Desde que o SUS passou a oferecer o exame molecular DNA-HPV no rastreio do câncer do colo do útero, quase dez mil testes em mulheres já apontaram o vírus de alto risco, um marcador silencioso que antecede a doença. A mudança, que substitui o Papanicolau após décadas de domínio desse exame, desloca o olhar da prevenção para um momento anterior ao dano. Num país onde a doença ainda atinge milhares de mulheres por ano, a esperança repousa em detectar cedo o que ainda não se manifestou.
SUS detecta quase 10 mil testes positivos para HPV de alto risco com exame molecular
O exame encontra o vírus antes de ele provocar uma lesão pré-cancerígena
Quase dez mil testes positivos parece muito. Como devemos ler esse número?
Como o total de mulheres em que o vírus de alto risco foi encontrado desde que o exame começou no SUS. É um alerta para acompanhamento, não uma contagem de casos de câncer.
Exatamente, e a reportagem não informa quantos testes foram feitos no total. Sem esse denominador, não dá para falar em proporção de positivos.
Por que o exame molecular muda tanto o rastreamento?
Porque encontra o vírus antes de surgir a lesão pré-cancerígena. O Papanicolau enxerga alterações nas células; o DNA-HPV vê o vírus antes disso.
E o estudo de Indaiatuba?
Mostrou idade média de detecção de 39,6 anos com o molecular, contra 49,3 com o Papanicolau: dez anos a menos.
Vale lembrar que é um estudo com mulheres de um programa em uma cidade. É um dado forte, mas não é, por si só, o resultado nacional.
E a estimativa de 19,3 mil casos por ano?
É projeção do Inca até 2028, não contagem. O que está confirmado é que o tumor é o terceiro mais comum entre mulheres e tem cura acima de 95% se detectado cedo.
Falta só o Espírito Santo, que deve receber os testes ainda este ano, segundo o Ministério da Saúde.
The Pulse
- Quase dez mil mulheres receberam resultado positivo para HPV de alto risco desde a adoção do exame molecular pelo SUS.
- O DNA-HPV substituiu o Papanicolau, método que por décadas foi a principal porta de entrada da prevenção no país.
- Um estudo da Unicamp em Indaiatuba mostrou que o novo exame antecipou em 10 anos a idade de detecção do câncer.
- Com 26 estados já na troca, apenas o Espírito Santo ainda aguarda os testes, previstos para este ano.
- Ainda há 19,3 mil novos casos anuais previstos até 2028, e a incerteza sobre quantas positivas evoluirão para doença segue aberta.
Desde que o SUS passou a oferecer o exame molecular DNA-HPV no rastreio do câncer do colo do útero, quase dez mil testes em mulheres já apontaram o vírus de alto risco, um marcador silencioso que antecede a doença. A mudança, que substitui o Papanicolau após décadas de domínio desse exame, desloca o olhar da prevenção para um momento anterior ao dano. Num país onde a doença ainda atinge milhares de mulheres por ano, a esperança repousa em detectar cedo o que ainda não se manifestou.
Desde que o SUS passou a oferecer o exame DNA-HPV no rastreamento de mulheres, 9.904 testes apontaram a presença do vírus de alto risco, aquele ligado ao câncer do colo do útero. É o primeiro balanço de uma mudança que alterou a rotina de prevenção no país. O exame, recomendado pela Organização Mundial da Saúde desde 2013, começou a ser usado este ano no lugar do Papanicolau.
A diferença está no momento em que o teste age. Ele identifica o vírus antes que ele provoque lesões pré-cancerígenas, permitindo intervir mais cedo. Um estudo da Unicamp em Indaiatuba acompanhou mulheres atendidas por um programa local e concluiu que o novo método antecipou em 10 anos a detecção da doença: a idade média caiu de 49,3 para 39,6 anos.
A troca já alcança 26 estados, e o Espírito Santo deve receber os testes ainda neste ano. O contexto segue exigente: o Inca estima cerca de 19,3 mil novos casos anuais até 2028, e o câncer do colo do útero é o terceiro mais comum entre as brasileiras. Quando descoberto cedo, porém, as chances de cura passam de 95%.
O teste indica presença do vírus, não diagnóstico. Ainda não se sabe quantas das 9.904 mulheres positivas já têm lesões ou as desenvolverão. O acompanhamento dessas mulheres e a conclusão da transição no Espírito Santo serão os próximos pontos a observar.
Desde que o SUS passou a oferecer o exame molecular de rastreio de HPV em mulheres, 9.904 testes tiveram resultado positivo para o HPV de alto risco, o subtipo do vírus associado ao câncer do colo do útero. O número aparece como o primeiro balanço de uma mudança que alterou a rotina do rastreamento no país.
O exame se chama DNA-HPV e é recomendado pela Organização Mundial da Saúde desde 2013. No Brasil, o sistema público começou a usá-lo no início deste ano, em substituição ao Papanicolau, que por décadas foi a principal porta de entrada para a prevenção desse tipo de câncer.
A diferença está no que cada teste procura. O molecular identifica a presença do vírus antes de ele provocar uma lesão pré-cancerígena. Com isso, permite agir mais cedo, tanto na prevenção quanto na identificação precoce de muitos casos de câncer do colo do útero.
Um estudo do Centro de Atenção à Saúde Integral da Mulher da Unicamp ajuda a dimensionar esse efeito. A pesquisa acompanhou mulheres atendidas por um programa em Indaiatuba, no interior de São Paulo, e concluiu que o DNA-HPV antecipou em 10 anos a detecção do câncer. Pelo Papanicolau, a idade média em que o tumor foi identificado no rastreamento foi de 49,3 anos. Com o teste molecular, caiu para 39,6 anos.
A troca de protocolo já chegou à maior parte do país. Segundo o Ministério da Saúde, 26 estados utilizam o novo exame. O Espírito Santo, único que ainda não fez a substituição, deve receber os testes ainda este ano.
O contexto é o de uma doença ainda frequente. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil pode registrar cerca de 19,3 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano até 2028. É o terceiro tumor mais comum entre as mulheres brasileiras. Quando descoberto cedo, porém, as chances de cura passam de 95%.
O que os números não dizem é quantas das 9.904 mulheres com resultado positivo já têm lesões ou desenvolverão a doença: o teste indica a presença do vírus de alto risco, não um diagnóstico de câncer. A conclusão do processo no Espírito Santo e o acompanhamento dessas mulheres serão os próximos pontos a observar.
Notable Quotes
Se detectado precocemente, o câncer do colo do útero tem chances de cura superiores a 95%.— Instituto Nacional de Câncer (Inca)