A Vale, uma das maiores mineradoras do mundo, encerrou o segundo trimestre de 2026 com sinais claros de recuperação operacional: o minério de ferro atingiu seu melhor desempenho trimestral em oito anos, enquanto cobre e níquel também avançaram em produção e preço. É o retrato de uma empresa que, após anos de ajustes e pressões externas, volta a ocupar o espaço que o mercado reservava para ela. O momento sugere que a combinação de projetos maduros, ativos recordistas e preços em alta pode sustentar um ciclo mais robusto à frente.
Vale amplia produção e vendas no 2T26 com melhor desempenho em minério de ferro desde 2018
Melhor desempenho em oito anos para o segundo trimestre
O que explica esse salto de 20,9% na produção de minério de ferro em relação ao trimestre anterior?
Três coisas convergiram. S11D bateu recorde. Capanema, que é um projeto novo, começou a contribuir de verdade. E VGR1 também entrou com volumes maiores. São projetos que estavam em ramp-up e agora estão gerando resultado.
E por que a comparação anual é tão mais modesta — apenas 0,8%?
Porque o segundo trimestre de 2025 já tinha sido bom. Quando você compara períodos que já estavam em um patamar elevado, os ganhos percentuais ficam menores. Mas o importante é que a produção não caiu e os preços subiram bastante.
Fale sobre o cobre. 56,5% de aumento de preço é extraordinário.
É. O mercado de cobre está aquecido globalmente. Demanda forte, oferta apertada. A Vale se beneficia disso. E internamente, os ativos brasileiros — Salobo e Sossego — estão performando bem, então a companhia consegue vender mais volume a esses preços altos.
E Omã? Por que suspender operações lá?
O conflito no Oriente Médio criou restrições logísticas. Não era seguro ou viável manter as plantas funcionando. Mas foi temporário. Eles retomaram no final de junho. É um risco geográfico que a companhia tem que gerenciar.
A Vale manteve o guidance. Isso significa que eles estão confiantes?
Sim. Se estivessem preocupados, teriam reduzido as projeções. Manter o guidance depois de um trimestre forte é um sinal de que acreditam que conseguem sustentar esse ritmo pelo resto do ano.
O que pode dar errado daqui para frente?
Preços caindo é o maior risco. Se o cobre, o níquel e o minério de ferro recuarem significativamente, a rentabilidade cai rápido. Além disso, qualquer interrupção nos projetos em ramp-up — Capanema, por exemplo — afeta a produção. E há sempre o risco geopolítico, como vimos em Omã.
The Pulse
- O minério de ferro saltou 20,9% em relação ao trimestre anterior, marcando o melhor segundo trimestre desde 2018 — um sinal de que a retomada operacional da Vale não é pontual.
- A produção de pelotas recuou 7% após a Vale suspender operações em Omã por causa do conflito no Oriente Médio, expondo a vulnerabilidade logística da companhia a tensões geopolíticas.
- Cobre e níquel registraram seus melhores desempenhos em anos, com recordes em Salobo e avanços em Long Harbour, diversificando a base de resultados além do minério de ferro.
- Os preços realizados dispararam — cobre com alta de 56,5% e níquel de 14,3% na comparação anual —, ampliando o impacto positivo do aumento de volumes sobre a rentabilidade.
- A Vale manteve suas metas para 2026, e os números do trimestre indicam trajetória compatível com os guias, desde que preços e projetos em ramp-up sigam o ritmo planejado.
A Vale, uma das maiores mineradoras do mundo, encerrou o segundo trimestre de 2026 com sinais claros de recuperação operacional: o minério de ferro atingiu seu melhor desempenho trimestral em oito anos, enquanto cobre e níquel também avançaram em produção e preço. É o retrato de uma empresa que, após anos de ajustes e pressões externas, volta a ocupar o espaço que o mercado reservava para ela. O momento sugere que a combinação de projetos maduros, ativos recordistas e preços em alta pode sustentar um ciclo mais robusto à frente.
A Vale fechou o segundo trimestre de 2026 confirmando o que o mercado aguardava: a mineradora voltou a crescer. O minério de ferro — seu principal produto — atingiu 84,3 milhões de toneladas produzidas, o melhor resultado para um segundo trimestre em oito anos. O avanço de 20,9% sobre o trimestre anterior refletiu um recorde na mina S11D e os volumes crescentes dos projetos Capanema e VGR1. As vendas chegaram a 79,7 milhões de toneladas, 3,1% acima do mesmo período de 2025.
Nem tudo correu sem percalços. A produção de pelotas caiu 7%, para 7,3 milhões de toneladas, após a Vale suspender temporariamente as operações de suas plantas em Omã em razão da escalada do conflito no Oriente Médio e dos gargalos logísticos decorrentes. A retomada parcial ocorreu apenas no final de junho.
