A Smart Fit chega à Venezuela como seu 17º país de atuação, ocupando 2.000 m² no Centro Comercial Chacaíto em Caracas. A empresa opta por franquia local em vez de investimento direto, refletindo cautela diante da instabilidade política recente do país.
Smart Fit abre primeira unidade na Venezuela com modelo de franquia cauteloso
Entrar cedo tem valor. Mas entrar sem disciplina, não.
Por que a Smart Fit escolheu franquia em vez de investimento direto na Venezuela?
Corona deixa claro que é uma questão de disciplina. Entrar cedo em um mercado tem valor, mas não sem o modelo correto. A franquia permite que eles testem o mercado com risco menor.
Mas isso significa que a Smart Fit não está realmente apostando na Venezuela, certo? É o franqueado que assume o risco.
Exatamente. É uma entrada faseada e cautelosa, como Corona disse. Eles estão monitorando a situação política e econômica de perto.
A mudança política recente—com Maduro sendo capturado e Delcy Rodríguez assumindo—influenciou a decisão?
Corona negou que isso tenha sido determinante. Ele diz que acompanhavam o país há tempo e viram sinais econômicos positivos, como a desaceleração da inflação.
Mas ele não pode ignorar a política. A inflação caiu de 19,9% para 8,9% em um mês. Isso é uma mudança dramática. Algo político aconteceu.
Então a Smart Fit está apostando que a Venezuela está em uma trajetória melhor?
Parece que sim. Corona menciona a proximidade cultural com outros mercados latino-americanos e a população concentrada em poucas cidades como fatores que reduzem riscos.
Reduzem, mas não eliminam. A Venezuela ainda é um país com histórico de instabilidade. Uma franquia é a forma mais segura de testar isso.
Como isso se encaixa na estratégia global da Smart Fit?
As franquias são a ferramenta de entrada em novas geografias. Em países menores, é o modelo preferido. Em mercados maiores, eles combinam franquias com unidades próprias.
E 80% das academias do grupo são próprias. Então a Venezuela é claramente um teste, não um compromisso total.
O Pulso
- Smart Fit abre primeira unidade na Venezuela em 28 de setembro, seu 17º país
- Academia ocupará 2 mil metros quadrados no Centro Comercial Chacaíto em Caracas
- Inflação venezuelana desacelerou para 8,9% em agosto, contra 19,9% em julho
- Empresa opta por modelo de franquia local em vez de investimento direto
- Smart Fit registrou lucro de 411 milhões de reais no primeiro semestre de 2026, alta de 24%
A Smart Fit chega à Venezuela como seu 17º país de atuação, ocupando 2.000 m² no Centro Comercial Chacaíto em Caracas. A empresa opta por franquia local em vez de investimento direto, refletindo cautela diante da instabilidade política recente do país.
A Smart Fit inaugura sua primeira academia na Venezuela na próxima segunda-feira, escolhendo o modelo de franquia como estratégia cautelosa de entrada em um país com sinais econômicos mais positivos.
A Smart Fit abre as portas de sua primeira academia na Venezuela na próxima segunda-feira, dia 28 de setembro, marcando a entrada da rede brasileira em seu 17º país de operação. O espaço, localizado no Centro Comercial Chacaíto na região leste de Caracas, ocupará 2 mil metros quadrados e representa um movimento estratégico em um momento em que sinais econômicos do país sul-americano começam a melhorar. Em agosto, a inflação venezuelana desacelerou significativamente para 8,9%, comparada aos 19,9% registrados em julho.
A decisão de entrar na Venezuela não foi impulsionada apenas por indicadores macroeconômicos. Diogo Corona, CEO do grupo e filho do fundador Edgard Corona, explica que a empresa acompanhava o cenário do país há algum tempo. Ele ressalta que a Venezuela, com aproximadamente 29 milhões de habitantes altamente concentrados em poucos centros urbanos, oferece características demográficas atrativas para a expansão de uma rede de academias. Quando questionado sobre a influência das mudanças políticas recentes—incluindo o governo interino de Delcy Rodríguez após a captura de Nicolás Maduro—Corona deixa claro que essa não foi a razão determinante para o movimento.
O que distingue a entrada na Venezuela é o modelo escolhido: uma franquia local, e não um investimento direto da Smart Fit. Essa abordagem reflete a cautela que a empresa adota ao penetrar geografias desconhecidas. "Entramos de forma faseada e cautelosa, com um franqueado local e em estrita conformidade com as regras aplicáveis", afirma Corona. Ele complementa que chegar cedo a um mercado tem valor, mas apenas quando acompanhado de disciplina de capital e do modelo correto. A proximidade cultural entre a Venezuela e os demais países onde a Smart Fit opera—em sua maioria latino-americanos—reduz os riscos de execução, segundo o executivo.
Essa estratégia de entrada por franquia segue um padrão estabelecido pela Smart Fit. Atualmente, cerca de 80% das mais de 2 mil academias do grupo em todo o mundo são unidades próprias, percentual que a empresa projeta manter até o final do ano. As franquias funcionam como ferramenta de entrada em novas geografias, não como modelo padrão de expansão. Em países menores, as franquias são a forma preferida de atuação. Em nações de porte médio, o objetivo é ter 100% de unidades próprias. Já em mercados de grande população e extensão territorial—como Brasil, México e Argentina—a Smart Fit combina os dois modelos.
A expansão para a Venezuela ocorre em um momento de crescimento robusto para a rede. No primeiro semestre de 2026, a Smart Fit registrou lucro líquido de 411 milhões de reais, alta de 24% em relação ao mesmo período de 2025. O número de academias cresceu de 1.818 para 2.170 unidades, representando um aumento de 19%. Esse desempenho reflete a trajetória de transformação que a empresa vivenciou desde sua fundação em 1996, quando começou como Bio Ritmo em Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, operando no segmento premium.
Em 2009, após 13 anos focado no mercado premium, Edgard Corona decidiu inovar com o lançamento da Smart Fit, a primeira rede HVPL (Alto Valor e Baixo Preço) do Brasil. Com mensalidades a partir de 49 reais, o conceito conquistou o mercado em um momento em que o segmento fitness ganhava tração no país. A expansão internacional começou em 2011, com a abertura de uma unidade na Cidade do México. A marca Smart Fit tornou-se o nome do grupo e foi protagonista no processo de IPO na B3, concluído em julho de 2021, quando a companhia captou 2,3 bilhões de reais.
Apesar da posição como rede popular, a Smart Fit conquistou reconhecimento também entre as classes A e B, impulsionado pelo investimento crescente em tecnologia e novos serviços como exames de bioimpedância e acompanhamento nutricional. Uma pesquisa Datafolha realizada em fevereiro deste ano com moradores das classes mais altas de São Paulo colocou a Smart Fit como a melhor rede de academias da cidade pela décima vez consecutiva, com melhor desempenho entre entrevistados de 16 a 25 anos.
O foco de Corona permanece na América Latina, apesar da entrada em Marrocos no norte da África este ano—o primeiro país não latino-americano da rede. Marrocos combina estabilidade macroeconômica com baixa penetração de academias, mas Corona é claro: a América Latina continua e continuará sendo o principal foco de crescimento do grupo. A Smart Fit é hoje a terceira maior rede de academias do mundo, competindo com marcas como Bodytech, Bluefit, Skyfit e Panobianco.
Citações Notáveis
Entramos de forma faseada e cautelosa, com um franqueado local e em estrita conformidade com as regras aplicáveis— Diogo Corona, CEO da Smart Fit
A América Latina continua e continuará sendo o principal foco de crescimento do grupo— Diogo Corona, CEO da Smart Fit