Num outono em que o crédito no Brasil anda cauteloso e as famílias carregam dívidas sob juros altos, o Santander Brasil mostrou que sabe apertar os próprios custos, mas ainda não encontrou o fôlego para crescer. No terceiro trimestre de 2026, o banco lucrou mais do que se temia, porém sem conseguir ampliar a carteira de forma consistente, e os sinais de atraso entre os clientes pessoa física voltaram a inquietar. Trata-se de um lembrete antigo do setor: eficiência sozinha não sustenta a rentabilidade, que depende de a economia real voltar a pedir crédito e de as pessoas conseguirem pagá-lo.
Santander Brasil supera em lucro, mas crédito fraco e inadimplência pesam; ação cai 5,88%
Eficiência sustentou o lucro; as receitas seguiram pressionadas
O lucro superou parte das estimativas e a ação caiu quase 6%. Por que a reação foi tão negativa?
Porque o que sustentou o lucro foi corte de custos, não receita. A carteira cresceu 0,9% no trimestre, e o spread com clientes caiu para 9,7%.
Vale separar as coisas: a queda de 5,88% veio no mesmo dia de uma forte baixa do Ibovespa. A fonte não diz quanto foi do balanço e quanto foi do mercado.
E o lucro foi bom ou ruim, afinal?
Depende da régua. Ficou acima das projeções do Bradesco BBI, mas abaixo das expectativas do mercado. O JPMorgan o chamou de fraco.
Ou seja, são leituras de casas diferentes, e não um consenso. O ROE de cerca de 12% é o dado concreto.
As provisões menores não são um bom sinal?
Caíram 2,5%, mas os analistas atribuem parte disso à venda de carteiras e a reversões contábeis. Sem isso, o custo de crédito ficaria estável.
Essa ressalva é dos analistas; o banco não quantificou o efeito no que foi relatado aqui. E a melhora entre pequenas e médias empresas convive com a alta da inadimplência acima de 90 dias, para 3,4%.
O que observar daqui para frente?
Crédito, margens e capital. O CET1 caiu para 10,9%, e o JPMorgan o considera sensível.
E lembrando que os preços-alvo de R$ 29 e R$ 27 são projeções, não fatos.
Il Polso
- O lucro recorrente de R$ 2,9 bilhões surpreendeu parte do mercado, mas a ação do SANB11 despencou 5,88% no mesmo dia.
- A carteira cresceu apenas 0,9% no trimestre, e a venda de R$ 5 bilhões em financiamentos de veículos para um FIDC maquiou a fraqueza da demanda.
- A inadimplência acima de 90 dias subiu para 3,4%, puxada pelas pessoas físicas, enquanto a margem financeira recuou.
- O CET1 caiu para 10,9%, e o banco segue sob pressão de capital, com analistas mantendo recomendação neutra e a recuperação dependendo de crédito e margens nos próximos trimestres.
Num outono em que o crédito no Brasil anda cauteloso e as famílias carregam dívidas sob juros altos, o Santander Brasil mostrou que sabe apertar os próprios custos, mas ainda não encontrou o fôlego para crescer. No terceiro trimestre de 2026, o banco lucrou mais do que se temia, porém sem conseguir ampliar a carteira de forma consistente, e os sinais de atraso entre os clientes pessoa física voltaram a inquietar. Trata-se de um lembrete antigo do setor: eficiência sozinha não sustenta a rentabilidade, que depende de a economia real voltar a pedir crédito e de as pessoas conseguirem pagá-lo.
Na quarta-feira, 28 de outubro, as units do Santander Brasil (SANB11) fecharam a R$ 24,35, em queda de 5,88%, no mesmo dia em que o Ibovespa também recuou. O balanço do terceiro trimestre trouxe um lucro gerencial recorrente de R$ 2,9 bilhões, acima de algumas projeções, mas com ROE perto de 12%, abaixo do histórico do próprio banco e distante dos concorrentes privados. O JPMorgan classificou o resultado como fraco, enquanto o Bradesco BBI o viu com um olhar mais brando.
O grande mérito foi a disciplina de custos: despesas 3% menores e eficiência melhorada para 38,8%. Mas a receita não acompanhou. A carteira cresceu só 0,9% no trimestre, e parte disso veio da venda de uma carteira de veículos de R$ 5 bilhões. O avanço concentrou-se nas grandes empresas, cujos spreads são menores, enquanto a pessoa física seguiu encolhendo, e a margem financeira recuou com a queda da Selic e outros efeitos pontuais.
