São Caetano do Sul lidera ranking de cidades mais seguras do Brasil

Quatro mulheres foram mortas por dia em média por feminicídio em 2025, batendo recorde; Brasil registrou 40.775 assassinatos totais no ano.
Quatro mulheres mortas por dia, enquanto o resto da violência recua
Os feminicídios atingiram recorde em 2025, contrariando a tendência geral de redução de homicídios no país.
Mark

Por que Santa Catarina conseguiu ultrapassar São Paulo agora, depois de São Paulo liderar por mais de uma década?

Mimi

Não é exatamente uma virada repentina. São Paulo construiu sua redução ao longo de anos — políticas de inteligência, presença estatal, investimento contínuo. Santa Catarina tem vantagens estruturais: é um estado menor, com menos densidade populacional em certas áreas, e também investiu em segurança de forma consistente. Mas o que importa é que ambos mostram que é possível manter taxas baixas de forma sustentável.

Mark

E por que os feminicídios batem recorde justamente quando o resto da violência cai?

Mimi

Essa é a pergunta mais perturbadora do anuário. Enquanto homicídios em geral diminuem, a violência contra mulheres segue uma lógica diferente — é mais estrutural, mais enraizada em relações de poder. Quatro mulheres mortas por dia não é um número que melhora com as mesmas estratégias que funcionam para reduzir homicídios comuns.

Mark

Maranguape teve 97% de redução em seis meses. Como isso é possível?

Mimi

Esses números do Ceará são impressionantes, mas precisam ser verificados com cuidado. Podem refletir operações policiais intensivas, mudanças na forma de registrar crimes, ou de fato intervenções bem-sucedidas. O importante é que mostram que mesmo em cidades muito violentas, mudanças rápidas são possíveis se houver vontade política e recursos.

Mark

O que significa ter 1 milhão de armas com registro vencido circulando?

Mimi

Significa que o Estado perdeu o controle sobre uma parte significativa do arsenal civil. Essas armas podem estar em qualquer lugar — em mãos de criminosos, guardadas em casas, vendidas ilegalmente. É um furo na segurança que ninguém está tapando de forma efetiva.

Mark

Se o Brasil chegar a 1 milhão de presos em 2027, o que muda?

Mimi

Muda tudo. O sistema já está saturado. Mais presos significam mais superlotação, mais violência dentro das prisões, menos ressocialização. É um ciclo que alimenta mais criminalidade, não menos. É o ponto em que você percebe que prender não é a solução.

  • São Caetano do Sul (SP) lidera com 1,2 morte por 100 mil habitantes
  • Brasil registrou 40.775 assassinatos em 2025, queda de 8% em relação a 2024
  • Santa Catarina ultrapassou São Paulo com taxa de 7,6 mortes por 100 mil habitantes
  • Maranguape (CE) é a cidade mais violenta com 100,3 mortes por 100 mil habitantes
  • Quatro mulheres foram mortas por dia em média por feminicídio em 2025

São Caetano do Sul (SP) lidera com 1,2 morte por 100 mil habitantes; sete cidades paulistas e três catarinenses estão entre as dez com menores taxas. Brasil registrou 40.775 assassinatos em 2025, queda de 8% em relação a 2024, com taxa nacional de 19,1 mortes por 100 mil habitantes.

Anuário de Segurança Pública 2025 revela que Brasil registra menor taxa de mortes violentas desde 2012, com Santa Catarina superando São Paulo. Feminicídios, porém, batem recorde.

O Brasil chegou a um marco que não alcançava desde 2012: a taxa de mortes violentas intencionais caiu para 19,1 por grupo de 100 mil habitantes. O Anuário de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública na quinta-feira 23 de julho, registrou 40.775 assassinatos no ano passado — uma queda de 8% em relação a 2024. Os números sugerem uma trajetória de redução profunda em crimes letais que vinha se desenhando há mais de uma década, especialmente em dois estados que agora disputam a liderança nacional em segurança.

São Caetano do Sul, município do ABC Paulista, encabeça o ranking das cidades mais seguras do país com apenas 1,2 morte registrada a cada 100 mil habitantes. Logo atrás vem Tubarão, em Santa Catarina, com 1,7 morte por 100 mil. Entre as dez cidades com menores taxas de mortalidade violenta, sete ficam em São Paulo e três em Santa Catarina — uma concentração que reflete décadas de políticas de segurança pública e investimentos estruturais nesses territórios. David Marques, gerente de programas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, observa que São Paulo já é amplamente reconhecido por sua redução significativa desde os anos 2000, mas aponta Santa Catarina como um caso que merece mais atenção. O tamanho do território catarinense e suas estratégias de segurança pública contribuem para o desempenho, segundo o especialista, e poderiam oferecer lições para outras regiões do país.

