Jovem percorre 100 km para devolver caminhonete e é morta pelo ex-namorado em Rifaina (SP)

Priscila Lacerda Custódio, de 24 anos, foi morta a tiro durante uma discussão com o ex-companheira/namorado em Rifaina (SP).
Viajou 100 quilômetros para devolver a caminhonete e terminar o namoro
Priscila Lacerda Custódio foi morta em Rifaina (SP) ao entregar o veículo ao pecuarista com quem queria romper.
Mark

Por que Priscila foi até lá, se tinha medo?

Mimi

Ela queria encerrar o relacionamento e devolver a caminhonete. Foi com o irmão e uma amiga justamente por receber ameaças e ter sido agredida dias antes.

Mark

Então ela tomou precauções.

Mimi

Sim, e os dois acompanhantes viram a discussão e o tiro. São as testemunhas centrais do inquérito.

Luke

Vale separar o que está confirmado. A morte e a investigação por feminicídio são fatos. As ameaças e a suposta contratação de pessoas para monitorá-la são o que ela mesma relatou; a reportagem não diz que isso foi comprovado.

Mark

E o histórico dele?

Mimi

Preso em 2018 por descumprir medida protetiva, condenado em 2021 por violência doméstica, com pena mantida em 2022. Há ainda uma condenação de 2020 por vias de fato.

Luke

Essas condenações constam em registros. Já a fala do delegado sobre o motivo, o desacordo sobre o fim do namoro, é a versão da polícia, com o verbo no condicional: teria ocorrido.

Mark

O que se sabe sobre o paradeiro dele?

Luke

Nada. Está foragido, e o juiz citou isso na decisão. Não há informação sobre onde está.

Mimi

A prisão preventiva foi decretada na quarta-feira (28), então agora tudo depende de ele ser localizado.

  • Uma jovem viajou 100 quilômetros de Minas Gerais com o irmão e uma amiga para devolver uma caminhonete e encerrar um namoro, cercada de medo.
  • Uma discussão sobre celulares e ciúmes terminou em tiros disparados na entrada de uma fazenda, à vista de testemunhas.
  • O suspeito apontou a arma para o irmão da vítima e fugiu na mesma caminhonete que acabara de ser devolvida.
  • A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio, e a Justiça decretou prisão preventiva por considerar comprovada a fuga.
  • Com histórico de condenações por violência doméstica, Bolelli segue foragido, e a investigação avança com os depoimentos das testemunhas.

Numa estrada do interior paulista, em Rifaina, uma jovem de 24 anos chegou para devolver um bem e encerrar uma relação que lhe causava medo, e saiu dali sem vida. A história de Priscila Lacerda Custódio ecoa um padrão antigo e sombrio, em que a tentativa de romper um vínculo marcado pela violência se torna o momento de maior risco. Enquanto a Justiça decreta a prisão de João Roberto Bolelli e ele permanece foragido, o caso se impõe como lembrete de que a proteção às mulheres depende não apenas de leis, mas de sua aplicação antes que a ameaça se concretize.

Na entrada de uma fazenda, no km 463 da Rodovia Cândido Portinari, em Rifaina, Priscila Lacerda Custódio, de 24 anos, chegou para devolver uma caminhonete. O veículo pertencia a João Roberto Bolelli, de 62 anos, pecuarista com quem ela mantinha um relacionamento que queria encerrar. Ela havia percorrido 100 quilômetros desde Minas Gerais e levou o irmão e uma amiga, porque temia o encontro.

Dias antes, Priscila tinha contado que fora agredida e ameaçada de morte, e que ele teria contratado pessoas para vigiá-la. No local combinado, a discussão sobre celulares e ciúmes escalou. Segundo o irmão, ela disse que queria ir embora. Bolelli sacou uma arma e atirou. Antes de fugir na própria caminhonete, ainda apontou o revólver para o irmão da jovem. Priscila foi levada a uma unidade de saúde, mas não resistiu.