Na qualidade dos ativos, o quadro é misto. O atraso de curto prazo melhorou, sobretudo entre pequenas e médias empresas, mas a inadimplência acima de 90 dias subiu para 3,4%, com as famílias puxando o indicador para cima. As provisões caíram 2,5%, porém parte dessa queda veio de efeitos extraordinários, e o capital regulatório recuou para 10,9% de CET1.
Itaú BBA e Bradesco BBI mantêm neutralidade, com preços-alvo de R$ 29 e R$ 27. Para ambos, a eficiência não basta: sem crédito mais forte, margens menos pressionadas e ativos mais previsíveis, a volta da rentabilidade deve ser lenta.
Na quarta-feira, 28 de outubro, as units do Santander Brasil (SANB11) fecharam o pregão a R$ 24,35, queda de 5,88%. O recuo veio no mesmo dia em que o Ibovespa caiu forte e logo após o banco divulgar o balanço do terceiro trimestre de 2026, um resultado que superou parte das estimativas, mas deixou analistas cautelosos.
O lucro líquido gerencial recorrente foi de R$ 2,9 bilhões, com retorno sobre patrimônio (ROE) de cerca de 12%, abaixo dos níveis históricos do banco e distante dos principais concorrentes privados. O número ficou acima das projeções do Bradesco BBI, mas abaixo das expectativas do mercado. O JPMorgan foi mais duro e classificou o trimestre como fraco, citando receitas decepcionantes, provisões elevadas e deterioração do capital.
O ponto mais favorável foi o controle de custos. As despesas operacionais caíram 3% em relação ao trimestre anterior, e o índice de eficiência melhorou para 38,8%. Tanto o BBI quanto o JPMorgan notam, porém, que a melhora do lucro se apoiou sobretudo na eficiência, enquanto as receitas seguiram pressionadas.
O crédito, que deveria puxar essas receitas, avançou pouco. A carteira ampliada cresceu 0,9% no trimestre e 4,7% em 12 meses. Parte da desaceleração se deve à venda de uma carteira de financiamento de veículos de R$ 5 bilhões para um FIDC, mas os analistas veem demanda mais fraca mesmo descontado esse efeito. O crescimento se concentrou em grandes empresas, cuja carteira subiu cerca de 8% em um ano, enquanto a de pessoa física continuou encolhendo. Para o Itaú BBA, essa mudança de mix ajuda a explicar a compressão das margens, já que operações corporativas costumam render spreads menores. O spread com clientes caiu para 9,7%, ante 10,03% no trimestre anterior.
A tesouraria também pesou. A margem financeira total recuou na comparação trimestral e na anual, e a perda na margem de mercado subiu para R$ 895 milhões no período. Segundo o JPMorgan, contribuíram a queda da Selic, o aumento dos diferimentos de comissões pagas a correspondentes bancários e o efeito da venda da carteira de veículos.
A qualidade dos ativos trouxe sinais mistos. A inadimplência de curto prazo, entre 15 e 90 dias, melhorou, especialmente entre pequenas e médias empresas, o que o Bradesco BBI chamou de surpresa positiva. Já a inadimplência acima de 90 dias subiu para 3,4%, puxada pelas pessoas físicas, onde o indicador avançou 40 pontos-base sobre o trimestre anterior. O JPMorgan lê o conjunto como um ambiente de crédito ainda difícil, com famílias endividadas e juros altos.
As despesas com provisões recuaram 2,5% no trimestre, mas os analistas ponderam que parte da queda veio de efeitos extraordinários ligados à venda de carteiras e a reversões contábeis. Sem eles, o custo de crédito teria ficado praticamente estável.
O capital regulatório completa o quadro. O índice CET1 caiu 30 pontos-base, para 10,9%, pressionado pelo crescimento dos ativos ponderados pelo risco, pelas distribuições de capital e pelo aumento dos créditos tributários. Para o JPMorgan, a trajetória do capital está entre os temas mais sensíveis da tese do banco.
Itaú BBA e Bradesco BBI mantêm recomendação neutra para SANB11, com preços-alvo de R$ 29 e R$ 27. Para ambos, eficiência e disciplina de custos não bastam: sem crédito mais forte, margens aliviadas e ativos mais previsíveis, a recuperação da rentabilidade nos próximos trimestres tende a ser limitada.
Citazioni salienti
O JPMorgan classificou o trimestre como fraco, citando receitas decepcionantes, provisões elevadas e deterioração do capital.— JPMorgan, segundo a InfoMoney
A mudança de mix, com mais crédito corporativo, ajuda a explicar a compressão das margens.— Itaú BBA, em paráfrase