Sobrevivente de sucção em avião relata trauma persistente 11 dias após acidente

Homem de 61 anos sofreu queimaduras, hematomas e trauma psicológico após ser parcialmente sugado para fora de aeronave, permanecendo com sequelas físicas e emocionais.
A explosão é o que eu lembro. É o barulho antes do caos.
Karović descreve o trauma persistente onze dias após ser parcialmente sugado para fora da aeronave.
Mark

O que o manteve preso quando tudo estava sendo sugado para fora?

Mimi

Ele acredita que foi o cinto de segurança. Mas também fala de destino, de Deus. Talvez não saiba exatamente. Talvez não importe.

Mark

Sua esposa viu tudo isso acontecer.

Mimi

Ela estava três fileiras atrás. Viu o marido sendo puxado para fora. Correu até lá. Viu passageiros desconhecidos salvarem a vida dele enquanto a tripulação, segundo ela, não fez nada.

Mark

E a Ryanair diz que fez tudo certo.

Mimi

Sim. Diz que seguiu protocolos, que prestou assistência assim que foi seguro. Mas há uma diferença entre o que a companhia aérea diz que aconteceu e o que as testemunhas viram.

Mark

Ele quer voltar a viajar?

Mimi

Não consegue imaginar quando isso será possível. O som da explosão ainda está lá quando ele fecha os olhos.

Mark

O que ele quer agora?

Mimi

Recuperação. Compensação. Reconhecimento de que algo muito errado aconteceu e que ele não foi apenas um problema a ser resolvido com um e-mail sobre remarcar o voo.

  • Ljubisa Karović ficou entre um minuto e meio e dois minutos parcialmente para fora da aeronave
  • Passageiros, não a tripulação, o puxaram de volta para dentro do avião
  • Sofreu queimaduras, hematomas extensos e possível necessidade de cirurgia cervical
  • Voo da Ryanair entre Grécia e Alemanha em julho de 2026

Ljubisa Karović ficou entre um e dois minutos parcialmente para fora da aeronave após explosão da janela durante voo Grécia-Alemanha. Passageiros conseguiram impedir que fosse completamente levado; tripulação da Ryanair nega negligência e afirma ter seguido protocolos de segurança.

Empresário sérvio relata trauma persistente após ser parcialmente sugado para fora de avião da Ryanair. Onze dias depois, ainda revive o momento do acidente e se recupera de lesões físicas.

Onze dias se passaram desde que Ljubisa Karović, empresário sérvio de 61 anos, acordou com uma explosão que mudaria sua vida. Ele estava no assento 11F, junto à janela, quando o estrondo rompeu a cabine de um voo da Ryanair entre a Grécia e a Alemanha. A pressão caiu instantaneamente. Seu corpo foi puxado para fora da aeronave, a cabeça e o tronco expostos ao ar rarefeito a milhares de metros de altitude. Permaneceu assim entre um minuto e meio e dois minutos — tempo suficiente para que o caos tomasse conta, tempo suficiente para que tudo mudasse.

O som da explosão é o que Karović não consegue esquecer. Quando fecha os olhos para dormir, ele está lá — aquele barulho antes do caos, aquele instante que marca a fronteira entre uma vida normal e tudo o que veio depois. Ele sofreu queimaduras e hematomas extensos no braço direito, que se estendem até a axila e o peito. Um colar cervical agora faz parte de sua rotina, recomendação médica que pode se estender por seis semanas ou mais, dependendo de avaliações futuras que podem indicar a necessidade de cirurgia. Seu rosto inchou e se deformou pela pressão e pela corrente de ar violenta. Ele desmaiou duas ou três vezes — uma enquanto estava parcialmente para fora, outras duas já dentro da aeronave.

Mas Karović está vivo. E isso, ele reconhece, é uma questão de sorte e, talvez, de fé. Seu cinto de segurança o manteve preso. Ou foi o destino. Ele acredita em Deus e agradece todos os dias. Sua esposa, Svetlana, viajava três fileiras atrás e presenciou tudo. Foram os passageiros — não a tripulação — que o salvaram. Um homem que ela acredita ser albanês foi particularmente decisivo, puxando Karović de volta para dentro da aeronave com força bruta, depois tentando tampar a janela com uma bolsa que foi imediatamente sugada para fora, e então com uma mala que funcionou. "Nenhum dos comissários ajudou", disse Svetlana. "Foram os passageiros."

A narrativa do que aconteceu dentro da cabine, porém, é disputada. O advogado de Karović, Vasilis Tsiaras, afirma que testemunhas relataram que a tripulação entrou em estado de choque durante a emergência e que nenhum comissário ofereceu ajuda enquanto o empresário estava sendo sugado para fora. A Ryanair nega essa versão categoricamente. A companhia aérea declarou que, assim que a aeronave atingiu uma altitude segura, sua tripulação prestou assistência, transferindo Karović para assentos ao lado de sua esposa e garantindo que um médico a bordo permanecesse com eles até o pouso seguro em Tessalônica. A empresa também organizou atendimento médico para recebê-lo no desembarque.

Karović, acostumado a viajar frequentemente a trabalho, agora não consegue imaginar quando voltará a embarcar em um avião. A recuperação será lenta, segundo os médicos. Enquanto tenta superar o trauma — aquelas imagens que voltam à sua cabeça, aquele barulho da explosão, aquele caos — ele também busca compensação da companhia aérea. Não apenas e-mails focados em remarcar o voo, mas reconhecimento real do que aconteceu e do que continua acontecendo dentro dele. "Quero me recuperar", disse ao The Guardian. "E, sim, também deve haver uma indenização." O que vem a seguir é incerto: meses de recuperação física, possível cirurgia, e a lenta tarefa de aprender a dormir novamente sem ouvir aquela explosão.

A explosão é o que eu lembro. É o barulho antes do caos, o som que está sempre presente quando fecho os olhos para dormir.
— Ljubisa Karović, ao The Guardian
Nenhum dos comissários ajudou. Foram os passageiros. Um homem, acho que era albanês, foi incrível.
— Svetlana Karović, esposa do empresário
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