Num país de dimensões continentais, grande parte do território ainda existe em traços imprecisos nos mapas, como um rio que mal se distingue na imagem de satélite. Nesse cenário, pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais apresentaram o supercomputador 'Soberano', capaz de devolver ao terreno brasileiro um relevo mais nítido, com resolução seis vezes superior à atual. A aposta é que essa leitura mais fina e mais veloz ajude a sociedade a antecipar desastres climáticos, a proteger florestas e a orientar decisões públicas e produtivas com base em um retrato mais fiel do solo, da água
Supercomputador da UFMG, batizado de 'Soberano', promete mapas mais detalhados do território brasileiro
Menos de 10% do território brasileiro está mapeado nesse nível de detalhe
Em termos simples, o que o Soberano muda?
Ele enxerga o território com seis vezes mais resolução. Num afluente do São Francisco, passa a mostrar relevo e leito do rio, o que antes não aparecia.
E por que isso importa para desastres?
Porque inundações, secas e riscos geológicos dependem de ler o terreno rápido. Clyvihk Renna, do Serviço Geológico, destaca justamente a velocidade de processamento.
Vale separar: a resolução seis vezes maior e a escala 1 por 25 mil são apresentadas pelos pesquisadores. A reportagem não traz teste independente.
Há um exemplo concreto de uso?
Sim, as centenas de estradas de terra identificadas perto da BR-163, na Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará. Raoni Rajão fala em combate ao desmatamento ilegal.
Mas a matéria não diz se essas estradas eram ilegais, nem se houve alguma ação a partir da detecção. Mostra a capacidade, não o resultado.
E o café?
A ideia é o produtor provar em poucos minutos que a origem é legalizada, o que pode ajudar na exportação.
Isso é uma possibilidade descrita, no futuro. Não há informação sobre mercados ou produtores que já usem a ferramenta.
E o prazo?
Mapas temáticos de seis estados até o fim de 2027, segundo estimativa dos pesquisadores. Hoje, menos de 10% do país tem esse detalhe.
É uma estimativa, e os estados ainda não foram citados.
Le Pouls
- Menos de 10% do território brasileiro hoje possui mapeamento com esse nível de detalhe, deixando vastas áreas quase invisíveis às decisões públicas.
- O supercomputador processa milhares de modelos de inteligência artificial simultaneamente, cruzando imagens de satélite e drones em um ritmo que antes era impossível.
- Estradas clandestinas abertas no entorno da BR-163, no Pará, já foram identificadas em centenas, uma pista concreta na luta contra o desmatamento ilegal.
- Com novas imagens de satélite chegando diariamente, a ferramenta busca transformar dados brutos em cartografia atualizada, e a meta é entregar mapas temáticos de seis estados até o fim de 2027.
Num país de dimensões continentais, grande parte do território ainda existe em traços imprecisos nos mapas, como um rio que mal se distingue na imagem de satélite. Nesse cenário, pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais apresentaram o supercomputador 'Soberano', capaz de devolver ao terreno brasileiro um relevo mais nítido, com resolução seis vezes superior à atual. A aposta é que essa leitura mais fina e mais veloz ajude a sociedade a antecipar desastres climáticos, a proteger florestas e a orientar decisões públicas e produtivas com base em um retrato mais fiel do solo, da água e das lavouras.
Numa imagem de satélite comum, um afluente do Rio São Francisco aparece quase apagado. Na versão gerada pelo supercomputador "Soberano", da UFMG, o mesmo trecho ganha relevo e o leito do rio se torna visível. Essa diferença é o trunfo que os pesquisadores apresentam: mapas do território brasileiro com seis vezes mais resolução do que a disponível hoje.
A máquina processa ao mesmo tempo milhares de modelos de inteligência artificial sobre solo, água, floresta e produção agrícola, a partir de imagens de satélite e drones. A expectativa é que isso acelere a prevenção de desastres climáticos. Para Clyvihk Renna, do Serviço Geológico do Brasil, a velocidade é o ponto central, pois permite responder mais rápido a inundações, secas e riscos geológicos.
