No cruzamento entre o poder legislativo e o dinheiro investigado, a Polícia Federal encontrou uma fotografia que condensa, em um único enquadramento à beira de uma piscina, as conexões entre um advogado suspeito de lavagem de dinheiro e oito parlamentares brasileiros. A imagem, datada de abril de 2023 e recuperada do celular do senador Weverton Rocha, emerge como símbolo silencioso de uma teia de relações que a Operação Sem Desconto busca decifrar. Enquanto investigadores descrevem Willer Tomaz como um 'hub financeiro' de políticos, os envolvidos disputam a narrativa entre a ilegalidade do vaz
PF encontra foto de advogado investigado em piscina com parlamentares
Hub financeiro que move milhões entre políticos e suas famílias
Por que essa foto importa se o advogado diz que não tem nada a ver com as fraudes no INSS?
A PF a está usando para mapear as relações comerciais dele. Não é prova de crime, é contexto — mostra quem ele conhece, como se move nos círculos políticos.
Mas espera: a foto não foi mencionada na decisão que autorizou a operação. Então ela foi encontrada depois, durante a busca. Não sabemos se o juiz a consideraria relevante.
E quanto ao dinheiro — R$ 6 milhões em casa, R$ 11 milhões para a esposa do senador?
Segundo a PF, isso é o padrão. Tomaz compra ativos em nome de políticos, depois transfere para suas famílias. É como um intermediário financeiro.
A defesa dele nega. Diz que são transações legítimas. Não temos os documentos, não sabemos se há explicação legal para isso.
Por que tantos deputados e senadores em uma piscina?
Porque Tomaz é bem conectado. O grupo de WhatsApp era chamado "Grupo Seleto" — isso sugere que era um círculo fechado, selecionado.
Mas estar em uma piscina com alguém não é crime. Precisamos saber se havia negócios sendo discutidos, se havia troca de favores. A foto sozinha não diz isso.
Weverton Rocha diz que é vazamento criminoso. Ele tem razão?
Tecnicamente, sim — a foto saiu do celular dele sem consentimento. Mas ele também é investigado, então há uma questão de credibilidade.
E há outra: se a PF encontrou a foto no celular dele durante a busca, como ela vazou para a revista piauí? Isso é uma pergunta que ninguém respondeu ainda.
Le Pouls
- Uma fotografia encontrada no celular de um senador coloca oito parlamentares — entre eles o ex-presidente da Câmara Arthur Lira — ao lado de um advogado investigado por lavagem de dinheiro, acendendo alarmes sobre a extensão das conexões políticas na Operação Sem Desconto.
- A PF aponta Willer Tomaz como peça central de um esquema financeiro: ele teria repassado R$ 11 milhões à esposa do senador Weverton Rocha e comprado um imóvel de R$ 6 milhões onde o parlamentar reside.
- Tomaz reage com indignação, denunciando o que chama de vazamento ilegal de imagem privada e insistindo que nunca teve envolvimento com fraudes no INSS — mas a investigação segue avançando ao seu redor.
- Weverton Rocha promete acionar o STF contra o que classifica como 'vazamento criminoso', acusando a operação de ter motivação político-eleitoral e tentando separar sua família dos fatos apurados.
- Entre os parlamentares fotografados, as respostas variam do silêncio ao esquecimento conveniente — e a imagem, embora ausente da decisão judicial que autorizou a operação, já está sendo analisada como evidência de contexto.
No cruzamento entre o poder legislativo e o dinheiro investigado, a Polícia Federal encontrou uma fotografia que condensa, em um único enquadramento à beira de uma piscina, as conexões entre um advogado suspeito de lavagem de dinheiro e oito parlamentares brasileiros. A imagem, datada de abril de 2023 e recuperada do celular do senador Weverton Rocha, emerge como símbolo silencioso de uma teia de relações que a Operação Sem Desconto busca decifrar. Enquanto investigadores descrevem Willer Tomaz como um 'hub financeiro' de políticos, os envolvidos disputam a narrativa entre a ilegalidade do vazamento e a legitimidade da investigação.
A Polícia Federal recuperou do celular do senador Weverton Rocha uma fotografia tirada em abril de 2023 que mostra o advogado Willer Tomaz reunido com pelo menos oito parlamentares em sua propriedade no entorno de Brasília, o Rancho Tomaz. O encontro havia sido organizado por um grupo de WhatsApp chamado 'Grupo Seleto'. A imagem, revelada pela revista piauí, inclui nomes como Arthur Lira, Juscelino Filho, Elmar Nascimento, Paulo Azi, Alexandre Ramagem, Efraim Filho e Angelo Coronel.