A Polícia Civil investiga o crime como feminicídio. Na quarta-feira (28), a Justiça de Pedregulho decretou a prisão preventiva, destacando o perfil violento do suspeito e a fuga, que o juiz chamou de ato de covardia. O histórico de Bolelli inclui prisão em 2018 por descumprir medida protetiva, além de condenações de 2020 e 2021 por agressões e violência doméstica. Até a última atualização, ele não havia sido localizado, e os depoimentos seguem sendo colhidos.

Na entrada de uma fazenda, no km 463 da Rodovia Cândido Portinari (SP-334), em Rifaina, no interior paulista, Priscila Lacerda Custódio, de 24 anos, chegou para entregar uma caminhonete. O veículo pertencia ao pecuarista João Roberto Bolelli, de 62 anos, com quem ela mantinha um relacionamento e queria terminar. Para chegar ali, ela havia percorrido 100 quilômetros desde a cidade onde morava, em Minas Gerais.

Priscila não foi sozinha. Levou um irmão e uma amiga porque tinha medo do encontro. Na sexta-feira (23), quatro dias antes de ser morta, ela havia contado que fora agredida por Bolelli e que recebera ameaças de morte. Também relatou que ele teria contratado pessoas para monitorá-la em Minas Gerais.

No local combinado, segundo o que foi apurado, os dois discutiram por causa de aparelhos celulares e de acusações de ciúmes. O irmão contou à polícia ter ouvido Priscila dizer que queria ir embora e que não desejava continuar o relacionamento. Durante a briga, Bolelli sacou uma arma e atirou contra ela. Testemunhas afirmaram que ele ainda apontou o revólver na direção do irmão da jovem antes de fugir na própria caminhonete, justamente a que acabara de ser devolvida.

O irmão socorreu Priscila e a levou à unidade de saúde de Rifaina, mas ela não resistiu ao ferimento. A Polícia Civil abriu inquérito, começou a ouvir as testemunhas e pediu a prisão preventiva do suspeito. O caso é investigado como feminicídio. O delegado Fábio Branquinho disse que os dois já tinham relação amorosa e que, ao que parece, entravam em desacordo sobre o fim do namoro, o que teria levado ao crime.

Na quarta-feira (28), a Justiça de Pedregulho decretou a prisão preventiva. Na decisão, o juiz Luiz Gustavo Giuntini de Rezende, da Vara Única, destacou o perfil violento do suspeito e a necessidade de garantir a instrução criminal sem coação de testemunhas. Escreveu que os depoimentos serão colhidos com mais tranquilidade com o investigado preso, que sua liberdade representa perigo e que está comprovada a fuga, já que deixou a cena numa caminhonete e não se sabe onde está. Chamou a fuga de ato de covardia que não pode ter benevolência do Judiciário.

O histórico de Bolelli pesa no caso. Em junho de 2018, ele foi preso preventivamente por descumprir uma medida protetiva obtida por uma ex-companheira, com quem tivera relacionamento de cinco anos. Ficou na Penitenciária de Franca e foi solto dias depois, mediante fiança. Em setembro daquele ano, a mulher voltou à Delegacia de Defesa da Mulher de Franca e relatou perseguições de carro e ameaças de morte.

O episódio resultou em denúncia do Ministério Público e, em dezembro de 2021, em condenação a três meses e 15 dias de detenção em regime aberto. A pena foi mantida por unanimidade pela 9ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, em 2022. A certidão de antecedentes registra ainda outra condenação, de outubro de 2020, por vias de fato, em razão de agressões cometidas em dezembro de 2017.

Para o delegado Branquinho, o histórico indica reincidência: o autor já tem antecedente por violência doméstica, já foi preso por isso e demonstra tendência à agressividade contra a mulher. Até a última atualização da reportagem, Bolelli não havia sido localizado e era considerado foragido. A investigação segue com os depoimentos das testemunhas.

O autor já tem antecedente de violência doméstica, já foi preso por isso e tem certa tendência à agressividade com relação à mulher.
— Fábio Branquinho, delegado da Polícia Civil
A fuga é ato de covardia que não pode contar com qualquer beneplácito do Poder Judiciário.
— Luiz Gustavo Giuntini de Rezende, juiz da Vara Única de Pedregulho
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