Uma doença que o Brasil havia aprendido a silenciar voltou a falar alto em São Paulo: quinze casos confirmados de sarampo em 2026 transformaram o estado no único com surto ativo no país, colocando em risco o certificado de eliminação reconquistado apenas dois anos atrás. A resposta das autoridades é imediata e abrangente — uma campanha de vacinação em massa que convoca qualquer pessoa entre 6 meses e 59 anos a buscar proteção nas unidades de saúde da cidade até setembro. Por trás da urgência, há um número que incomoda: a cobertura vacinal caiu bem abaixo da meta de 95%, revelando que a vulnera
SP inicia campanha de multivacinação com reforço contra sarampo
Ampliar a cobertura da vacina é fundamental para interromper a circulação
Por que o sarampo voltou agora, depois de tanto tempo sem casos?
Dois viajantes trouxeram o vírus — um da Bolívia, outro da Guatemala. Mas o problema real é que a cobertura vacinal caiu. Tínhamos 94% de primeira dose em 2025; este ano caiu para 77,5%. Quando a proteção cai, o vírus encontra espaço.
E por que justamente a Zona Norte de São Paulo concentra tantos casos?
A região tem intensa mobilidade populacional e elevado fluxo internacional de viajantes. É um cenário que favorece a introdução esporádica do vírus. Seis casos em Vila Medeiros, dois em Vila Maria — é ali que o vírus encontrou as pessoas menos protegidas.
Uma menina de 1 a 2 anos em Guarulhos não tinha nenhuma vacinação. Como isso acontece?
Não sabemos os motivos específicos daquele caso. Mas reflete um padrão: crianças pequenas e adultos entre 20 e 50 anos estão sendo infectados. Significa que há lacunas na cobertura em ambas as faixas etárias.
Se o Brasil recuperou o certificado de eliminação em 2024, como perdeu tão rápido?
Não perdeu formalmente — ainda tem o certificado. Mas este surto em São Paulo é um aviso. Se não conseguir interromper a transmissão agora, corre risco real de perder novamente. Por isso a campanha é tão agressiva.
Qual é o maior medo das autoridades neste momento?
Que o vírus continue circulando e se espalhe para outros estados. São Paulo é o único com surto ativo. Se isso mudar, volta ao caos de 2019, quando houve 18 mil casos no país inteiro.
O Pulso
- São Paulo registrou 15 casos de sarampo em 2026 — 12 só na capital —, tornando-se o único estado brasileiro com surto ativo e colocando em xeque o certificado nacional de eliminação da doença.
- A queda na cobertura vacinal é alarmante: a primeira dose da tríplice viral atingiu apenas 77,5% da população este ano, e a segunda, 65,5%, muito abaixo da meta de 95% exigida pelo Ministério da Saúde.
- Bebês menores de 2 anos e adultos entre 20 e 50 anos estão entre os infectados, e as autoridades ainda não conseguiram identificar a origem da cadeia de transmissão local.
- A Prefeitura de São Paulo abre todas as 483 UBSs para vacinação a partir desta segunda-feira (3), com Dia D especial em 22 de agosto e campanha estendida até 1º de setembro.
- Guarulhos e São Bernardo do Campo também ampliam a oferta vacinal para toda a população de 6 meses a 59 anos, numa tentativa coordenada de cortar as rotas de circulação do vírus.
Uma doença que o Brasil havia aprendido a silenciar voltou a falar alto em São Paulo: quinze casos confirmados de sarampo em 2026 transformaram o estado no único com surto ativo no país, colocando em risco o certificado de eliminação reconquistado apenas dois anos atrás. A resposta das autoridades é imediata e abrangente — uma campanha de vacinação em massa que convoca qualquer pessoa entre 6 meses e 59 anos a buscar proteção nas unidades de saúde da cidade até setembro. Por trás da urgência, há um número que incomoda: a cobertura vacinal caiu bem abaixo da meta de 95%, revelando que a vulnerabilidade não chegou de fora — ela já estava aqui.
São Paulo enfrenta seu primeiro surto ativo de sarampo em anos. A partir desta segunda-feira, todas as unidades básicas de saúde da cidade abrem para uma campanha de vacinação em massa: qualquer pessoa entre 6 meses e 59 anos pode receber a tríplice viral até 1º de setembro, com um Dia D especial em 22 de agosto, quando as 483 unidades funcionarão exclusivamente para esse fim.
O gatilho é concreto: quinze casos confirmados no estado em 2026, doze deles na capital. Dois vieram de fora — um viajante da Bolívia, outro da Guatemala — mas a maioria se transmitiu dentro da cidade. A Zona Norte concentra os casos, com seis na Vila Medeiros e dois na Vila Maria. São Bernardo do Campo e Guarulhos também registraram infecções, sendo que uma menina de 1 a 2 anos em Guarulhos, sem histórico de vacinação, tornou-se o 15º caso — o primeiro naquele município desde 2020.
