Na tarde de uma quarta-feira de outubro, São Paulo foi alcançada por um temporal que não nasceu ali: vinha se formando desde o Mato Grosso do Sul, alimentado por calor, umidade e uma área de baixa pressão que encontrou no solo encharcado das chuvas anteriores o combustível perfeito para se intensificar. O que caiu sobre a cidade não foi apenas água, mas a expressão visível de um ciclo que se alimenta a si mesmo — quanto mais chove, mais condições se criam para chover de novo. Uma pessoa morreu, dezenas de alertas foram emitidos, e a metrópole, por algumas horas, cedeu ao ritmo da tempestade.
Temporal em SP foi causado por combinação de calor, umidade e baixa pressão
O solo tem muita umidade, e essa umidade é alimento para novas chuvas
Como um meteorologista consegue prever uma tempestade assim com tanta antecedência?
O Inmet viu os padrões se formando — a área de baixa pressão, a umidade concentrada — e conseguiu avisar um dia antes. Mas o que torna difícil é que a intensidade exata depende de muitas variáveis pequenas.
Certo, mas eles previram até 100 km/h de vento e 60 mm/h de chuva. O que realmente caiu?
Não temos os números finais de vento em toda a cidade, só o pico de 61 km/h em Congonhas. E a chuva foi concentrada — 97 mm em menos de uma hora no Ibirapuera, mas 73 mm em 24 horas na Vila Clementino.
Então a previsão foi conservadora ou a tempestade foi menos intensa do que esperado?
Provavelmente os dois. Algumas áreas receberam o pior, outras menos. É por isso que o coronel Araújo Monteiro insistiu que volume não é tudo — o granizo e o vento causaram tanto estrago quanto a água.
E a morte em Brasilândia? Há detalhes sobre como exatamente o deslizamento aconteceu?
A fonte só diz que houve uma morte após deslizamento de terra. Não há mais informações sobre circunstâncias ou identidade.
O ciclo de autoalimentação que o Seluchi descreveu — solo úmido, atmosfera úmida — isso significa que mais tempestades virão?
Ele disse que se estabelece um círculo que se autoalimenta, mas não fez previsão sobre o que vem depois. É um aviso sobre as condições que permanecem.
E os 45 alertas que a Defesa Civil emitiu — para quais cidades especificamente?
A fonte não lista as cidades. Só diz que foram 45 alertas para cidades paulistas.
Il Polso
- Uma área de baixa pressão percorreu centenas de quilômetros carregando raios, granizo e rajadas de até 61 km/h antes de desabar sobre a maior cidade do país.
- O solo já saturado pelas chuvas anteriores transformou cada nova gota em combustível: um ciclo de autoalimentação que amplificou a violência do temporal além do esperado.
- Em Brasilândia, na zona norte, um deslizamento de terra tirou uma vida — o custo humano mais grave de uma tarde que também inundou túneis, derrubou árvores sobre carros e cancelou 24 voos.
- Com mais de 1.000 quilômetros de lentidão às 18h30 e o lago do Ibirapuera transbordando após 97 mm em menos de uma hora, a cidade entrou em colapso operacional por horas.
- A Defesa Civil emitiu 45 alertas para municípios paulistas, e o Inmet havia avisado no dia anterior — a previsão se cumpriu quase integralmente, do granizo aos alagamentos.
Na tarde de uma quarta-feira de outubro, São Paulo foi alcançada por um temporal que não nasceu ali: vinha se formando desde o Mato Grosso do Sul, alimentado por calor, umidade e uma área de baixa pressão que encontrou no solo encharcado das chuvas anteriores o combustível perfeito para se intensificar. O que caiu sobre a cidade não foi apenas água, mas a expressão visível de um ciclo que se alimenta a si mesmo — quanto mais chove, mais condições se criam para chover de novo. Uma pessoa morreu, dezenas de alertas foram emitidos, e a metrópole, por algumas horas, cedeu ao ritmo da tempestade.
Na quarta-feira 14 de outubro, um temporal violento varreu São Paulo deixando alagamentos, árvores derrubadas e uma morte por deslizamento em Brasilândia, na zona norte. O fenômeno não foi isolado: nasceu de uma área de baixa pressão formada entre Mato Grosso do Sul e o oeste paulista, combinada com calor intenso e umidade anormal. Ao longo do dia, a tempestade deslocou-se lentamente para leste, ganhando força.
O meteorologista Marcelo Seluchi, do Cemaden, explicou que as chuvas dos dias anteriores haviam saturado o solo, criando um ciclo de autoalimentação: mais umidade gerava mais chuva, que gerava mais umidade. O maior volume registrado foi de 73 mm em 24 horas na Vila Clementino, mas o que causou mais estragos foi a velocidade da precipitação — em cerca de três horas, o volume se concentrou o suficiente para alagar bairros inteiros. O coronel Araújo Monteiro, da Defesa Civil, lembrou que ventos e granizo podem causar mais destruição do que chuva volumosa e calma. Às 16h03, uma rajada de 61,1 km/h foi registrada na região de Congonhas.
A capital entrou em caos. O rodízio de veículos foi suspenso. Às 18h30, o trânsito acumulava mais de 1.000 quilômetros de lentidão. Avenidas como a 9 de Julho, a 23 de Maio e a Santo Amaro ficaram intransitáveis. No parque Ibirapuera, o lago transbordou após 97 mm registrados em menos de uma hora. O córrego Sapateiro, na Vila Mariana, também extravasou. Em Congonhas, 24 voos foram cancelados ou desviados. O Corpo de Bombeiros registrou dezenas de chamados para quedas de árvore, desabamentos e enchentes.