A descoberta se insere na Operação Sem Desconto, que investiga fraudes previdenciárias e lavagem de dinheiro envolvendo o INSS. Os investigadores descrevem Tomaz como um 'hub financeiro, patrimonial e logístico' de políticos: ele teria repassado ao menos R$ 11 milhões à esposa de Weverton Rocha e adquirido um imóvel de R$ 6 milhões em Brasília onde o senador reside. Diálogos sobre pagamentos em dinheiro vivo também foram encontrados.
Tomaz repudiou a divulgação da foto, classificando-a como vazamento ilegal sem relação com sua atividade profissional, e negou qualquer envolvimento com os fatos investigados. Weverton Rocha, por sua vez, anunciou que acionará o Supremo Tribunal Federal e acusou a operação de ter viés político-eleitoral, rejeitando qualquer conexão entre sua família e o esquema apurado.
Entre os demais parlamentares retratados, as reações foram esparsas: Paulo Azi confirmou conhecer Tomaz; Angelo Coronel disse não se lembrar da ocasião específica; Arthur Lira preferiu o silêncio. A fotografia, ainda que ausente da decisão judicial que autorizou as buscas, já integra o material analisado pelos investigadores como parte do mapa de relações do advogado com o Congresso Nacional.
A Polícia Federal localizou uma fotografia no celular do senador Weverton Rocha que mostra o advogado Willer Tomaz em uma piscina ao lado de pelo menos oito parlamentares. A imagem, revelada pela revista piauí no sábado 8 de agosto, foi tirada em 23 de abril de 2023, durante um encontro privado na propriedade de Tomaz no entorno de Brasília, conhecida como Rancho Tomaz. O encontro havia sido combinado através de um grupo de WhatsApp chamado "Grupo Seleto".
Na foto aparecem, além de Weverton Rocha, os deputados Arthur Lira (ex-presidente da Câmara), Juscelino Filho, Elmar Nascimento e Paulo Azi. Também estão presentes o ex-deputado Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência, e os senadores Efraim Filho e Angelo Coronel. A descoberta ocorre em meio à Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social e suspeita que Tomaz teria lavado dinheiro para Weverton Rocha.
Willer Tomaz foi alvo de mandados de busca e apreensão na terça-feira anterior, 4 de agosto. Segundo a Polícia Federal, o advogado comprou uma casa de R$ 6 milhões em Brasília onde reside Weverton Rocha e repassou pelo menos R$ 11 milhões à esposa do senador, Samya Bernardes Rocha, por meio de suas empresas. Os investigadores descrevem Tomaz como um "hub financeiro, patrimonial e logístico" de políticos e afirmam ter encontrado diversos diálogos sobre pagamentos em dinheiro vivo.
Em nota, Tomaz repudiou a divulgação da fotografia, afirmando que ela foi "vazada ilegalmente" do celular de Weverton Rocha e não tem "qualquer relação com sua atividade profissional ou com os fatos noticiados". O advogado reforçou que "jamais teve qualquer envolvimento" com os fatos apurados na operação e que não figura como investigado. Sua defesa negou irregularidades e disse que ele não tem relação com desvios no INSS.
Weverton Rocha, por sua vez, afirmou que pedirá providências ao Supremo Tribunal Federal para investigar o "vazamento criminoso de fotos pessoais". O senador caracterizou a divulgação como uma tentativa de "distorcer fatos e reputações" e disse que a operação demonstra ter um "viés político-eleitoral". Ele enfatizou que a foto e sua família não têm qualquer conexão com a Operação Sem Desconto.
Entre os parlamentares na imagem, Paulo Azi confirmou conhecer Tomaz há alguns anos e reconheceu o encontro. Angelo Coronel disse não se lembrar da viagem, mas confirmou ter estado no rancho em outras ocasiões. Arthur Lira, através de sua assessoria, optou por não se manifestar. As equipes de Juscelino Filho, Efraim Filho, Elmar Nascimento e Alexandre Ramagem não responderam até o momento da publicação.
A fotografia não foi mencionada na decisão do ministro André Mendonça que autorizou a operação de terça-feira, mas está sendo analisada pelos investigadores como parte do contexto das relações comerciais do advogado. O achado coloca em evidência as conexões entre Tomaz e diversos membros do Congresso Nacional, levantando questões sobre a natureza dessas relações em um momento em que a investigação sobre fraudes previdenciárias e lavagem de dinheiro segue seu curso.
Citations marquantes
Jamais teve qualquer envolvimento com os fatos apurados na Operação Sem Desconto e não figura como investigado— Willer Tomaz, em nota
A ação demonstra viés político-eleitoral e a foto não tem qualquer conexão com a operação— Senador Weverton Rocha