Nos metais básicos, o cobre se destacou com 98,4 mil toneladas produzidas — melhor segundo trimestre desde 2017 —, puxado por recordes em Salobo. O níquel avançou 4,2% anualmente, com Onça Puma e Long Harbour compensando a manutenção em Sudbury. As vendas de ambos os metais também cresceram.
Para os investidores, a melhora nos preços foi o dado mais relevante: o cobre subiu 56,5% no preço médio realizado, o níquel avançou 14,3% e o minério de ferro ganhou 11,6% na comparação anual. Esse cenário de volume e preço em alta simultâneos fortalece as perspectivas de rentabilidade. A Vale manteve suas projeções para 2026, e o desempenho do trimestre sugere que a trajetória está alinhada com as metas — desde que preços se sustentem e os projetos em desenvolvimento avancem conforme o planejado.
A Vale encerrou o segundo trimestre de 2026 com números que confirmam o que o mercado esperava: a mineradora voltou a crescer. Produção e vendas subiram em seus principais negócios, e o minério de ferro — o carro-chefe da companhia — alcançou seu melhor desempenho para um segundo trimestre em oito anos.
Entre abril e junho, a Vale extraiu 84,3 milhões de toneladas de minério de ferro. Comparado ao mesmo período do ano anterior, o crescimento foi modesto: 0,8%. Mas olhando para o trimestre anterior, o salto é impressionante: 20,9% de avanço. A companhia creditou o resultado a um recorde de produção na mina S11D e aos maiores volumes que começaram a fluir dos projetos Capanema e VGR1. As vendas do minério chegaram a 79,7 milhões de toneladas, 3,1% acima do segundo trimestre de 2025, refletindo tanto a maior produção quanto a comercialização de estoques acumulados em períodos anteriores.
O desempenho não foi uniforme em todos os produtos. A produção de pelotas caiu 7%, para 7,3 milhões de toneladas, porque a Vale precisou suspender temporariamente as operações de suas plantas em Omã durante parte do trimestre. A razão foi a escalada do conflito no Oriente Médio e os gargalos logísticos que se seguiram. A companhia informou que retomou a produção no final de junho, ainda que parcialmente.
Nos metais básicos, o cobre mostrou força. A produção atingiu 98,4 mil toneladas, crescimento de 6,3% na comparação anual e o melhor resultado para um segundo trimestre desde 2017. Os ativos brasileiros puxaram o desempenho para cima, com recordes em Salobo e maior produção em Sossego. As vendas cresceram ainda mais: 9,7%, chegando a 97,6 mil toneladas. O níquel também avançou, com produção de 42 mil toneladas, alta de 4,2% em um ano. A mina Onça Puma e a refinaria de Long Harbour, no Canadá, foram os motores do crescimento, compensando a manutenção programada em Sudbury. As vendas de níquel subiram 7,2%, para 44,4 mil toneladas.
Mas talvez o mais relevante para os investidores tenha sido a melhora nos preços. O minério de ferro fino foi vendido a uma média de 95 dólares por tonelada, 11,6% acima do segundo trimestre de 2025. O cobre disparou: o preço médio realizado subiu 56,5%, para 14.062 dólares por tonelada. O níquel avançou 14,3%, para 18.061 dólares por tonelada. Esses ganhos de preço, combinados com o aumento de volume, criaram um cenário favorável para a rentabilidade.
Dentro da companhia, o Sistema Sudeste foi o destaque, com produção de 24,3 milhões de toneladas, 16% acima do segundo trimestre anterior. Capanema continuou sua curva de ramp-up, Alegria aumentou a produtividade e Água Limpa retomou as operações. O Sistema Norte, por sua vez, viu a produção cair para 39,6 milhões de toneladas por causa da menor disponibilidade de minério em Serra Norte, mas S11D compensou com um recorde de 23,4 milhões de toneladas para um segundo trimestre.
A Vale manteve suas projeções para o ano inteiro. A companhia espera produzir entre 335 e 345 milhões de toneladas de minério de ferro em 2026, entre 350 e 380 mil toneladas de cobre e entre 175 e 200 mil toneladas de níquel. Os números do segundo trimestre sugerem que a trajetória está alinhada com essas metas, desde que os preços se mantenham firmes e os projetos em desenvolvimento continuem avançando conforme o planejado.
Notable Quotes
A produção de minério de ferro alcançou seu melhor desempenho para um segundo trimestre desde 2018, enquanto cobre e níquel também apresentaram crescimento na comparação anual.— Vale (comunicado operacional)