PF investiga 'advogado camaleão' por suspeita de lavagem para senador do PDT

Advogado que trabalha em múltiplos círculos políticos
Willer Tomaz mantém conexões com políticos de espectros ideológicos distintos, incluindo Flávio Bolsonaro e ministros do governo Lula.
Mark

Por que um advogado com essas conexões políticas tão variadas acaba sendo investigado por lavagem de dinheiro?

Mimi

Willer Tomaz parece ser alguém que trabalha em múltiplos círculos políticos — tem proximidade com Flávio Bolsonaro, trabalhou com ministro do governo Lula. A investigação sugere que ele pode ter sido usado como intermediário para movimentar dinheiro de forma a ocultar sua origem, possivelmente ligado a fraudes no INSS.

Luke

Mas é importante notar que ele foi alvo da Lava Jato em 2017 e aquela denúncia foi rejeitada por falta de provas. Então temos um histórico de acusações que não se sustentaram. O que a PF tem agora são indícios de movimentações financeiras — ainda não há condenação.

Mark

E o senador Weverton Rocha? Ele está sendo acusado de algo específico?

Mimi

A investigação foca em operações suspeitas envolvendo sua esposa e, aparentemente, em como Tomaz pode ter ajudado a movimentar dinheiro para o senador. Rocha diz que tudo foi declarado à Receita Federal.

Luke

Exatamente — ele nega envolvimento e diz que as movimentações foram legais e declaradas. A PF está investigando, mas ainda não há acusação formal contra ele. O fato de o Ministério Público Federal ter se posicionado contra a busca em seus familiares também é relevante.

Mark

O timing parece suspeito — a operação acontece quando ele lança candidatura.

Mimi

Rocha mesmo menciona isso em sua nota, dizendo que esperava ataques políticos. Mas também é verdade que a Operação Sem Desconto já o tinha na mira desde dezembro.

Luke

Sim, mas não podemos ignorar que operações policiais podem ser usadas politicamente. Ao mesmo tempo, fraudes no INSS são reais e graves. O desafio é separar o que é investigação legítima do que pode ser tática política. Os fatos aqui são: há investigação, há indícios de movimentações financeiras, mas não há ainda condenação ou acusação formal.

Mark

Qual é o próximo passo?

Mimi

A PF vai analisar o que apreendeu — documentos, registros bancários, bens. Isso vai determinar se há base para acusações formais.

Luke

E o Ministério Público Federal vai ter papel importante nisso. Se eles se opuseram à busca em familiares, é sinal de que podem questionar a força das evidências. Isso ainda está em aberto.

  • A PF cumpriu 18 mandados de busca e apreensão simultaneamente no DF e no Maranhão, mirando bens de luxo e movimentações financeiras suspeitas ligadas ao esquema do INSS.
  • Willer Tomaz, advogado com trânsito entre bolsonaristas e petistas, nega qualquer vínculo com as fraudes — mas seu histórico inclui alvo da Lava Jato e relações com figuras de múltiplos campos do poder.
  • O senador Weverton Rocha, já investigado desde dezembro, viu sua esposa e apoiadores serem alvos desta nova fase, justamente no dia em que lançava sua candidatura ao Senado.
  • O próprio Ministério Público Federal se posicionou contra parte dos mandados, criando uma tensão interna entre os órgãos de persecução penal.
  • A operação integra a Operação Sem Desconto e aponta para uma estratégia de recuperação de ativos — rastrear e confiscar o que foi desviado dos cofres da Previdência Social.

Em meio ao desdobramento de uma das maiores investigações sobre fraudes previdenciárias do país, a Polícia Federal voltou seus olhos ao Maranhão e ao Distrito Federal, cumprindo mandados contra o advogado Willer Tomaz e familiares do senador Weverton Rocha. A operação, autorizada pelo STF, levanta questões sobre os laços entre o mundo jurídico, o poder político e o dinheiro público desviado do INSS. O senador, que acabava de lançar sua candidatura, vê na coincidência de datas um sinal de perseguição — enquanto a Justiça vê, nos rastros financeiros, indícios que merecem resposta.

Na manhã de terça-feira, 4 de agosto, a Polícia Federal deflagrou mais uma fase da Operação Sem Desconto, cumprindo 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão. Os alvos foram o advogado Willer Tomaz e familiares do senador Weverton Rocha, do PDT, investigados por suspeita de lavagem de dinheiro vinculada ao esquema de fraudes no INSS. A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e tinha entre seus objetivos a apreensão de veículos de luxo e outros bens para recuperar valores supostamente desviados.

