Desde que o Sistema Único de Saúde passou a usar o exame molecular de DNA-HPV no rastreio de mulheres, quase dez mil resultados apontaram o vírus de alto risco ligado ao câncer do colo do útero, sinal de que a medicina ganhou um olhar mais antecipado sobre uma doença que ainda ceifa vidas no país. Um estudo da Unicamp em Indaiatuba mostrou que esse método enxerga a ameaça cerca de dez anos antes do Papanicolau, deslocando a idade média do diagnóstico de 49 para 40 anos. A troca, já presente em 26 estados, reflete a aposta de que prevenir, e não apenas tratar, é o caminho para reduzir as projeç
SUS detecta quase 10 mil testes positivos para HPV de alto risco com exame molecular de DNA-HPV
Dez anos de antecipação na detecção do câncer do colo do útero
Os 9.904 positivos parecem um número enorme. O que ele significa?
São testes que detectaram HPV de alto risco, o subtipo ligado ao câncer do colo do útero. É a presença do vírus, não um diagnóstico de câncer.
Convém ressaltar isso: a reportagem não diz quantas mulheres foram testadas no total, então não dá para calcular a proporção de positivos.
Por que o exame molecular muda tanto em relação ao Papanicolau?
Ele detecta o vírus antes de surgir uma lesão pré-cancerígena. Isso abre espaço para prevenir, não só descobrir tarde.
E os dez anos de antecipação? De onde vêm?
De um estudo da Unicamp com mulheres de um programa em Indaiatuba: 39,6 anos de média de idade com o DNA-HPV, contra 49,3 com o Papanicolau.
Vale lembrar que é um estudo de uma cidade, em um programa específico. Não é um resultado nacional do SUS.
E o que vem a seguir?
O Espírito Santo deve receber os testes este ano. Os outros 26 estados já usam o protocolo.
Já a projeção de 19,3 mil casos por ano até 2028 é uma estimativa do Inca, não uma contagem.
Le Pouls
- Quase 10 mil testes de DNA-HPV do SUS já revelaram o subtipo de alto risco ligado ao câncer do colo do útero.
- O câncer do colo do útero, terceiro mais comum entre as brasileiras, pode ser detectado com uma antecedência de uma década.
- Vinte e seis estados já trocaram o Papanicolau pelo novo exame, enquanto o Espírito Santo aguarda a chegada dos testes ainda este ano.
- O Inca projeta cerca de 19,3 mil novos casos anuais até 2028, e a pergunta é se a detecção precoce conseguirá mudar essa curva.
Desde que o Sistema Único de Saúde passou a usar o exame molecular de DNA-HPV no rastreio de mulheres, quase dez mil resultados apontaram o vírus de alto risco ligado ao câncer do colo do útero, sinal de que a medicina ganhou um olhar mais antecipado sobre uma doença que ainda ceifa vidas no país. Um estudo da Unicamp em Indaiatuba mostrou que esse método enxerga a ameaça cerca de dez anos antes do Papanicolau, deslocando a idade média do diagnóstico de 49 para 40 anos. A troca, já presente em 26 estados, reflete a aposta de que prevenir, e não apenas tratar, é o caminho para reduzir as projeções de quase vinte mil casos anuais.
O Sistema Único de Saúde começou a oferecer o exame molecular de DNA-HPV para o rastreio em mulheres, e desde então 9.904 testes deram positivo para o subtipo de alto risco associado ao câncer do colo do útero. O número revela o que o novo protocolo vem encontrando nas consultas e coletas espalhadas pelo país.
A Organização Mundial da Saúde recomenda o método desde 2013, e o Brasil passou a usá-lo neste ano no lugar do Papanicolau. A diferença está no que cada exame consegue ver: o molecular identifica a presença do vírus antes que ele provoque uma lesão pré-cancerígena, abrindo espaço para prevenir a doença.
Um estudo da Unicamp, acompanhando mulheres de um programa em Indaiatuba, interior de São Paulo, concluiu que o DNA-HPV antecipou em 10 anos a detecção do câncer. A idade média de identificação caiu de 49,3 anos, com o Papanicolau, para 39,6 anos, com o teste molecular.
A mudança já alcançou 26 estados, e o Espírito Santo deve receber os testes ainda neste ano. O cenário que a sustenta são as projeções do Inca, que estimam cerca de 19,3 mil novos casos anuais até 2028. Quando descoberto cedo, o tumor tem chances de cura acima de 95%, e o que se acompanha agora é se essa detecção mais precoce aparecerá nos números futuros.
Desde que o SUS passou a oferecer o exame molecular de DNA-HPV para o rastreio em mulheres, 9.904 testes deram resultado positivo para o HPV de alto risco, o subtipo do vírus associado ao câncer do colo do útero. O número mostra o que o novo protocolo tem encontrado desde que começou a ser usado.
O exame é recomendado pela Organização Mundial da Saúde desde 2013. No Brasil, passou a ser utilizado pelo SUS no início deste ano, em substituição ao Papanicolau. A diferença central está no que cada teste enxerga: o molecular detecta a presença do vírus antes mesmo de ele evoluir para uma lesão pré-cancerígena, o que permite prevenir a doença e identificar precocemente muitos casos.
Os dados que dão dimensão a essa vantagem vêm de um estudo do Centro de Atenção à Saúde Integral da Mulher da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp. A pesquisa acompanhou mulheres de um programa na cidade de Indaiatuba, em São Paulo, e concluiu que o DNA-HPV antecipou em 10 anos a detecção do câncer de colo do útero.
A comparação de idades ilustra isso. Com o Papanicolau, a média de idade em que o câncer era identificado no rastreamento foi de 49,3 anos. Com o teste molecular, caiu para 39,6 anos.
A troca de protocolo já alcançou quase todo o país. Segundo o Ministério da Saúde, 26 estados utilizam o novo modelo. O Espírito Santo, que ainda não fez a substituição, deve receber os novos testes ainda este ano.
O cenário que motiva a mudança está nas projeções do Instituto Nacional de Câncer, o Inca. O órgão estima que o Brasil poderá registrar cerca de 19,3 mil novos casos de câncer do colo do útero por ano até 2028. O tumor é o terceiro mais comum entre as mulheres no país. Quando detectado precocemente, porém, as chances de cura superam 95%.
O que se acompanha daqui em diante é a chegada dos testes ao Espírito Santo, ainda neste ano, e se a detecção mais precoce se refletirá nos números de casos que o Inca projeta até 2028.
Citations marquantes
Detectado precocemente, o câncer do colo do útero tem chances de cura superiores a 95%.— Instituto Nacional de Câncer (Inca)