Na madrugada de 30 de abril, o Monte Meron, no norte de Israel, foi palco de uma das maiores tragédias de massa do país em anos recentes: pelo menos 44 pessoas morreram esmagadas pela multidão durante a peregrinação de Lag Baomer, festividade que celebra o fim de uma antiga epidemia e a memória de um sábio talmúdico do século II. O que deveria ser um reencontro sagrado — o maior evento público desde o início da pandemia — tornou-se um lembrete doloroso de que a alegria coletiva, quando despreparada para seus próprios excessos, pode se converter em catástrofe. Israel, nação que avançava com vig
Pelo menos 44 morrem em tumulto durante peregrinação judaica no norte de Israel
Homens esmagados e inconscientes na confusão da noite
Como é possível que um evento religioso tão importante tenha se transformado em tragédia tão rapidamente?
Porque a segurança foi completamente desproporcional à realidade. As autoridades permitiram 10 mil pessoas, mas chegaram entre 30 e 100 mil. Quando você comprime essa quantidade de gente em um espaço limitado, especialmente à noite, ao redor de fogueiras, qualquer pequeno incidente vira caos.
Os relatos mencionam tanto um desabamento quanto uma "correria". Qual foi realmente a causa?
Ninguém sabia ao certo naquela madrugada. Os socorristas falavam em uma estrutura que pode ter cedido, mas também havia descrições de homens sendo esmagados na multidão. Provavelmente foi uma combinação: algo aconteceu, as pessoas começaram a se mover em pânico, e a aglomeração extrema transformou isso em tragédia.
Por que as autoridades permitiram que tantas pessoas comparecessem se havia um limite estabelecido?
Essa é a pergunta que Israel estava fazendo. A polícia despachara 5 mil agentes, mas não conseguiu controlar o fluxo. Os organizadores fretaram mais de 650 ônibus. Havia uma demanda reprimida: a celebração de 2020 havia sido cancelada pela pandemia, e as pessoas queriam estar lá.
O que significa que isso foi o maior evento público desde o início da pandemia?
Significa que Israel estava testando seus limites. A vacinação havia avançado, as restrições estavam sendo flexibilizadas, e as pessoas estavam ansiosas para voltar à vida normal. Este evento era um símbolo disso. E terminou em tragédia.
Como uma celebração que comemora o fim de uma epidemia antiga se tornou o cenário de uma tragédia moderna?
Há uma ironia cruel nisso. O Lag Baomer celebra a memória de um sábio e o fim de uma praga antiga. Mas a história não é linear. A celebração da vida pode se transformar em morte quando a segurança é negligenciada e a multidão é subestimada.
Der Puls
- Entre 30 mil e 100 mil devotos ignoraram o limite oficial de 10 mil pessoas, transformando o complexo do Monte Meron em uma massa humana sem saída segura.
- Após a meia-noite, um pânico repentino — possivelmente causado pelo colapso de uma estrutura metálica ou por uma correria em cascata — varreu a multidão compacta, deixando homens esmagados e inconscientes no chão.
- Sirenes de ambulâncias cortaram a madrugada enquanto helicópteros militares e 5 mil policiais tentavam evacuar corpos e feridos de um local ainda tomado pelo caos.
- O número de mortos subiu ao longo das primeiras horas: 38 confirmados no local, seis no hospital Ziv, com dezenas de feridos ainda sendo contabilizados.
- O primeiro-ministro Netanyahu e o líder da oposição Lapid uniram vozes em apelos públicos, enquanto investigações foram abertas para determinar as causas exatas do tumulto.
- A tragédia lança uma sombra sobre o modelo israelense de reabertura pós-pandemia e reacende o debate sobre segurança em grandes aglomerações religiosas.
Na madrugada de 30 de abril, o Monte Meron, no norte de Israel, foi palco de uma das maiores tragédias de massa do país em anos recentes: pelo menos 44 pessoas morreram esmagadas pela multidão durante a peregrinação de Lag Baomer, festividade que celebra o fim de uma antiga epidemia e a memória de um sábio talmúdico do século II. O que deveria ser um reencontro sagrado — o maior evento público desde o início da pandemia — tornou-se um lembrete doloroso de que a alegria coletiva, quando despreparada para seus próprios excessos, pode se converter em catástrofe. Israel, nação que avançava com vigor em sua campanha de vacinação, viu-se de luto não por um vírus, mas pelo peso de sua própria devoção.
Na madrugada de 30 de abril, dezenas de milhares de peregrinos se reuniram no Monte Meron, no norte de Israel, para celebrar o Lag Baomer — festividade judaica ortodoxa que honra a memória do Rabino Shimon Bar Yojai e comemora o fim de uma antiga epidemia. A celebração de 2021 era particularmente aguardada: a edição anterior havia sido cancelada pela covid-19, e Israel avançava com uma das campanhas de vacinação mais bem-sucedidas do mundo. Mas o que deveria ser uma noite de fé e alegria terminou em tragédia.