O perfil dos infectados revela uma falha estrutural: bebês e adultos entre 20 e 50 anos, faixas que refletem lacunas na cobertura vacinal. Este ano, apenas 77,5% receberam a primeira dose e 65,5% a segunda — números muito abaixo da meta de 95%. No ano anterior, os índices eram de 94% e 84,4%, tornando o declínio ainda mais preocupante.
A gravidade do momento é ampliada pelo contexto histórico: o Brasil havia reconquistado em 2024 o certificado de eliminação do sarampo, concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde, após perdê-lo em 2019 com cerca de 18 mil casos. Esse reconhecimento está novamente em risco. A diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado, Tatiana Lang, admite que a origem da cadeia de transmissão ainda é desconhecida, mas os dados de sequenciamento viral apontam para casos relacionados à importação.
A campanha vai além do sarampo — todas as vacinas do Calendário Nacional estarão disponíveis. Para os demais 642 municípios paulistas, o foco será atualizar a caderneta de crianças e adolescentes até 15 anos. O que está em jogo é direto: evitar que uma doença eliminada se reinstale no país.
São Paulo enfrenta seu primeiro surto ativo de sarampo em anos, e a resposta é imediata: a partir desta segunda-feira, a cidade abre as portas de todas as suas unidades básicas de saúde para uma campanha de vacinação em massa. O alvo é ambicioso — qualquer pessoa entre 6 meses e 59 anos pode receber a vacina tríplice viral, independentemente de já ter sido vacinada antes. A campanha segue até 1º de setembro, com um dia especial marcado para 22 de agosto, quando as 483 unidades básicas funcionarão exclusivamente para este fim.
O gatilho para essa mobilização é concreto: quinze casos confirmados de sarampo no estado de São Paulo em 2026. Doze deles estão na capital. Dois vieram de fora — um viajante que retornou da Bolívia, outro da Guatemala — mas a maioria se transmitiu dentro da cidade. A maior concentração está na Zona Norte, com seis casos na Vila Medeiros e dois na Vila Maria. Dois outros bairros da Zona Sul, Capão Redondo e Jabaquara, também registraram infecções. Em São Bernardo do Campo, dois pacientes contraíram o vírus após contato com casos da capital. Uma menina de 1 a 2 anos em Guarulhos, sem histórico de vacinação, tornou-se o 15º caso confirmado — o primeiro registrado naquele município desde 2020.
Os infectados formam um padrão preocupante: bebês menores de 2 anos e adultos entre 20 e 50 anos. Essa distribuição etária reflete uma falha na cobertura vacinal que as autoridades não conseguem ignorar. A primeira dose da tríplice viral alcançou apenas 77,5% de cobertura este ano; a segunda, 65,5%. O Ministério da Saúde exige 95% para ambas. No ano anterior, os números eram melhores — 94% e 84,4% — o que torna o declínio ainda mais alarmante.
O contexto amplifica a urgência. São Paulo é atualmente o único estado brasileiro com casos confirmados de sarampo, uma situação que as autoridades classificam como surto ativo. O Brasil havia recuperado seu certificado de eliminação da doença em 2024, concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde, após perdê-lo em 2019 quando registrou cerca de 18 mil casos. Esse reconhecimento está agora em risco novamente. Tatiana Lang, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado, reconhece que ainda não foi possível identificar a origem da cadeia de transmissão. "Estamos considerando esses casos como relacionados à importação por conta do sequenciamento do tipo viral identificado," explicou. "Até o momento, nós não sabemos qual foi a fonte inicial."
A campanha vai além do sarampo. Todas as vacinas previstas no Calendário Nacional de Vacinação estarão disponíveis — BCG, hepatite B, pentavalente, rotavírus, pneumocócica conjugada, meningocócicas C e ACWY, influenza, Covid-19, febre amarela, varicela, DTP, hepatite A e HPV. Nos demais 642 municípios paulistas, o foco será atualizar a caderneta de vacinação de crianças e adolescentes até 15 anos. Guarulhos e São Bernardo do Campo, além de São Paulo, receberão a oferta expandida para toda a população de 6 meses a 59 anos — uma estratégia para interromper a cadeia de transmissão do vírus.
O que está em jogo é simples e grave: a reintrodução de uma doença que o Brasil havia eliminado. Lang insiste que "ampliar a cobertura da vacina contra o sarampo é fundamental para interromper a circulação do vírus e proteger a população." Mas para isso funcionar, as pessoas precisam aparecer. A campanha oferece informações através do portal Vacina 100 Dúvidas, que responde perguntas frequentes sobre eficácia, efeitos adversos e riscos da não vacinação. Nos próximos meses, a cidade saberá se conseguiu interromper as cadeias de transmissão ou se o vírus continuará circulando.
Citações Notáveis
Ampliar a cobertura da vacina contra o sarampo é fundamental para interromper a circulação do vírus e proteger a população— Tatiana Lang, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo
Estamos considerando esses casos como relacionados à importação por conta do sequenciamento do tipo viral identificado. Até o momento, nós não sabemos qual foi a fonte inicial— Tatiana Lang