Trio Parada Dura e dupla Lourenço & Lourival dividiram o palco Amanhecer em encontro histórico da música caipira. Lourenço & Lourival completam 70 anos de carreira ininterrupta, sendo a dupla mais antiga em atividade no sertanejo.
Trio Parada Dura e Lourenço & Lourival fazem encontro histórico na Festa do Peão
Mais de 120 anos de dedicação à arte caipira em uma única noite
Por que esse encontro entre o Trio Parada Dura e Lourenço & Lourival é considerado histórico?
Porque reúne duas forças que praticamente definiram o sertanejo raiz. Estamos falando de mais de 120 anos de carreira combinada. Não é comum ver nomes dessa magnitude dividindo o palco dessa forma.
Lourenço & Lourival têm 70 anos de carreira. Como é possível uma dupla estar ativa por tanto tempo?
Eles começaram muito cedo — Lourenço com 11 anos, Lourival com 8 ou 9. E nunca pararam. Passaram por rádio, por estradas, por tudo que o sertanejo exigiu. Isso não é comum.
O que essas músicas antigas significam para os artistas novos?
São a base. Quando você ouve um sertanejo contemporâneo, está ouvindo ecos dessas canções. "Viola Moça", "As Andorinhas", "Cavalo Preto" — elas não são apenas sucessos do passado. São a linguagem que o gênero fala até hoje.
Marília Mendonça foi homenageada na mesma festa. Qual é a conexão?
Marília era parte dessa linhagem. Ela cresceu ouvindo essas vozes, aprendendo com elas. Quando o Trio Parada Dura canta "Aceita Que Dói Menos", a parceria deles com ela, é como se estivessem conectando passado e presente.
Por que a Festa do Peão de Barretos é o lugar certo para um encontro assim?
Porque é o maior rodeio da América Latina. É onde o sertanejo respira. Se você quer reunir lendas, é lá que você faz isso. O público que vai para Barretos entende o peso daquilo que está vendo.
The Pulse
- Trio Parada Dura e Lourenço & Lourival dividiram o palco Amanhecer em 25 de agosto de 2026
- Lourenço & Lourival completam 70 anos de carreira ininterrupta no sertanejo
- Combinadas, as duas formações somam mais de 120 anos de dedicação à música caipira
- Lourenço começou aos 11 anos; Lourival aos 8 ou 9 anos
Trio Parada Dura e dupla Lourenço & Lourival dividiram o palco Amanhecer em encontro histórico da música caipira. Lourenço & Lourival completam 70 anos de carreira ininterrupta, sendo a dupla mais antiga em atividade no sertanejo.
Lendas da música sertaneja raiz se unem em apresentação inédita na Festa do Peão de Barretos 2026, reunindo mais de 120 anos de carreira em noite memorável.
Na noite de terça-feira, 25 de agosto, o palco Amanhecer da Festa do Peão de Barretos recebeu um encontro que não tinha precedentes na história da música sertaneja brasileira. Quem estava ali — entre os milhares de fãs de música caipira espalhados pelo maior rodeio da América Latina — testemunhou o momento em que duas instituições vivas do gênero dividiram os microfones: o Trio Parada Dura e a dupla Lourenço & Lourival. Não era apenas um show. Era uma conversa entre gerações, uma celebração de tudo que essas vozes construíram desde que começaram a cantar, décadas atrás.
Quando se soma o tempo de estrada do trio com o da dupla, chega-se a mais de 120 anos de dedicação à arte caipira. Lourenço & Lourival, os irmãos que dividiram o palco como convidados especiais, carregam consigo sete décadas de carreira ininterrupta — o que os torna a dupla mais antiga ainda em atividade no sertanejo. Lourenço começou aos 11 anos; Lourival tinha entre 8 e 9. "São só 70 anos de carreira. Eu comecei com 11 anos e ele com 8 para 9 e estamos até hoje", disse Lourenço ao público, com a naturalidade de quem viveu uma vida inteira fazendo aquilo que ama. Lourival completou a lembrança com humor: "Nós não cantávamos, nós assovíavamos. Primeiro, quando era molequinho, nós não cantava, assoviava". A plateia riu, reconhecendo naquele relato a história de dois meninos que se tornaram lendas.
O repertório da noite foi uma jornada pelos sucessos que moldaram o sertanejo raiz e que, até hoje, servem como base para milhares de artistas novos pelo país. Lourenço & Lourival abriram com clássicos como "Como Eu Chorei", "Relógio Quebrado" e "Cavalo Preto". Depois veio "O Tefone Chora", acompanhada por Gauchinha no vocal, e "Franguinho na Panela". Cada música era recebida com o coro dos fãs, vozes que conhecem essas canções de cor, que as carregam na memória como parte de suas próprias vidas.
O Trio Parada Dura, por sua vez, revisitou seus próprios clássicos, intercalando as vozes com a dupla e trazendo o público de volta no tempo. "Viola Moça" e "As Andorinhas" ecoaram pelo Parque do Peão. Depois vieram os ritmos mais contagiantes: "Bicho Bom É Mulher" e "Moreninha Linda", esta última cantada em parceria com os irmãos. O repertório incluiu também "Aceita Que Dói Menos", a parceria lançada em 2017 com Marília Mendonça, a rainha da sofrência que já havia sido homenageada dias antes no mesmo evento com um espetáculo de drones durante a apresentação do DJ Alok. A noite ainda recebeu a presença do cantor Marrone no palco, completando um encontro que reuniu nomes que definiram o som do Brasil rural.
O que tornou aquela terça-feira memorável não foi apenas a qualidade das vozes ou a força dos sucessos. Foi o reconhecimento de que aqueles artistas — que começaram em rádios, que viajaram por estradas de terra, que construíram suas carreiras antes das plataformas de streaming — continuam vivos, continuam cantando, continuam importando. Seus nomes e suas músicas formam a espinha dorsal do que o sertanejo é hoje. E naquela noite, em Barretos, eles estavam todos no mesmo palco, lembrando a todos por que aquela música nunca vai morrer.
Notable Quotes
São só 70 anos de carreira. Eu comecei com 11 anos e ele com 8 para 9 e estamos até hoje— Lourenço
Nós não cantávamos, nós assovíavamos. Primeiro, quando era molequinho, nós não cantava, assoviava— Lourival