Willer Tomaz é uma figura que transita com desenvoltura por diferentes campos do poder. Mantém amizade com o senador Flávio Bolsonaro, com quem já compartilhou voos em aeronave particular, e teve proximidade com o ex-ministro Juscelino Filho durante o governo Lula. Em 2017, foi alvo de prisão na Lava Jato após ser citado como intermediário de propina, mas o TRF da 1ª Região rejeitou a denúncia por falta de provas. Desta vez, Tomaz divulgou nota negando qualquer envolvimento com as fraudes previdenciárias.

O senador Weverton Rocha já havia sido alvo de busca e apreensão em dezembro do ano anterior. Agora, sua residência foi novamente vasculhada em razão de movimentações suspeitas atribuídas à sua esposa. Em nota, o parlamentar afirmou que todas as movimentações são fruto de atividades profissionais e empresariais devidamente declaradas à Receita Federal, e destacou que o próprio Ministério Público Federal se posicionou contra os mandados que atingiram seus familiares e apoiadores.

O detalhe que o senador fez questão de sublinhar foi o timing: a operação coincidiu exatamente com o lançamento de sua candidatura ao Senado. Para ele, trata-se de um ataque político. Para a Polícia Federal, trata-se de mais um passo na tentativa de desmantelar uma rede que desviou recursos da Previdência Social — e de recuperar, bem a bem, o que foi levado.

A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na manhã de terça-feira, 4 de agosto, contra o advogado Willer Tomaz e familiares do senador Weverton Rocha, do PDT do Maranhão, em investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro vinculada ao esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social. A operação, autorizada pelo ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal, faz parte da Operação Sem Desconto e envolveu 18 mandados expedidos no Distrito Federal e no Maranhão. Entre os objetivos estava a apreensão de bens para recuperar valores supostamente desviados, incluindo veículos de luxo e outros itens.

Willer Tomaz é uma figura com conexões políticas que atravessam espectros ideológicos distintos. Ele mantém relação de amizade com o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, tendo inclusive compartilhado voos em aeronave particular com o parlamentar. Durante o governo Lula, Tomaz teve proximidade com o ex-ministro das Comunicações Juscelino Filho e foi beneficiado por uma regra do ministério. A operação atual não envolve suspeitas sobre Bolsonaro. Seu histórico também inclui um episódio durante a Lava Jato, em 2017, quando foi alvo de prisão após ser citado na delação premiada de executivos do grupo J&F como intermediário de propina a um procurador. O Tribunal Regional Federal da 1ª Região rejeitou a denúncia por falta de provas, e o empresário Joesley Batista posteriormente recuou, afirmando que não havia contratado Tomaz com objetivo de influenciar autoridades públicas.

Segundo a Polícia Federal, as investigações começaram após identificação de indícios de movimentações financeiras e patrimoniais que teriam sido realizadas por meio de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações com valores em espécie, com objetivo de ocultar origem e destinação dos recursos. Tomaz divulgou nota afirmando que não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes.

Weverton Rocha já era conhecido dos investigadores da Operação Sem Desconto. O senador havia sido alvo de busca e apreensão em 18 de dezembro anterior, ocasião em que afirmou receber a operação com surpresa mas com serenidade. Sua residência foi alvo de buscas desta vez por causa de operações suspeitas envolvendo sua esposa. Em nota divulgada, o parlamentar reconheceu que esperava sofrer ataques políticos diante de sua candidatura ao Senado e suas posições políticas, mas disse não ter esperado que a operação envolvesse sua família e apoiadores. Afirmou que todas as movimentações mencionadas são fruto de atividades profissionais e empresariais devidamente declaradas à Receita Federal. Ressaltou que o Ministério Público Federal se posicionou contra a busca e apreensão contra seus familiares e apoiadores, e reafirmou sua determinação de não se render, mantendo-se firme no propósito de lutar pelo Maranhão.

O timing da operação coincidiu com o lançamento da candidatura de Rocha, detalhe que o senador destacou em sua resposta. A investigação continua em andamento como parte da estratégia mais ampla da Polícia Federal contra o esquema de fraudes no INSS, com foco em rastrear e recuperar valores desviados através da apreensão de bens.

Nada tenho a esconder. Todas as movimentações mencionadas são fruto de atividades profissionais e empresariais e foram devidamente declaradas à Receita Federal.
— Senador Weverton Rocha
Não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes
— Willer Tomaz
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