No primeiro semestre de 2026, a unidade atendeu 770 pacientes, sendo 53,43% provenientes do SUS, com idade média de 65 anos e 69,15% em gravidade elevada ou muito elevada. O HMC recebe pacientes de diferentes municípios com condições como infarto agudo do miocárdio, arritmias cardíacas, insuficiência cardíaca congestiva e acidente vascular cerebral isquêmico.
UTI Coronariana do HMC reforça referência regional em atendimento cardiovascular pelo SUS
Cuidar da saúde também significa olhar para a pessoa por trás de cada diagnóstico
Por que esses números importam? 770 internações em seis meses — é muito ou pouco?
Para uma UTI especializada em cardiologia, é um volume significativo. Mas o que importa mais é o perfil: 69% dos pacientes em gravidade elevada ou muito elevada. Não são casos leves.
Mas como sabemos que esses números refletem a realidade da região? Eles podem estar inflados porque o HMC é a única opção de referência.
Exatamente. O HMC recebe transferências de 113 pacientes de outras instituições. Isso mostra que não há alternativa na região para esses casos.
E quanto aos pacientes do SUS especificamente? 452 de 770 — por que não é 100%?
Porque o HMC também atende pacientes particulares e conveniados. Mas 53% do SUS é uma proporção alta para uma instituição filantrópica.
Aqui está o ponto: não sabemos se esses 452 pacientes do SUS recebem o mesmo padrão de atendimento que os particulares. A reportagem não diz.
Verdade. Mas as iniciativas de humanização — o prontuário afetivo, por exemplo — parecem ser para todos.
O que é esse prontuário afetivo?
É um documento onde o paciente compartilha informações pessoais, preferências, rotina, vínculos familiares. Ajuda a equipe a conhecê-lo além do diagnóstico.
Inovador, sim. Mas é uma iniciativa de uma instituição. Não deveria ser padrão em todo hospital público?
Deveria. Mas não é. Por isso o HMC se destaca.
E quanto ao futuro? Essa estrutura consegue acompanhar a demanda?
A reportagem não responde isso. Fala de investimentos recentes, mas não de projeções ou desafios de capacidade.
The Pulse
- 770 internações no primeiro semestre de 2026, sendo 452 pacientes do SUS (53,43%)
- Idade média dos pacientes: 65 anos; 69,15% em gravidade elevada ou muito elevada
- 113 pacientes recebidos por transferência de outras instituições de saúde
- Certificado Top Performer em UTI Cardiológica por dois anos consecutivos, única em Minas Gerais
No primeiro semestre de 2026, a unidade atendeu 770 pacientes, sendo 53,43% provenientes do SUS, com idade média de 65 anos e 69,15% em gravidade elevada ou muito elevada. O HMC recebe pacientes de diferentes municípios com condições como infarto agudo do miocárdio, arritmias cardíacas, insuficiência cardíaca congestiva e acidente vascular cerebral isquêmico.
A UTI Coronariana do Hospital Márcio Cunha realizou 770 internações no primeiro semestre de 2026, com 452 pacientes do SUS, consolidando sua posição como referência regional em atendimento cardiovascular de alta complexidade.
No primeiro semestre de 2026, a UTI Coronariana do Hospital Márcio Cunha, em Ipatinga, internalizou 770 pacientes. Desses, 452 vieram pelo Sistema Único de Saúde — pouco mais da metade dos atendimentos. Os números consolidam o que a instituição filantrópica já vinha demonstrando: que o HMC funciona como referência regional para casos cardiovasculares de alta complexidade, recebendo doentes de municípios vizinhos que precisam de cuidados que suas redes locais não conseguem oferecer.
Os pacientes que chegam à unidade carregam histórias de gravidade. A idade média é 65 anos. Segundo o índice SAPS III, que mede a severidade de quem está internado em terapia intensiva, quase 70% dos admitidos apresentavam quadros elevados ou muito elevados de gravidade. A unidade atende desde infartos agudos do miocárdio e arritmias cardíacas até insuficiência cardíaca congestiva, acidentes vasculares cerebrais isquêmicos e pacientes que saem de cirurgias cardíacas e vasculares. Três em cada quatro internações são casos clínicos; o restante, cirúrgicos. Cento e treze pacientes chegaram por transferência de outras instituições de saúde, um indicador de que o HMC é de fato o destino para os casos mais complexos da região.
