SUS detecta quase 10 mil testes positivos para HPV de alto risco com exame molecular

Estimativa do Inca de cerca de 19,3 mil novos casos anuais de câncer do colo do útero até 2028.
O exame encontra o vírus antes de ele provocar uma lesão pré-cancerígena
A principal vantagem do DNA-HPV sobre o Papanicolau, hoje substituído no SUS.
Mark

Quase dez mil testes positivos parece muito. Como devemos ler esse número?

Mimi

Como o total de mulheres em que o vírus de alto risco foi encontrado desde que o exame começou no SUS. É um alerta para acompanhamento, não uma contagem de casos de câncer.

Luke

Exatamente, e a reportagem não informa quantos testes foram feitos no total. Sem esse denominador, não dá para falar em proporção de positivos.

Mark

Por que o exame molecular muda tanto o rastreamento?

Mimi

Porque encontra o vírus antes de surgir a lesão pré-cancerígena. O Papanicolau enxerga alterações nas células; o DNA-HPV vê o vírus antes disso.

Mark

E o estudo de Indaiatuba?

Mimi

Mostrou idade média de detecção de 39,6 anos com o molecular, contra 49,3 com o Papanicolau: dez anos a menos.

Luke

Vale lembrar que é um estudo com mulheres de um programa em uma cidade. É um dado forte, mas não é, por si só, o resultado nacional.

Mark

E a estimativa de 19,3 mil casos por ano?

Luke

É projeção do Inca até 2028, não contagem. O que está confirmado é que o tumor é o terceiro mais comum entre mulheres e tem cura acima de 95% se detectado cedo.

Mimi

Falta só o Espírito Santo, que deve receber os testes ainda este ano, segundo o Ministério da Saúde.

  • Quase dez mil mulheres receberam resultado positivo para HPV de alto risco desde a adoção do exame molecular pelo SUS.
  • O DNA-HPV substituiu o Papanicolau, método que por décadas foi a principal porta de entrada da prevenção no país.
  • Um estudo da Unicamp em Indaiatuba mostrou que o novo exame antecipou em 10 anos a idade de detecção do câncer.
  • Com 26 estados já na troca, apenas o Espírito Santo ainda aguarda os testes, previstos para este ano.
  • Ainda há 19,3 mil novos casos anuais previstos até 2028, e a incerteza sobre quantas positivas evoluirão para doença segue aberta.

Desde que o SUS passou a oferecer o exame molecular DNA-HPV no rastreio do câncer do colo do útero, quase dez mil testes em mulheres já apontaram o vírus de alto risco, um marcador silencioso que antecede a doença. A mudança, que substitui o Papanicolau após décadas de domínio desse exame, desloca o olhar da prevenção para um momento anterior ao dano. Num país onde a doença ainda atinge milhares de mulheres por ano, a esperança repousa em detectar cedo o que ainda não se manifestou.

Desde que o SUS passou a oferecer o exame DNA-HPV no rastreamento de mulheres, 9.904 testes apontaram a presença do vírus de alto risco, aquele ligado ao câncer do colo do útero. É o primeiro balanço de uma mudança que alterou a rotina de prevenção no país. O exame, recomendado pela Organização Mundial da Saúde desde 2013, começou a ser usado este ano no lugar do Papanicolau.

A diferença está no momento em que o teste age. Ele identifica o vírus antes que ele provoque lesões pré-cancerígenas, permitindo intervir mais cedo. Um estudo da Unicamp em Indaiatuba acompanhou mulheres atendidas por um programa local e concluiu que o novo método antecipou em 10 anos a detecção da doença: a idade média caiu de 49,3 para 39,6 anos.

A troca já alcança 26 estados, e o Espírito Santo deve receber os testes ainda neste ano. O contexto segue exigente: o Inca estima cerca de 19,3 mil novos casos anuais até 2028, e o câncer do colo do útero é o terceiro mais comum entre as brasileiras. Quando descoberto cedo, porém, as chances de cura passam de 95%.

O teste indica presença do vírus, não diagnóstico. Ainda não se sabe quantas das 9.904 mulheres positivas já têm lesões ou as desenvolverão. O acompanhamento dessas mulheres e a conclusão da transição no Espírito Santo serão os próximos pontos a observar.

Desde que o SUS passou a oferecer o exame molecular de rastreio de HPV em mulheres, 9.904 testes tiveram resultado positivo para o HPV de alto risco, o subtipo do vírus associado ao câncer do colo do útero. O número aparece como o primeiro balanço de uma mudança que alterou a rotina do rastreamento no país.

O exame se chama DNA-HPV e é recomendado pela Organização Mundial da Saúde desde 2013. No Brasil, o sistema público começou a usá-lo no início deste ano, em substituição ao Papanicolau, que por décadas foi a principal porta de entrada para a prevenção desse tipo de câncer.

A diferença está no que cada teste procura. O molecular identifica a presença do vírus antes de ele provocar uma lesão pré-cancerígena. Com isso, permite agir mais cedo, tanto na prevenção quanto na identificação precoce de muitos casos de câncer do colo do útero.

Um estudo do Centro de Atenção à Saúde Integral da Mulher da Unicamp ajuda a dimensionar esse efeito. A pesquisa acompanhou mulheres atendidas por um programa em Indaiatuba, no interior de São Paulo, e concluiu que o DNA-HPV antecipou em 10 anos a detecção do câncer. Pelo Papanicolau, a idade média em que o tumor foi identificado no rastreamento foi de 49,3 anos. Com o teste molecular, caiu para 39,6 anos.

A troca de protocolo já chegou à maior parte do país. Segundo o Ministério da Saúde, 26 estados utilizam o novo exame. O Espírito Santo, único que ainda não fez a substituição, deve receber os testes ainda este ano.

O contexto é o de uma doença ainda frequente. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil pode registrar cerca de 19,3 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano até 2028. É o terceiro tumor mais comum entre as mulheres brasileiras. Quando descoberto cedo, porém, as chances de cura passam de 95%.

O que os números não dizem é quantas das 9.904 mulheres com resultado positivo já têm lesões ou desenvolverão a doença: o teste indica a presença do vírus de alto risco, não um diagnóstico de câncer. A conclusão do processo no Espírito Santo e o acompanhamento dessas mulheres serão os próximos pontos a observar.

Se detectado precocemente, o câncer do colo do útero tem chances de cura superiores a 95%.
— Instituto Nacional de Câncer (Inca)
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