Nas entranhas de concreto do Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, agentes da Polícia Penal descobriram o que muros e grades não conseguem sufocar: redes de comunicação clandestinas que mantêm o crime organizado respirando de dentro para fora das prisões. A Operação Illicitus, em curso desde agosto, revela que o contrabando de celulares e drogas não é acidente — é arquitetura. Com 623 aparelhos e mais de oito quilos de entorpecentes retirados de circulação, o Estado fluminense tenta interromper uma corrente cujos elos incluem detentos, visitantes e, por vezes, os próprios servidores que
Polícia Penal apreende 26 celulares em presídio do Rio durante operação contra CV
Celulares embutidos nas paredes funcionam como elo crítico entre o mundo dentro e fora dos muros
Por que os celulares são tão importantes para o crime organizado dentro dos presídios?
Porque permitem que os líderes de facção continuem coordenando operações do lado de fora. Sem comunicação direta, a hierarquia desmorona.
Mas a gente não sabe quantos celulares ainda estão circulando. Apreender 623 em um mês pode ser muito ou muito pouco — depende do tamanho total do fluxo.
A operação menciona policiais penais envolvidos. Isso é comum?
A Seppen reconhece que é um problema real o suficiente para investigar. Significa que sabem que há corrupção dentro da corporação.
Mas não há números. Quantos policiais foram investigados? Quantos foram presos ou afastados? A nota não diz.
Qual é o impacto real de tirar 26 celulares de um presídio?
Interrompe a comunicação naquela unidade naquele momento. Mas é uma vitória temporária — o contrabando vai continuar.
Exatamente. A gente não sabe se a operação está reduzindo o fluxo total ou apenas criando ciclos de apreensão e reposição.
Por que focam em dois presídios do mesmo complexo?
Provavelmente porque identificaram um padrão de atividade maior ali. O Complexo de Gericinó concentra várias unidades.
Ou porque é mais fácil fazer operação em um lugar que já conhecem bem. Não sabemos se é estratégia ou conveniência.
Le Pouls
- Vinte e seis celulares foram encontrados embutidos nas próprias paredes do Presídio Benjamin de Moraes — não escondidos, mas literalmente incorporados à estrutura do lugar.
- A descoberta expõe a sofisticação do contrabando: facções constroem infraestrutura de comunicação dentro das prisões como quem instala fiação elétrica.
- A Operação Illicitus mobiliza inteligência, operações e corregedoria simultaneamente, mirando detentos, visitantes e policiais penais suspeitos de cumplicidade.
- Em menos de um mês, 623 celulares e mais de oito quilos de drogas foram retirados dos presídios estaduais — números que apontam para um fluxo sistemático, não episódico.
- A sequência de operações no Complexo de Gericinó — Bangu 4 na quinta, Benjamin de Moraes na sexta — indica uma estratégia de pressão contínua sobre um mesmo território prisional.
Nas entranhas de concreto do Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, agentes da Polícia Penal descobriram o que muros e grades não conseguem sufocar: redes de comunicação clandestinas que mantêm o crime organizado respirando de dentro para fora das prisões. A Operação Illicitus, em curso desde agosto, revela que o contrabando de celulares e drogas não é acidente — é arquitetura. Com 623 aparelhos e mais de oito quilos de entorpecentes retirados de circulação, o Estado fluminense tenta interromper uma corrente cujos elos incluem detentos, visitantes e, por vezes, os próprios servidores que deveriam guardá-los.
Na sexta-feira, agentes da Polícia Penal encontraram 26 celulares escondidos nas paredes do Presídio Benjamin de Moraes, no Complexo de Gericinó, Zona Oeste do Rio. Junto aos aparelhos, foram apreendidas drogas em quantidade significativa. A ação faz parte da Operação Illicitus, iniciada em agosto com o objetivo de desarticular as estruturas de comunicação do crime organizado dentro do sistema prisional fluminense.
A operação é coordenada pela Secretaria de Estado de Polícia Penal, que mobilizou suas subsecretarias Operacional e de Inteligência em conjunto com a Corregedoria-Geral. O foco vai além dos detentos: investigam-se também visitantes e policiais penais que possam estar facilitando o contrabando — uma abordagem que reconhece a cumplicidade como elemento estrutural do problema.
Os resultados acumulados desde agosto são expressivos: 623 celulares removidos e mais de oito quilos de drogas apreendidos nos presídios estaduais. Na quinta-feira anterior, operação semelhante no Presídio Jonas Lopes de Carvalho — o Bangu 4, também em Gericinó — resultou na apreensão de 30 celulares e drogas em uma unidade que abriga integrantes do Terceiro Comando Puro. A sequência de ações no mesmo complexo revela uma estratégia deliberada: não reagir a ocorrências isoladas, mas desmontar sistematicamente uma rede.
Agentes da Polícia Penal encontraram 26 celulares embutidos nas paredes do Presídio Benjamin de Moraes, no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, durante uma operação realizada na sexta-feira. Junto aos aparelhos, os policiais apreenderam uma quantidade significativa de drogas. A ação integra a Operação Illicitus, um esforço coordenado para enfraquecer as estruturas de crime organizado que operam dentro do sistema prisional fluminense.
A Secretaria de Estado de Polícia Penal intensificou as revistas nas unidades prisionais a partir de agosto, mobilizando suas subsecretarias Operacional e de Inteligência em conjunto com a Corregedoria-Geral. O objetivo declarado é interromper a comunicação entre detentos filiados a facções e seus contatos em liberdade — uma estratégia que reconhece como os celulares contrabandeados funcionam como elo crítico entre o mundo dentro e fora dos muros.
Segundo a pasta, a Operação Illicitus não se limita a apreender equipamentos. Os agentes também investigam visitantes e policiais penais que possam estar facilitando atividades ilícitas dentro das prisões. Essa abordagem tríplice — focando detentos, pessoas de fora e servidores públicos — reflete uma compreensão de que o contrabando de celulares e drogas depende de uma rede de cumplicidade que atravessa múltiplas camadas.
Desde o início de agosto, quando as operações intensificadas começaram, o saldo já é expressivo: 623 celulares removidos de circulação nos presídios estaduais e mais de oito quilos de drogas apreendidas. Esses números sugerem uma escala de contrabando que vai além de casos isolados — indicam um fluxo sistemático de materiais proibidos entrando nas unidades.
Na quinta-feira anterior à ação no Benjamin de Moraes, agentes realizaram operação semelhante no Presídio Jonas Lopes de Carvalho, conhecido como Bangu 4, também localizado no Complexo de Gericinó. Naquela ocasião, apreenderam 30 celulares e drogas em uma unidade que abriga detentos do Terceiro Comando Puro. A sequência de operações em diferentes presídios do mesmo complexo sugere um padrão de atividade que as autoridades estão buscando desmantelar de forma sistemática, não apenas reativa.
Citations marquantes
O objetivo é desarticular a comunicação entre integrantes de facções presos e aqueles que estão em liberdade— Secretaria de Estado de Polícia Penal do Rio de Janeiro
A Operação Illicitus tem como alvos os detentos e os visitantes, além de policiais penais que, porventura, estejam envolvidos em práticas ilegais— Seppen (nota oficial)