SUS identifica quase 10 mil testes positivos para HPV de alto risco com exame molecular

Detectado cedo, o tumor tem chances de cura superiores a 95%
O câncer do colo do útero é o terceiro mais comum entre as mulheres brasileiras, segundo o Inca.
Mark

Quase 10 mil testes positivos parecem muito. É motivo de alarme?

Mimi

O número mostra que o exame está encontrando o vírus de alto risco antes de ele causar lesão. Nesse estágio ainda dá para prevenir, e é essa a ideia do protocolo.

Luke

Mas positivo para HPV de alto risco não é diagnóstico de câncer. A reportagem não diz quantas dessas mulheres desenvolverão lesões, nem quantas foram acompanhadas depois.

Mark

E por que o DNA-HPV substitui o Papanicolau?

Mimi

Porque detecta o vírus antes da lesão pré-cancerígena. O Papanicolau olha para alterações nas células, o molecular procura o vírus em si. A OMS recomenda o molecular desde 2013.

Luke

Vale notar que o SUS só começou a usá-lo neste ano, mais de uma década depois da recomendação.

Mark

E o estudo de Indaiatuba?

Mimi

Mostrou antecipação de dez anos na detecção: média de 39,6 anos contra 49,3 com o Papanicolau.

Luke

É um estudo com mulheres de um programa de uma cidade. Serve como indício forte, mas não dá para tratá-lo como retrato do país inteiro.

Mark

O que falta?

Mimi

O Espírito Santo ainda não trocou o teste, mas deve receber os novos exames neste ano, segundo o Ministério da Saúde.

Luke

E a projeção de 19,3 mil casos por ano até 2028 é estimativa do Inca, não contagem.

  • Quase 10 mil mulheres receberam resultado positivo para HPV de alto risco desde que o exame molecular entrou no SUS.
  • O DNA-HPV substituiu o Papanicolau e detecta o vírus antes que surjam lesões pré-cancerígenas, um salto de alcance.
  • Estudo da Unicamp em Indaiatuba mostra a doença sendo detectada em média aos 39,6 anos, contra 49,3 com o método antigo.
  • Vinte e seis estados já operam o novo protocolo, e o Espírito Santo deve receber os testes ainda neste ano.
  • O desafio que se desenha é acompanhar essas mulheres positivas a tempo, enquanto a prevenção ainda pode prevalecer.

Num país onde o câncer do colo do útero ainda figura entre os mais comuns na vida das mulheres, o sistema público de saúde trocou a velha lâmina do Papanicolau por um exame que escuta o vírus antes que ele deixe marcas. Desde essa mudança, quase dez mil mulheres receberam um resultado positivo para o HPV de alto risco, um número que mede menos uma crise do que uma oportunidade de agir cedo. Em Indaiatuba, interior de São Paulo, um estudo da Unicamp mostrou que a doença passou a aparecer uma década mais cedo na vida das pacientes. É o tipo de avanço silencioso que muda o destino de muitas histórias antes que elas se tornem tragédias.

Desde que o exame molecular de rastreio de HPV passou a ser oferecido pelo Sistema Único de Saúde, 9.904 testes deram positivo para o HPV de alto risco, o subtipo ligado ao câncer do colo do útero. O número revela o alcance do novo protocolo e do que ele está encontrando.

O DNA-HPV, recomendado pela Organização Mundial da Saúde desde 2013, começou a ser usado no SUS neste ano, no lugar do Papanicolau. Sua vantagem é procurar o vírus em si, e não apenas as alterações que ele provoca, o que permite agir antes que surja uma lesão pré-cancerígena.

Um estudo da Unicamp acompanhou mulheres de um programa em Indaiatuba, no interior paulista, e concluiu que o teste antecipou em dez anos a detecção do câncer: a média de idade caiu de 49,3 para 39,6 anos.

Atualmente, 26 estados já adotam o exame, e o Espírito Santo deve recebê-lo ainda este ano, segundo o Ministério da Saúde. O tumor, terceiro mais comum entre as brasileiras, pode ter chances de cura superiores a 95% quando detectado cedo. O próximo capítulo está nas mãos da rede de atenção que acompanhará as quase 10 mil mulheres com resultado positivo.

Desde que o exame molecular para rastreio de HPV passou a ser oferecido às mulheres pelo Sistema Único de Saúde, 9.904 testes tiveram resultado positivo para HPV de alto risco, o subtipo do vírus associado ao câncer do colo do útero. O número dá a medida do que o novo protocolo está encontrando.

O exame se chama DNA-HPV e é recomendado pela Organização Mundial da Saúde desde 2013. No SUS, começou a ser usado no início deste ano, em substituição ao Papanicolau. A diferença central está no que cada um procura: o teste molecular consegue detectar a presença do vírus antes que ele evolua para uma lesão pré-cancerígena, o que permite prevenir a doença e identificar precocemente muitos casos de câncer do colo do útero.

Um estudo do Centro de Atenção à Saúde Integral da Mulher da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp, ajuda a dimensionar o efeito dessa mudança. A pesquisa acompanhou mulheres de um programa na cidade de Indaiatuba, no interior de São Paulo, e concluiu que o uso do DNA-HPV antecipou em dez anos a detecção do câncer de colo do útero.

Os números da idade mostram o tamanho desse ganho. Com o Papanicolau, a média de idade em que o câncer era detectado no rastreamento foi de 49,3 anos. Com o teste molecular, caiu para 39,6 anos.

A adoção do novo protocolo já é ampla. Até agora, 26 estados utilizam o exame molecular. O Espírito Santo, que ainda não fez a substituição, deve receber os novos testes ainda este ano, segundo o Ministério da Saúde.

O pano de fundo é a dimensão da doença. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer, o Inca, o Brasil poderá registrar cerca de 19,3 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano até 2028. O tumor é o terceiro mais comum entre as mulheres no país. Detectado cedo, porém, tem chances de cura superiores a 95%.

O que vale acompanhar daqui para a frente é a chegada dos testes ao Espírito Santo, que completaria a cobertura nacional do novo protocolo, e o que acontece com as quase 10 mil mulheres com resultado positivo, já que o exame identifica o vírus antes da lesão, quando a prevenção ainda é possível.

O exame DNA-HPV antecipou em 10 anos a detecção do câncer de colo do útero entre mulheres de Indaiatuba (SP).
— Estudo do Centro de Atenção à Saúde Integral da Mulher da Unicamp
Contattaci Domande frequenti