Entre sexta e sábado, uma pluma de poeiras do Saara atravessará Portugal, transportada por ventos de sudoeste que ligam o Norte de África ao litoral ibérico como um corredor invisível. O fenómeno, cíclico e ancestral, lembra-nos que as fronteiras humanas não detêm a matéria em movimento — o deserto chega às janelas de Lisboa e de Coimbra sem pedir passagem. A possibilidade de chuva de lama transforma o episódio numa experiência sensorial que poucos esquecerão facilmente.