TSE manda remover vídeo de Nikolas Ferreira com crianças criticando Lula

Ultrapassa a barreira do razoável ao explorar a inocência infantil
O ministro do TSE justificou a ordem de remoção do vídeo com crianças publicado no Dia das Crianças.
Mark

O que exatamente o TSE mandou fazer?

Mimi

Remover o vídeo de Nikolas Ferreira, que também circulou no canal de WhatsApp de Flávio Bolsonaro. A decisão é do ministro Marco Aurélio Bellizze Oliveira, a pedido do PT.

Mark

Qual foi o argumento central do partido?

Mimi

Dois: que o vídeo desinforma, ao juntar informações de forma fragmentada para induzir uma conclusão enganosa, e que usa crianças para aumentar o impacto emocional, o que poderia comprometer a dignidade delas.

Luke

Vale separar: isso é o que o PT alegou. O que a reportagem registra como decisão é a avaliação do ministro de que houve propaganda negativa com exploração da inocência infantil.

Mark

E o conteúdo das falas das crianças?

Mimi

Falam de economia, segurança e medo do futuro. Uma diz que Lula e Lulinha seriam responsáveis pelo roubo do dinheiro da avó para comprar uma bicicleta.

Luke

A reportagem não informa se essa acusação foi verificada nem quem são as crianças ou como o material foi produzido. Isso segue desconhecido.

Mark

A ordem foi cumprida?

Mimi

Em parte. O g1 confirmou a retirada no Instagram e no canal 'Tropa do Flávio'. No X e no Facebook, ainda estava no ar.

Luke

E não sabemos se isso é descumprimento ou só questão de prazo. O texto não diz.

Mark

Por que importa além do caso?

Mimi

Pode orientar futuras disputas sobre menores em propaganda eleitoral.

Luke

Pode. Mas é uma expectativa, não algo já estabelecido.

  • Um vídeo com trechos editados de crianças criticando Lula e o PT se espalhou em poucos dias, impulsionado por Nikolas Ferreira e replicado por Flávio Bolsonaro.
  • O PT reagiu com um pedido urgente à Justiça Eleitoral, alegando desinformação, descontextualização e uso indevido da imagem de menores.
  • O ministro Marco Aurélio Bellizze Oliveira determinou a remoção, classificando a peça como exploração infantil e propaganda negativa abusiva.
  • A ordem foi cumprida só em parte: o vídeo saiu do Instagram e do WhatsApp, mas seguia no ar no X e no Facebook quando o g1 checou.
  • O desfecho ainda está em aberto, e a decisão pode virar referência para futuras disputas sobre crianças em propaganda eleitoral.

Em meio ao calor de uma campanha presidencial, num Dia das Crianças que deveria celebrar a infância, um vídeo que colocava meninos e meninas a criticar o governo federal acabou no centro de uma disputa sobre até onde a propaganda pode ir ao falar em nome da inocência. O Tribunal Superior Eleitoral, por decisão do ministro Marco Aurélio Bellizze Oliveira, entendeu que a peça ultrapassou o razoável e mandou retirá-la do ar, atendendo ao PT. A decisão lembra que o debate político também tem limites quando passa pelo corpo e pela voz de quem ainda não pode escolher lado.

No Dia das Crianças, 12 de outubro, o deputado Nikolas Ferreira publicou um vídeo em que crianças, em trechos editados, faziam críticas ao governo federal. Em pouco tempo, a peça foi replicada no canal de WhatsApp de Flávio Bolsonaro, candidato que disputa a Presidência com Lula.

No material, as crianças falam de economia, segurança e medo do futuro. Uma delas afirma que Lula e Lulinha seriam responsáveis pelo roubo do dinheiro da avó, usado para comprar uma bicicleta.

O PT foi à Justiça Eleitoral. Seus advogados sustentaram que as informações verdadeiras estavam fragmentadas ou fora de contexto, levando o eleitor a uma conclusão enganosa, e que o uso de crianças ampliava o impacto emocional e podia comprometer a dignidade dos menores.

O ministro Marco Aurélio Bellizze Oliveira acolheu o pedido. Escreveu que o vídeo "ultrapassa a barreira do razoável" ao atingir o eleitor psicologicamente, aproveitando-se da inocência infantil. A peça foi classificada como desinformação e exploração infantil.

A ordem, porém, foi cumprida só em parte. O g1 confirmou a saída do vídeo do Instagram de Nikolas e do canal de Flávio no WhatsApp, mas a publicação ainda estava no ar no X e no Facebook. Ficam em aberto o cumprimento nas demais plataformas e o alcance que a decisão terá sobre futuras disputas envolvendo menores na propaganda eleitoral.

Na segunda-feira, 12 de outubro, Dia das Crianças, o deputado Nikolas Ferreira publicou nas redes sociais um vídeo em que crianças, em trechos editados, faziam críticas ao governo federal. Dois dias depois, o Tribunal Superior Eleitoral mandou tirar a peça do ar.

A decisão é do ministro Marco Aurélio Bellizze Oliveira e atende a um pedido do PT. O vídeo não ficou restrito ao perfil do deputado: foi replicado no canal de WhatsApp de Flávio Bolsonaro (PL), candidato que disputa a Presidência com Lula.

No material, as crianças tratam de economia, segurança e medo do futuro, e dirigem as críticas ao governo federal, a Lula e ao PT. Uma delas diz que Lula e Lulinha, filho do presidente, seriam responsáveis pelo roubo do dinheiro da avó, que o usaria para comprar uma bicicleta.

Os advogados do PT sustentaram que a peça leva o eleitor à desinformação. Segundo eles, informações verdadeiras são apresentadas de forma fragmentada ou fora de contexto, de modo a induzir uma conclusão enganosa. Argumentaram também que o conteúdo associa artificialmente Lula à ideia de que as crianças perdem a infância por causa da violência e de outros problemas sociais.

A defesa do partido acrescentou um segundo ponto: ao usar crianças, o vídeo amplia o impacto emocional da mensagem e pode comprometer a dignidade dos menores.

O ministro acolheu o pedido. Na decisão, escreveu que o vídeo "ultrapassa a barreira do razoável" ao tentar atingir o eleitor psicologicamente por meio de propaganda negativa contra um candidato, veiculada massivamente na internet e aproveitando-se da exploração inadequada da inocência infantil. A peça foi classificada como desinformação e exploração infantil.

O g1 verificou cumprimento apenas parcial. O vídeo saiu do Instagram de Nikolas Ferreira e do canal "Tropa do Flávio", de Flávio Bolsonaro no WhatsApp. Nas contas do deputado no X e no Facebook, porém, a publicação ainda estava no ar quando a reportagem foi feita.

Ficam em aberto o cumprimento da ordem nas demais plataformas e o efeito que a decisão terá sobre futuras disputas envolvendo o uso de menores na propaganda eleitoral.

O vídeo ultrapassa a barreira do razoável ao tentar atingir o eleitor psicologicamente, aproveitando-se da exploração inadequada da inocência infantil.
— Ministro Marco Aurélio Bellizze Oliveira, TSE
Möchten Sie die ganze Geschichte? Das Original lesen bei G1 ↗
Kontakt FAQ