Juarez Teixeira da Silva, trabalhador rural de 47 anos, morador de Açucena, é um desses pacientes. Há mais de uma semana, começou a sentir dores fortes no peito. Procurou atendimento em um serviço de saúde em Ipatinga, que o encaminhou para o Hospital Márcio Cunha. Não era a primeira vez que Juarez passava pela instituição — em 2021, havia feito um cateterismo lá. Desta vez, internado na UTI Coronariana, recebeu os cuidados que sua condição exigia. "O atendimento está sendo muito bom. É difícil até explicar", disse ele, refletindo sobre como a experiência o fez repensar sua relação com a própria saúde. "A gente passa a prestar mais atenção na saúde. Muitas das vezes, a gente trabalha, tem filhos e acaba deixando a própria saúde de lado. Mas é importante procurar atendimento e se cuidar."
A história de Juarez é uma entre centenas. O que a torna relevante é o que ela revela sobre o funcionamento do sistema: um paciente do SUS, de um município pequeno, conseguiu acesso a atendimento cardiovascular especializado porque existe uma instituição filantrópica com estrutura, tecnologia e equipe preparada para recebê-lo. A Fundação São Francisco Xavier, que opera o HMC, tem investido continuamente. Neste ano, adquiriu gasômetros para as UTIs — equipamentos que auxiliam na realização de exames e na avaliação clínica — e um console adicional de balão intra-aórtico, ampliando os recursos para casos cardiológicos específicos.
Mas a instituição não se limita a equipamentos. A UTI Coronariana mantém o reconhecimento Top Performer em UTI Cardiológica, sendo a única unidade em Minas Gerais a conquistar o certificado por dois anos consecutivos. Parte disso vem de uma aposta em humanização. Um exemplo é o prontuário afetivo, iniciativa que permite ao paciente compartilhar informações sobre sua vida, preferências, rotina, vínculos familiares e outros aspectos que ajudam a equipe a conhecê-lo para além do diagnóstico. Cartas de agradecimento de pacientes e familiares chegam regularmente à unidade.
Karina Pereira, coordenadora das UTIs do Hospital Márcio Cunha, resume o compromisso: "A UTI Coronariana tem um papel fundamental na assistência aos pacientes, recebendo pessoas de diferentes municípios que necessitam de cuidados especializados. Nosso compromisso é oferecer uma assistência segura, qualificada e humanizada." O diretor técnico, Dr. Alexandre Silva Pinto, vai além: "Ser referência regional também significa garantir que o paciente do SUS tenha acesso a uma estrutura capaz de oferecer atendimento especializado e de alta complexidade." Para ele, isso exige investimento contínuo em tecnologia, capacitação e processos assistenciais, sem abrir mão da humanização — porque cuidar da saúde significa olhar para a pessoa que está por trás de cada diagnóstico.
Os números do primeiro semestre de 2026 mostram que essa aposta está funcionando. Mas também apontam para uma realidade mais ampla: a dependência de instituições filantrópicas para que o SUS consiga oferecer atendimento de alta complexidade em regiões que não têm recursos públicos suficientes. O HMC absorve a demanda, mas a pergunta que fica é se essa estrutura conseguirá acompanhar o crescimento das necessidades cardiovasculares de uma população que envelhece.
Notable Quotes
Há mais de uma semana, senti muita dor no peito. Procurei atendimento e, de lá, fui encaminhado para o Hospital Márcio Cunha. O atendimento está sendo muito bom.— Juarez Teixeira da Silva, paciente da UTI Coronariana
Ser referência regional também significa garantir que o paciente do SUS tenha acesso a uma estrutura capaz de oferecer atendimento especializado e de alta complexidade.— Dr. Alexandre Silva Pinto, diretor técnico do HMC