Skimmer injetado em plataforma de checkout expõe cartões e CPFs de clientes de dezenas de lojas de moda

Consumidores de lojas afetadas tiveram dados financeiros e CPFs expostos, com risco de fraudes contínuas.
O checkout de cada lojista da plataforma carregou esse arquivo
A Sansec descreveu como um único arquivo alterado na Convertr alcançou dezenas de lojas de moda.
Mark

Por que esse caso chama atenção, se os sites das lojas em si não foram invadidos?

Mimi

Porque o ponto fraco estava numa peça compartilhada. O script de análise da Convertr era carregado em todos os checkouts, então uma única alteração atingiu dezenas de lojas ao mesmo tempo.

Mark

E o que exatamente o código fazia?

Mimi

Observava os campos preenchidos na hora de pagar e enviava os dados bancários a um domínio registrado na Islândia. Também levou CPFs.

Luke

Vale separar o que está confirmado. A descrição técnica vem da Sansec, que publicou a análise. A Convertr confirmou que removeu o código e notificou comerciantes e autoridades, mas a reportagem não traz número de clientes afetados.

Mark

Então não se sabe quantas pessoas tiveram dados roubados?

Luke

Não pelo que foi publicado. Fala-se em dezenas de lojas, sem a lista de marcas e sem contagem de cartões.

Mimi

Há um detalhe que pesa para o consumidor: o cache dos navegadores pode manter o script infectado por até 24 horas depois da limpeza.

Mark

O que a pessoa deve fazer?

Mimi

Pedir ao banco o bloqueio e a troca do cartão e ficar atenta a usos indevidos do CPF em cadastros e pedidos de crédito.

Luke

E o grupo é descrito apenas como especializado em fraudes de e-commerce, monitorado desde 2024. Quem é e se há responsabilização, o texto não diz.

  • Um código malicioso escondido numa ferramenta de análise captura números de cartão no instante exato em que a compra é concluída.
  • Dezenas de lojas de moda brasileiras, todas dependentes da mesma plataforma, deixaram seus clientes expostos ao mesmo tempo.
  • Os dados roubados, incluindo CPFs, seguem para um domínio externo registrado na Islândia, num rastro difícil de desfazer.
  • A Convertr removeu o código e atualizou a ferramenta, mas os navegadores podem manter a ameaça ativa por até 24 horas.
  • Consumidores são orientados a bloquear e substituir cartões de imediato e a vigiar o uso indevido de seus CPFs.

Em algum momento recente, a confiança silenciosa que move uma compra online foi quebrada por dentro: o gesto banal de digitar um cartão numa página de pagamento passou a alimentar criminosos. Dezenas de lojas brasileiras de moda, que dependiam de uma mesma ferramenta de análise, viram seus clientes expostos sem que nenhuma delas tivesse falhado sozinha. A brecha estava na infraestrutura compartilhada, e a plataforma Convertr já removeu o código e corrigiu a ferramenta, embora o risco persista nos navegadores por até um dia. Cabe agora aos consumidores e aos lojistas recuperar o controle sobre os próprios dados.

Quem comprou em uma loja virtual de moda brasileira nos últimos dias pode ter entregue o número do cartão a criminosos sem perceber. Dezenas de marcas do setor foram atingidas por um incidente que se concentrou justamente na etapa de pagamento, o momento mais sensível de qualquer compra.

Segundo a Sansec, empresa de cibersegurança que publicou a análise técnica, os invasores não atacaram lojas uma a uma. Eles modificaram um arquivo no servidor de análise de tráfego da Convertr, plataforma que gerencia os checkouts, e todos os lojistas que usavam a ferramenta passaram a carregar o código infectado.

O programa agia discretamente, apenas nas páginas de finalização, registrando os dados digitados pelos clientes e enviando-os para um domínio externo. Além dos cartões, foram expostos CPFs. Os operadores ainda ajustaram o código ao longo dos dias para capturar exatamente os campos exigidos pelo sistema de pagamento da plataforma.

