segue sem resposta completa. As 12 ações penais abertas até agora não esclareceram as circunstâncias de cada morte. A análise da ONG Human Rights Watch sobre as 4.400 horas de gravação das câmeras dos policiais militares envolvidos concluiu que as imagens não registraram as mortes. Para o editorial, além do potencial abuso no uso da força, que fere direitos humanos, a distância entre o pretendido e o alcançado revela ineficiência. O texto defende que polícia, Justiça e governo fluminense direcionem esforços para elucidar os casos e punir quem cometeu abusos.
O poder do CV, lembra o texto, vai além do tráfico. A facção atua no roubo de veículos e cargas, na cobrança de taxas de moradores e comerciantes, na venda de serviços clandestinos de TV e internet e na posse de imóveis. Esse controle territorial é típico das facções, como o PCC paulista, e não se limita ao Rio.
Um levantamento da Folha identificou 18 operações relacionadas ao CV, conduzidas por Ministérios Públicos ou polícias, entre janeiro e outubro, em 14 estados. As investigações tratam de expulsão de moradores, extorsão de comerciantes e provedores de internet e controle ilegal de serviços.
A conclusão do editorial é que o avanço do crime organizado exige mais que operações espetaculosas e de alta letalidade. Defende ação integrada e de inteligência entre forças federais e estaduais, com a participação de órgãos como a Receita Federal e o Coaf, para sufocar as redes de financiamento. Pede ainda combate à corrupção nas polícias, nos serviços públicos e na política, dada a infiltração das facções no Estado. O que se acompanha agora é o andamento das 12 ações penais e o destino dos 45 alvos ainda foragidos.
Citações Notáveis
As câmeras dos PMs, com 4.400 horas de gravação, não registraram as mortes, segundo análise da entidade.— Human Rights Watch, citada pelo editorial da Folha