As autoridades haviam autorizado no máximo 10 mil pessoas no complexo. Os organizadores, no entanto, fretaram mais de 650 ônibus em todo o país. Estimativas apontaram entre 30 mil e 100 mil devotos presentes — uma multidão que se comprimia ao redor do túmulo do rabino, com fogueiras acesas como parte do ritual. Após a meia-noite, o pânico irrompeu. Relatos iniciais sugeriram o colapso de uma estrutura metálica ou uma correria em cascata. O socorrista Yehuda Gottleib descreveu ter encontrado homens esmagados e inconscientes na confusão.
As equipes de emergência mobilizaram helicópteros e o exército israelense enviou aeronaves para resgatar os feridos. Ao amanhecer, o balanço era de pelo menos 44 mortos e dezenas de feridos. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu convocou a população a orar pelos sobreviventes; o líder da oposição Yair Lapid disse acompanhar a situação com ansiedade. Investigações foram abertas para esclarecer as circunstâncias exatas do tumulto.
A tragédia do Monte Meron — a maior de massa em Israel em anos recentes — deixou o país em luto e reacendeu questões urgentes sobre segurança em grandes aglomerações, num momento em que a nação celebrava sua recuperação da pandemia.
Na madrugada de sexta-feira, 30 de abril, dezenas de milhares de pessoas se aglomeravam no Monte Meron, no norte de Israel, para celebrar Lag Baomer, uma festividade judaica ortodoxa que marca o fim de uma antiga epidemia. Antes do amanhecer, aquela que deveria ser uma noite de celebração se transformou em tragédia. Pelo menos 44 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas em um tumulto que varreu a multidão compacta reunida ao redor do túmulo do Rabino Shimon Bar Yojai, um sábio talmúdico do século II.
Os números das vítimas cresceram ao longo das primeiras horas. Socorristas contabilizaram 38 mortos no local, enquanto o hospital Ziv registrou seis óbitos adicionais. Equipes de resgate anunciaram "dezenas" de feridos. No meio da noite, sirenes de ambulâncias soavam perto do palco da tragédia enquanto os primeiros socorros evacuavam corpos e feridos. Um socorrista da United Hatzalah, Yehuda Gottleib, descreveu ter visto homens "esmagados" e "inconscientes" na confusão. As circunstâncias exatas que desencadearam o pânico não foram esclarecidas imediatamente, mas relatos iniciais sugeriram que uma estrutura metálica pode ter desabado, ou que uma "gigantesca correria" teria varrido a multidão.
O evento representava o maior ajuntamento público em Israel desde o início da pandemia de covid-19. As autoridades haviam autorizado apenas 10 mil pessoas no complexo do Monte Meron, mas os organizadores fretaram mais de 650 ônibus em todo o país, estimando pelo menos 30 mil participantes. A imprensa local calculou que até 100 mil devotos estavam presentes. Imagens postadas nas redes sociais mostravam uma procissão passando por uma multidão extremamente compacta, com devotos em pé ao redor de fogueiras, parte do ritual da celebração.
O Lag Baomer é uma celebração alegre que comemora a memória do Rabino Shimon Bar Yojai, a quem é atribuída a autoria do Zohar, obra central do misticismo judaico. A peregrinação anual ao Monte Meron é um dos maiores eventos religiosos do calendário judaico. Em 2019, antes da pandemia, os organizadores estimaram 250 mil pessoas no local. A celebração de 2020 havia sido cancelada devido às restrições da covid-19, tornando a edição de 2021 particularmente esperada pelos devotos.
O tumulto eclodiu após a meia-noite, causando pânico generalizado. Equipes de emergência mobilizaram helicópteros para resgatar os feridos, e o exército israelense confirmou ter enviado aeronaves para socorrer as vítimas. A polícia, que havia despachado 5 mil agentes para garantir a segurança do evento, relatou congestionamentos gigantescos nas estradas que levam ao norte do país. A Magen David Adom, equivalente israelense da Cruz Vermelha, havia registado anteriormente que várias pessoas sofreram desmaios devido ao calor, enquanto outras sofreram queimaduras provocadas pelas fogueiras.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tuitou em hebraico na noite de sexta-feira: "Grande desastre no Monte Meron", conclamando a população a "orar para salvar os feridos". O líder da oposição Yair Lapid declarou que "todo Israel ora pela cura dos sobreviventes" e disse estar acompanhando a evolução da situação com "ansiedade". A tragédia ocorria em um momento em que Israel havia avançado significativamente em sua campanha de vacinação contra a covid-19: desde dezembro, mais de cinco milhões de israelenses (53% da população) haviam recebido as duas doses da vacina, e cerca de 80% da população acima de 20 anos estava vacinada.
As investigações para esclarecer as circunstâncias exatas do tumulto estavam em andamento. O que havia começado como a maior celebração pública desde o início da pandemia terminou como uma das piores tragédias de massa em Israel em anos recentes, deixando a nação em luto e levantando questões sobre segurança em grandes aglomerações.
Bemerkenswerte Zitate
Grande desastre no Monte Meron. Orar para salvar os feridos.— Primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, em tuíte na noite de sexta-feira
Todo Israel ora pela cura dos sobreviventes— Yair Lapid, líder da oposição israelense