Depois da repercussão, a Convertr removeu o código malicioso, atualizou a ferramenta e disse ter notificado comerciantes, processadores de pagamento e autoridades. A limpeza, porém, não encerra o perigo de imediato, já que os navegadores podem manter o script infectado em cache por até 24 horas.

A recomendação aos consumidores é procurar a instituição financeira para bloquear e substituir o cartão e acompanhar o uso do CPF em cadastros e aberturas de crédito. Aos lojistas, cabe exigir da plataforma a confirmação de que o rastreamento está limpo e comunicar o incidente aos parceiros de pagamento.

Quem fechou uma compra em uma loja virtual de moda brasileira nos últimos dias pode ter digitado o número do cartão de crédito em uma página que, por trás, entregava essas informações a criminosos. Dezenas de lojas de marcas brasileiras do setor sofreram um incidente de segurança que expôs dados financeiros de clientes justamente na etapa de pagamento.

O ataque foi atribuído a um grupo especializado em fraudes de comércio eletrônico, monitorado desde 2024. Os criminosos conseguiram injetar um código malicioso, conhecido como skimmer, na plataforma Convertr, responsável por gerenciar os checkouts das lojas afetadas. A brecha não estava em cada site individualmente, mas na infraestrutura que todos compartilhavam.

A equipe da Sansec, empresa de cibersegurança que publicou a análise técnica nesta segunda-feira (26), explicou o mecanismo. O código foi anexado ao script de análise de tráfego que todas as páginas de pagamento carregavam. Nas palavras da equipe, o invasor modificou um arquivo no servidor de análise da Convertr, e o checkout de cada lojista da plataforma passou a carregar esse arquivo.

O programa agia de forma silenciosa e apenas nas páginas de finalização de compra. Ele monitorava os campos preenchidos pelos consumidores e recolhia os dados bancários no momento exato em que a transação era concluída. Em seguida, o material era enviado a um domínio externo registrado na Islândia. Além dos números de cartão, foram expostos CPFs dos compradores.

A investigação também mostrou que os operadores mexeram no código ao longo dos dias para torná-lo mais eficaz. A primeira versão procurava campos comuns de pagamento. Depois, os invasores a ajustaram para capturar os dados específicos exigidos pelo sistema de pagamento da Convertr.

Após a repercussão do caso e a publicação do alerta, a Convertr removeu o código malicioso e atualizou a ferramenta de análise para uma versão corrigida. Em comunicado repercutido pela imprensa especializada, a empresa disse ter notificado os comerciantes afetados, os provedores de meios de pagamento e as autoridades competentes.

A limpeza, porém, não encerra o risco de imediato. Segundo a Sansec, os navegadores guardam o script infectado em cache por até 24 horas, de modo que os compradores continuam em perigo por esse período mesmo depois da remoção.

A orientação aos consumidores que compraram em lojas afetadas, sobretudo com cartão de crédito em páginas de checkout associadas à Convertr, é procurar de imediato a instituição financeira emissora para pedir o bloqueio e a substituição do cartão. Também é recomendável monitorar o uso indevido do CPF em cadastros e aberturas de crédito. Aos lojistas, a instrução é exigir da plataforma a confirmação de que os arquivos de rastreamento estão limpos e comunicar o incidente aos parceiros de processamento de pagamentos, para reduzir o risco de fraudes continuadas.

O invasor modificou um arquivo no servidor de análise da Convertr, e o checkout de cada lojista da plataforma carregou esse arquivo.
— Equipe da Sansec, em análise técnica
Os navegadores armazenam o script infectado em cache por até 24 horas, de modo que os compradores continuam em risco por esse período após a limpeza.
— Equipe da Sansec
Quieres la nota completa? Lee el original en Estadão ↗
Contáctanos FAQ