Este ano marca uma mudança histórica no topo do ranking estadual. Santa Catarina ultrapassou São Paulo pela primeira vez desde 2014, registrando 7,6 mortes violentas por 100 mil habitantes contra 7,8 em São Paulo. Marques celebra essa "rivalidade" entre os dois estados como um sinal positivo, alinhado com a redução geral da violência letal no Brasil. Dezenove estados e o Distrito Federal tiveram queda nas taxas em 2025, enquanto sete apresentaram alta. O Amapá permanece como o estado mais violento do país, apesar de uma redução de 6% na taxa — passando de 45,2 para 42,5 mortes por 100 mil habitantes. A Bahia segue em segundo lugar com 36,8, e o Ceará em terceiro com 34,7.

O lado mais sombrio desses números emerge quando se olha para os feminicídios. Enquanto a violência letal geral recua, os assassinatos de mulheres atingiram um recorde em 2025: quatro mulheres foram mortas por dia, em média. Esse crescimento contrasta radicalmente com a tendência geral de redução e aponta para uma crise específica de violência de gênero que persiste mesmo enquanto outras formas de homicídio diminuem. Além disso, outros indicadores de violência contra mulheres também subiram: casos de violência psicológica cresceram 17%, stalking aumentou 30%, descumprimento de medidas protetivas subiu 17%, e ameaças cresceram 0,5%. O Brasil registrou três tentativas de feminicídio para cada crime consumado ao longo do ano.

No extremo oposto do espectro de segurança, Maranguape, no Ceará, permanece como o município mais violento do Brasil pelo segundo ano consecutivo. A cidade registrou 100,3 mortes violentas intencionais a cada 100 mil habitantes — uma alta em relação aos 80 por 100 mil de 2024. Três cidades baianas ocupam posições entre as cinco mais violentas: Eunápolis em segundo lugar com taxa de 85,1, Porto Seguro em quarto com 71,2, e Simões Filho em quinto com 68,1. As dez cidades mais violentas do país concentram-se no Nordeste, com metade delas na Bahia. Maranguape foi o único município a ultrapassar a marca de 100 mortes por 100 mil habitantes.

O Ceará, apesar de ocupar a terceira posição entre os estados mais violentos, reporta sinais de melhora. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do estado afirma que investimentos realizados no último ano resultaram em reduções significativas no primeiro semestre de 2026. Em Maranguape, os registros caíram 97,4% comparado ao mesmo período de 2025. Em Maracanaú, a queda foi de 90,9%, e em Caucaia, de 56,8%. Esses números sugerem que intervenções focadas podem produzir resultados rápidos mesmo em territórios historicamente marcados pela violência.

Outros dados do anuário revelam dinâmicas preocupantes em diferentes áreas. As mortes cometidas por policiais aumentaram 5% no ano passado, enquanto o número de policiais mortos caiu 3%. O sistema prisional cresceu 6%, chegando a 964 mil pessoas — e se a tendência se mantiver, o Brasil pode atingir 1 milhão de presos já em 2027. Os registros de produção, posse ou distribuição de conteúdos de abuso sexual infantil cresceram 25%, e casos de bullying e cyberbullying entre jovens aumentaram mais de 60% após a criação de um tipo penal específico em 2024. Simultaneamente, o número de adolescentes em medidas socioeducativas caiu 54% em nove anos, chegando a 12,2 mil jovens — a maioria meninos (93%), negros (74%) e entre 16 e 18 anos (76%).

O Brasil possui 2,1 milhões de empresas e pessoas autorizadas a ter armas, das quais 1 milhão têm licença de CAC (Caçadores, Atiradores e Colecionadores). Estão cadastradas 1,6 milhão de armas no total, mas três em cada dez têm registro vencido. Esses dados apontam para desafios contínuos na regulação e controle de armamentos no país. Os números do anuário de 2025 pintam um quadro complexo: avanços significativos em redução de homicídios convivem com crises específicas em violência de gênero, criminalidade infantojuvenil e controle de armas — sugerindo que o caminho para uma segurança pública verdadeiramente equitativa ainda é longo.

São bons indicativos. O caso de São Paulo é muito bem conhecido já, mas o caso de Santa Catarina pode ser mais bem explorado, mais bem conhecido do ponto de vista da política de segurança pública
— David Marques, gerente de programas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública
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