Em meio à corrida eleitoral de 2026, a campanha de Flávio Bolsonaro apresenta sua visão de equilíbrio fiscal como um caminho que não exige escolher entre contas saneadas e proteção aos mais vulneráveis. O economista Adolfo Sachsida, porta-voz do plano, defende que o desperdício e os excessos da máquina pública — e não os programas sociais — são o verdadeiro alvo do ajuste. É uma promessa antiga na política brasileira: cortar sem ferir, reformar sem romper — e o tempo dirá se a aritmética confirma a retórica.
Sachsida promete ajuste fiscal focado em 'excessos' e preservação de programas sociais
Nenhuma dessas empresas será tocada
Sachsida está dizendo que vai cortar salários altos e ministérios, mas preservar Bolsa Família e BPC. Como isso funciona na prática? Onde está o dinheiro?
A lógica é que os "excessos" — salários acima de R$ 200 mil, redundâncias ministeriais — liberariam recursos suficientes para manter a rede de proteção sem aumentar o déficit. É uma aposta de que há desperdício real a ser eliminado.
Mas ele não apresentou números. Quanto custa reduzir de 39 para quantos ministérios? Quanto se economiza com isso? Sem contas, é promessa.
E quanto às estatais? Por que é importante negar privatizações agora?
Porque há receio real entre eleitores de que a direita venda Petrobras, Caixa e Banco do Brasil. Sachsida está tentando acalmar esse medo, dizendo que o plano é fortalecer, não vender.
Verdade. Mas "fortalecer a gestão" é vago. Pode significar qualquer coisa — desde mudança de diretoria até preparação para venda futura. Ele não disse o que significa fortalecer.
E os impostos? Reduzir impostos enquanto ajusta as contas públicas não é contraditório?
É a promessa clássica: crescimento econômico vai gerar mais arrecadação, então reduz-se a alíquota mas a base aumenta. Funciona se o crescimento vier.
Funciona se. Mas nenhum economista sério garante crescimento. É um cenário, não uma certeza. Sachsida está vendendo esperança, não um plano testado.
The Pulse
- A campanha sente a pressão de convencer eleitores de que austeridade fiscal e proteção social não são forças opostas — e aposta tudo nessa narrativa.
- Sachsida nomeia alvos concretos: salários de R$ 200 mil no funcionalismo e a estrutura inflada de 39 ministérios, sinalizando onde a faca cortaria.
- Beneficiários do Bolsa Família e do BPC são interpelados diretamente em vídeo, numa tentativa de dissipar o medo de que um governo Bolsonaro desmonte a rede de assistência.
- Privatizações de Banco do Brasil, Caixa e Petrobras são descartadas categoricamente, invertendo uma expectativa que parte do mercado ainda alimentava.
- A promessa de cortar impostos e burocracia para empreendedores completa o triângulo — mas a campanha ainda não explicou como as três prioridades cabem num orçamento apertado.
Em meio à corrida eleitoral de 2026, a campanha de Flávio Bolsonaro apresenta sua visão de equilíbrio fiscal como um caminho que não exige escolher entre contas saneadas e proteção aos mais vulneráveis. O economista Adolfo Sachsida, porta-voz do plano, defende que o desperdício e os excessos da máquina pública — e não os programas sociais — são o verdadeiro alvo do ajuste. É uma promessa antiga na política brasileira: cortar sem ferir, reformar sem romper — e o tempo dirá se a aritmética confirma a retórica.
Adolfo Sachsida, coordenador econômico da campanha de Flávio Bolsonaro, usou as redes sociais nesta quinta-feira para detalhar a proposta fiscal do candidato do PL. A mensagem central era de que o ajuste das contas públicas não passaria pela destruição da rede de proteção social, mas sim pela eliminação de excessos dentro da própria máquina do Estado.
Os alvos declarados foram dois: a folha de pagamento do funcionalismo — com salários de até R$ 200 mil mensais citados como exemplo de despesa a ser revisada — e a estrutura de 39 ministérios, apresentada como oportunidade de enxugamento. Sachsida prometeu combate ao desperdício e afirmou querer "colocar as contas públicas em ordem, respeitando a população brasileira".
O ponto mais enfático do pronunciamento foi a garantia de integridade para o Bolsa Família e o BPC. Dirigindo-se diretamente aos beneficiários, Sachsida declarou que esses programas não apenas seriam mantidos, mas fortalecidos. Na mesma linha, descartou privatizações de Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Petrobras, afirmando que o plano é melhorar a gestão dessas estatais e aumentar sua lucratividade.
Para o setor privado, a campanha prometeu redução de impostos e simplificação burocrática, argumentando que os empreendedores são o motor da geração de emprego e renda. A estratégia traça um equilíbrio entre austeridade, estímulo produtivo e proteção social — mas ainda sem revelar como essas três frentes se sustentam dentro de um orçamento que, por definição, não comporta tudo ao mesmo tempo.
Adolfo Sachsida, economista à frente do planejamento econômico da campanha de Flávio Bolsonaro, saiu em defesa da proposta fiscal do candidato do PL nesta quinta-feira, usando as redes sociais para detalhar onde o governo cortaria despesas e onde manteria investimentos. A mensagem era clara: não há plano para desmantelar a rede de proteção social, mas sim para eliminar o que Sachsida chamou de "excessos" na máquina pública.
O coordenador apontou dois alvos específicos para redução de gastos. O primeiro é a folha de pagamento do funcionalismo público, citando nominalmente salários na faixa de R$ 200 mil mensais como exemplo de despesa que seria revista. O segundo é a própria estrutura ministerial, com os 39 ministérios existentes sendo apresentados como oportunidade de enxugamento. Sachsida prometeu ainda combate ao desperdício e afirmou que o objetivo é "colocar as contas públicas em ordem, respeitando a população brasileira".
Mas o ponto central da sua fala foi a garantia de que programas de assistência social não sofreriam cortes. Sachsida mencionou especificamente o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), dirigindo-se diretamente aos beneficiários através do vídeo publicado. "Se você que está vendo esse vídeo e recebe o Bolsa Família, o BPC, pode ter certeza de que nós vamos respeitar, e muito, você e sua família", disse. Ele foi além, afirmando que a intenção é fortalecer esses programas, não apenas mantê-los.
O economista também respondeu a especulações sobre privatizações de grandes estatais. Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Petrobras, segundo Sachsida, não seriam tocadas por um eventual governo Bolsonaro. "Nenhuma dessas empresas será tocada", afirmou categoricamente, acrescentando que o plano é fortalecer a gestão dessas instituições e fazê-las voltar a gerar lucro. Sachsida ressaltou ainda que os servidores públicos teriam "todo o nosso respeito" nessa administração.
A campanha também sinalizou com medidas voltadas ao setor privado. Sachsida prometeu redução de impostos e simplificação da burocracia para empreendedores, argumentando que são eles os responsáveis pela geração de emprego e renda no país. A estratégia parece ser equilibrar a austeridade fiscal com estímulos ao setor produtivo e proteção aos programas sociais, ainda que sem detalhar como essas três prioridades se encaixariam em um orçamento restrito.
Notable Quotes
Vamos reduzir o ministério, vamos reduzir desperdício, vamos respeitar o dinheiro público— Adolfo Sachsida
Se você que está vendo esse vídeo e recebe o Bolsa Família, o BPC, pode ter certeza de que nós vamos respeitar, e muito, você e sua família— Adolfo Sachsida