Num dos exemplos, o sistema identificou centenas de estradas de terra no entorno da BR-163, na Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará. Para Raoni Rajão, do Centro Tecnológico de Modelagem Ambiental, flagrar uma estrada clandestina surgindo onde não deveria haver rodovia seria quase impossível a olho humano. O uso também chega ao campo: um cafeicultor poderia comprovar em minutos que sua produção vem de áreas legalizadas, o que facilita vendas internacionais.
Hoje menos de 10% do país tem mapeamento nesse nível de detalhe. Até o fim de 2027, o projeto deve entregar mapas temáticos de seis estados. Sônia Carvalho Ribeiro, coordenadora do projeto Geo LID, destaca que as imagens diárias de satélite poderão ser analisadas com rapidez, permitindo que órgãos públicos decidam com base em mapas atualizados. Resta acompanhar quais estados serão contemplados.
Numa imagem de satélite comum, um afluente do Rio São Francisco aparece como pouco mais que um traço. Na versão produzida pelo supercomputador "Soberano", desenvolvido pela Universidade Federal de Minas Gerais, o mesmo trecho ganha relevo e o leito do rio fica visível. É essa a diferença que os pesquisadores apresentam como o principal trunfo da máquina: mapas do território brasileiro com resolução seis vezes maior do que a disponível hoje.
O Soberano processa, ao mesmo tempo, milhares de modelos de inteligência artificial voltados a análises de solo, água, floresta e produção agrícola. Ele trabalha a partir de dados de satélite e de drones. A promessa é que isso ajude na prevenção de desastres climáticos, ao permitir que informações sobre o terreno sejam lidas com mais detalhe e mais rapidez.
Para Clyvihk Renna, pesquisador do Serviço Geológico do Brasil, o ganho de velocidade é o ponto central. Ele cita o mapeamento geológico, a prospecção mineral, o risco geológico, as inundações e as secas como áreas que podem se beneficiar da ferramenta. Segundo ele, processar dados mais depressa significa dar à sociedade uma resposta mais rápida.
A tecnologia também pode servir à pesquisa de minerais estratégicos, como as terras raras, e revelar detalhes de infraestrutura em qualquer região. Num dos exemplos mostrados, o supercomputador identificou centenas de estradas de terra no entorno da BR-163, na Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará. Raoni Rajão, coordenador do Centro Tecnológico de Modelagem Ambiental, vê aí uma aplicação no combate ao desmatamento ilegal: quando uma estrada clandestina está sendo aberta onde não deveria haver rodovia, diz ele, flagrá-la apenas com olhos humanos seria praticamente impossível.
Há ainda um uso voltado ao campo. O processamento por inteligência artificial deve permitir que produtores rurais mapeiem lavouras com mais agilidade e precisão. Um cafeicultor, por exemplo, poderia demonstrar em poucos minutos que seu produto vem de áreas legalizadas, o que pode facilitar a venda em mercados internacionais.
A máquina gera mapas na escala de 1 por 25 mil, em que cada centímetro equivale a 250 metros. Hoje, menos de 10% do território brasileiro estão mapeados com esse nível de detalhe. Os pesquisadores estimam que, até o fim de 2027, o projeto entregue mapas temáticos de seis estados, um avanço que deve contribuir para o planejamento de políticas públicas.
Sônia Carvalho Ribeiro, coordenadora do projeto Geo LID, resume a vantagem na extração automática de informação das imagens. Como novas imagens de satélite são lançadas diariamente, elas poderão ser analisadas rapidamente para a produção de cartografia, o que permite a instituições públicas e governamentais decidir com base em mapas atualizados. O próximo marco a observar é o prazo de 2027 e quais serão os seis estados contemplados.
Citations marquantes
Processar os dados com velocidade muito maior traz uma resposta à sociedade muito mais rápida.— Clyvihk Renna, pesquisador do Serviço Geológico do Brasil
Identificar uma estrada ilegal em área protegida seria praticamente impossível apenas com olhos humanos.— Raoni Rajão, coordenador do Centro Tecnológico de Modelagem Ambiental