Terremoto de magnitude 7,4 mata ao menos 111 na Colômbia, o maior da década

Ao menos 111 pessoas morreram e mais de 500 ficaram feridas no terremoto; muitas pessoas estão presas sob prédios desabados em várias cidades, com potencial aumento no número de vítimas fatais.
Estamos sobrecarregados, mas não podemos parar
O prefeito de Manizales descreve a situação de resgate enquanto a cidade mobiliza todos os seus recursos.
Mark

Por que um terremoto a 103 quilômetros de profundidade causou mais danos do que o da Venezuela, que foi a apenas 10 quilômetros?

Mimi

A profundidade intermediária não é o fator decisivo. O que importa é a magnitude, a localização do epicentro em relação aos centros urbanos e a qualidade da infraestrutura. Este terremoto de 7,4 atingiu cidades densamente construídas na Região Cafeeira. O da Venezuela foi mais raso, mas a distribuição de danos depende de muitas variáveis.

Mark

Três dias. Cali recebeu líderes mundiais há apenas três dias e agora está em colapso hospitalar. Isso é coincidência ou há algo mais profundo?

Mimi

É coincidência de calendário, não de causa. Mas marca um contraste brutal — a cidade estava em celebração, com toda a atenção internacional voltada para a posse presidencial. Agora enfrenta uma crise humanitária. Isso amplifica o impacto psicológico e logístico.

Mark

O prefeito de Manizales disse que está "sobrecarregado". O que isso significa na prática?

Mimi

Significa que todos os recursos locais — equipes de resgate, hospitais, voluntários, equipamentos — já foram mobilizados e ainda assim não são suficientes. Há mais pessoas presas sob os escombros do que capacidade de resgate. É um grito de ajuda.

Mark

A catedral desabou. Por que isso importa além do aspecto simbólico?

Mimi

Porque edifícios históricos são construídos com técnicas antigas. Se uma catedral de quase cem anos não resistiu, isso diz algo sobre a vulnerabilidade de toda a infraestrutura urbana naquela região. Não é só símbolo — é evidência.

Mark

O geólogo venezuelano fala em "casca de tangerina". Devemos esperar mais terremotos?

Mimi

Ele está sendo cuidadoso. Sim, as placas estão interconectadas e sob tensão. Mas prever terremotos específicos é impossível. O que sabemos é que a região está geologicamente ativa e que as próximas semanas exigirão vigilância constante.

Mark

Por que a ajuda internacional chegou tão rápido?

Mimi

Porque o mundo aprendeu com desastres anteriores que a resposta rápida salva vidas. Além disso, a Colômbia tem relações diplomáticas sólidas com potências globais. Mas também porque 111 mortos e centenas presos sob escombros é um chamado que ninguém ignora.

  • Magnitude 7,4, profundidade de 103 km, epicentro próximo a San José del Palmar
  • Ao menos 111 mortos, mais de 500 feridos, centenas presas sob escombros
  • Pereira: 40 mortos, 65 prédios desabados; Manizales: 2 mortos, torre da catedral desabou; Cali: 32 prédios desabados, 380 feridos, sistema hospitalar em colapso
  • Sete aeroportos com operações suspensas; EUA destinou US$ 15,5 milhões em ajuda

O tremor foi classificado como o mais forte da última década na Colômbia, com profundidade de 103 km e epicentro próximo a San José del Palmar na Cordilheira Ocidental. Cidades como Pereira, Manizales e Cali registraram danos significativos, com dezenas de prédios desabados e sistema hospitalar em colapso em Cali, que recebeu líderes mundiais há apenas três dias.

Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia nesta segunda-feira, deixando ao menos 111 mortos e mais de 500 feridos. O abalo foi sentido em praticamente todo o país e em partes do Panamá e Equador.

Na manhã de segunda-feira, 10 de agosto, a Colômbia foi sacudida por um terremoto de magnitude 7,4 que se propagou por praticamente todo o território nacional e além — moradores de Manaus, no Amazonas, sentiram os tremores atravessando a fronteira brasileira, enquanto a onda se estendeu também para partes do Panamá e do Equador, incluindo a região de Quito. O abalo, registrado pouco depois das 7h30 no horário local, foi classificado pelo Serviço Geológico Colombiano como o mais forte da última década. Até o momento da publicação, ao menos 111 pessoas haviam morrido e mais de 500 ficaram feridas, mas as autoridades alertam que esse número tende a crescer conforme os trabalhos de resgate avançam, já que centenas de pessoas permanecem presas sob os escombros de edifícios desabados.