O alerta havia sido emitido na véspera pelo Inmet, com previsão de chuvas de até 60 mm/h, ventos de até 100 km/h e granizo para seis estados. Quase todos os riscos listados se concretizaram. A Defesa Civil emitiu 45 alertas para municípios paulistas — e a cidade colheu, em poucas horas, o resultado de condições que vinham se acumulando por dias.
Na quarta-feira 14 de outubro, um temporal violento varreu o estado de São Paulo, deixando alagamentos, árvores derrubadas e uma morte por deslizamento de terra. O fenômeno não foi uma surpresa meteorológica isolada, mas o resultado de uma confluência específica de condições atmosféricas que os especialistas do Cemaden conseguem descrever com precisão: uma área de baixa pressão formada entre Mato Grosso do Sul e o oeste paulista, combinada com calor intenso e concentração anormal de umidade no ar.
O temporal se deslocou lentamente para leste ao longo do dia, carregando consigo raios, granizo e rajadas de vento que atingiram a região metropolitana com força crescente. Marcelo Seluchi, meteorologista coordenador de Operações e Modelagem do Cemaden, explicou que a mistura de calor e umidade criou as condições ideais para a formação dessas tempestades violentas. Mas havia um agravante: as chuvas dos dias anteriores tinham deixado o solo saturado de água. Essa umidade no solo e na atmosfera funcionava como combustível para novas chuvas, criando um ciclo que se alimentava a si mesmo. Quanto mais chuva caía, mais umidade se acumulava; quanto mais umidade, mais chuva se formava.
O impacto na capital paulista foi imediato e generalizado. Durante a tarde, diversos bairros sofreram alagamentos. Árvores caíram em vários pontos. O túnel do Anhangabaú foi inundado. Na zona norte, em Brasilândia, um deslizamento de terra matou uma pessoa. A Defesa Civil emitiu 45 alertas de risco para cidades do estado. O maior volume de chuva registrado foi de 73 milímetros em 24 horas na Vila Clementino, na zona sul, mas o que causou os maiores transtornos não foi apenas a quantidade de água, mas a velocidade com que caiu. Em cerca de três horas, conforme as estações de monitoramento, o volume se concentrou de forma acentuada o suficiente para provocar alagamentos e outros problemas na cidade.
O coronel Araújo Monteiro, da Defesa Civil, ressaltou que a intensidade de uma chuva não se mede apenas pelo volume acumulado. Às vezes, uma quantidade menor de chuva combinada com ventos fortes e granizo causa muito mais destruição do que uma chuva volumosa mas calma. Neste caso, as rajadas de vento e o granizo foram tão significativos quanto a água. Às 16h03, o Centro de Gerenciamento de Emergência registrou uma rajada de 61,1 quilômetros por hora na região do aeroporto de Congonhas.
A cidade entrou em caos. A prefeitura suspendeu o rodízio de veículos. Às 18h30, o trânsito acumulava mais de 1.000 quilômetros de lentidão no município. Várias avenidas viraram rios: a praça 14 Bis e a avenida 9 de Julho, na Bela Vista, ficaram intransitáveis. O mesmo aconteceu com a avenida 23 de Maio. Na rua Doutor Plínio Barreto, ainda na Bela Vista, uma árvore caiu sobre dois carros, um deles um táxi. O motorista estava sozinho e não se feriu, mas a via precisou ser interditada enquanto os bombeiros removiam a árvore. No Cambuci, a rua Almirante Mauriti ficou intransitável. Na zona sul, a avenida Santo Amaro também. Alagamentos foram reportados na Liberdade e em Santa Cecília.
O parque Ibirapuera, na zona sul, registrou um fenômeno notável: seu lago transbordou. A Urbia, concessionária do parque, informou que o pluviômetro marcou 97 milímetros de chuva em menos de uma hora. O córrego Sapateiro, na Vila Mariana, também transbordou, com um acúmulo de 67,8 milímetros reportado pelo Centro de Gerenciamento de Emergência — o maior volume registrado na cidade naquele momento. Na Sé, o volume chegou a 48,5 milímetros.
Os aeroportos também sofreram impactos. Em Congonhas, 11 chegadas e 13 partidas foram canceladas. Em Guarulhos, quatro voos precisaram ser desviados para outros aeroportos porque não conseguiram pousar. Até as 18h, o Corpo de Bombeiros havia registrado 11 chamados para quedas de árvore, 4 para desabamentos e 17 para ocorrências de enchentes.
O alerta havia sido emitido no dia anterior. Na terça-feira, o Instituto Nacional de Meteorologia já havia avisado sobre o risco de tempestade para seis estados — Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Paraná. A previsão indicava possibilidade de chuva de até 60 milímetros por hora, ventos de até 100 quilômetros por hora e queda de granizo. Os riscos listados eram estragos em plantações, queda de energia elétrica, queda de árvores e alagamentos. Quase todos se concretizaram.
Citazioni salienti
Durante o dia, essa área foi se deslocando mais para leste. A mistura de calor e umidade favorece a formação dessas tempestades.— Marcelo Seluchi, meteorologista coordenador de Operações e Modelagem do Cemaden
Não é simples mensurar a quantidade de volume para dizer que a chuva é ser forte ou fraca. Às vezes a chuva pode ter um volume acumulado bem abaixo, mas a força da ventania e a chuva de granizo podem trazer muito mais estragos.— Coronel Araújo Monteiro, Defesa Civil