O epicentro localizou-se próximo a San José del Palmar, um município montanhoso na Cordilheira Ocidental com cerca de 5.900 habitantes. Apesar da proximidade com o epicentro, o prefeito da cidade relatou que, surpreendentemente, não houve mortes ou feridos ali, embora as vias de acesso tenham sido danificadas. A profundidade do tremor — 103 quilômetros — é considerada intermediária, o que ajuda a explicar por que cidades a dezenas de quilômetros de distância sofreram danos catastróficos. Dois tremores secundários, de magnitude 2,8 e 4,8, ocorreram após o evento principal.

Pereira e Manizales, capitais da Região Cafeeira e localizadas a cerca de 100 quilômetros do epicentro, registraram os danos mais significativos. Em Pereira, vídeos verificados pela BBC mostram pelo menos um prédio desabando na Plaza Bolívar, a principal praça da cidade, com poeira e escombros espalhados por uma área onde havia muitas pessoas. As autoridades locais contabilizaram ao menos 40 mortos na região metropolitana, com 65 edifícios desabados e suspeita de pessoas presas em 15 deles. Em Manizales, o prefeito Jorge Eduardo Rojas informou que duas pessoas morreram e que mais de 12 prédios e mais de 20 casas foram total ou parcialmente destruídos. Uma das torres da catedral da cidade, construída entre 1928 e 1939 e considerada um ícone arquitetônico regional, desabou. Rojas descreveu a situação como "muito trágica e muito difícil", reconhecendo que a cidade estava "sobrecarregada" apesar de ter mobilizado todos os seus recursos de resposta.

Cali, localizada a cerca de 160 quilômetros ao sul de Pereira e a aproximadamente 200 quilômetros do epicentro, também sofreu impactos devastadores. A cidade, que apenas três dias antes havia recebido líderes mundiais para a posse presidencial de Abelardo de la Espriella, agora registra pelo menos 32 prédios desabados, 380 feridos e um sistema hospitalar à beira do colapso. A Secretaria de Saúde de Cali informou que quatro grandes instituições de saúde com alta capacidade tiveram de evacuar todos os seus pacientes e que é improvável que consigam reabrir nas próximas horas. Outras unidades de saúde estão sendo avaliadas para determinar se podem continuar operando.

O presidente Abelardo de la Espriella, que tomou posse na sexta-feira anterior, declarou estado de calamidade pública na Colômbia, concedendo a si mesmo poderes especiais para realocar orçamentos e coordenar rapidamente as agências governamentais. Ele anunciou que se concentraria na resposta à emergência e convocou um Posto de Comando Unificado na Unidade Nacional de Gestão de Riscos de Desastres para liderar pessoalmente os esforços de auxílio às comunidades de Chocó, à Região Cafeeira e a todas as áreas afetadas. A Autoridade de Aeronáutica Civil confirmou que mais de dez aeroportos foram afetados, com operações suspensas em sete deles — Pereira, Manizales, Quibdó, Armenia, Cartago, Buenaventura e Cali — até que os danos estruturais possam ser avaliados.

A resposta internacional foi rápida. Os Estados Unidos foram um dos primeiros a se pronunciar, com o secretário de Estado Marco Rubio afirmando que o governo Trump acompanhava de perto o evento. Horas depois, o governo americano anunciou a destinação de 15,5 milhões de dólares para ações de emergência, aquisição de alimentos e avaliação de danos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou solidariedade e ofereceu apoio brasileiro. A presidente mexicana Claudia Sheinbaum, o presidente salvadorenho Nayib Bukele, a Venezuela e o Equador também ofereceram assistência. Na Europa, os presidentes e primeiros-ministros da França, Espanha e Itália, além da presidente da Comissão Europeia, expressaram solidariedade e disponibilidade para ajudar.

Este terremoto ocorre em um contexto regional de atividade sísmica. Desde 1950, mais de 3.500 pessoas morreram como resultado direto de terremotos na Colômbia, sendo o mais mortal o de 1999, quando um abalo de magnitude 6,2 atingiu a Região Cafeeira e deixou 1.185 mortos. Quanto à possível conexão com os terremotos que atingiram a Venezuela em junho — deixando mais de 6.300 mortos — o presidente da Sociedade Venezuelana de Geólogos, Feliciano de Santis, descreveu a ligação como "muito indireta". Embora ambos os países compartilhem as placas Sul-Americana e Caribenha, o terremoto colombiano foi causado pela Placa de Nazca deslizando sob a Placa Sul-Americana. Santis comparou o fenômeno à casca de uma tangerina que se rompe em vários lugares, com todas as partes interligadas, mas ressalvou que não é possível afirmar com certeza que um terremoto em um local necessariamente desencadeará outro em seguida.

Estamos sobrecarregados
— Jorge Eduardo Rojas, prefeito de Manizales
A ligação entre os dois terremotos é muito indireta
— Feliciano de Santis, presidente da Sociedade Venezuelana de Geólogos
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