Onze presos fogem de penitenciária no RN após cavar túnel por vaso sanitário

Onze presos em liberdade representam risco à segurança pública; um foi recapturado, deixando dez foragidos.
Toda responsabilidade só cai em cima de quem está na ponta
Vilma Batista, presidente do sindicato de policiais penais, sobre como os agentes de segurança carregam sozinhos o peso das falhas estruturais.
Mark

Por que um vaso sanitário? Parece quase cômico, mas há algo de deliberado nisso, não é?

Mimi

Exatamente. Um vaso é o último lugar onde alguém procuraria. Está ali, fixo, parte da rotina diária. Ninguém suspeita que ele possa ser removido. É invisibilidade através da familiaridade.

Mark

E levou uma semana inteira para cavar. Como ninguém ouve, ninguém vê?

Mimi

Essa é a pergunta que a governadora e o secretário estão fazendo agora. Se os policiais penais estivessem fazendo vistorias regulares, se houvesse protocolos sendo seguidos, alguém deveria ter notado. Mas segundo o sindicato, os policiais estão tão sobrecarregados com outras tarefas que as vistorias básicas não acontecem.

Mark

O sindicato culpa a gestão. Mas os policiais também têm responsabilidade, certo?

Mimi

Sim, mas o sindicato está dizendo que é injusto colocar toda a culpa neles. Eles são os que estão lá todos os dias, com recursos insuficientes, sem investimento em segurança. A gestão flexibilizou os procedimentos. Os policiais estão tentando fazer seu trabalho com as mãos atadas.

Mark

Isso já aconteceu antes. Em 2017, 91 presos fugiram por um túnel.

Mimi

Isso é o que assusta a governadora. Não é só um incidente — é um padrão. O mesmo método funcionou há nove anos. Se nada mudou fundamentalmente, por que esperaríamos um resultado diferente?

Mark

Dez homens ainda estão foragidos. Qual é o risco real?

Mimi

Depende de quem são. Alguns podem ser presos por crimes menores. Outros podem ser ligados às facções que causaram aquela rebelião de 2017. O estado não divulgou os nomes ou os crimes. Mas o fato de a governadora estar tão preocupada em não deixar o estado voltar ao caos de 2017 sugere que o risco é levado muito a sério.

  • Treze detentos rastejaram por um túnel cavado sob um vaso sanitário na madrugada de 31 de julho — sete dias de escavação silenciosa que ninguém dentro do presídio detectou.
  • Onze conseguiram pular o muro e sumir na noite; apenas um foi recapturado horas depois, deixando dez homens em liberdade e a segurança pública da região metropolitana de Natal sob tensão.
  • A governadora Fátima Bezerra chamou a fuga de inadmissível e evocou o fantasma de 2017 — quando 26 presos morreram em Alcaçuz e 91 escaparam por outro túnel em Parnamirim — prometendo que o estado não voltaria àquele caos.
  • O sindicato dos policiais penais denuncia que os alertas sobre falta de investimentos e flexibilização de procedimentos foram ignorados, e que a responsabilidade recai sempre sobre quem está na linha de frente.
  • O secretário de Administração Penitenciária anunciou apuração interna, mas a pilha de areia encontrada na cela já conta sua própria história: uma semana de trabalho invisível dentro de um sistema que não estava olhando.

Na madrugada de uma sexta-feira de julho, onze homens atravessaram o chão de uma penitenciária no Rio Grande do Norte e desapareceram na escuridão — não pela força, mas pela paciência silenciosa de quem cava por dias sem ser notado. O episódio em Nísia Floresta não é apenas uma falha de segurança pontual; é o retorno de um padrão que o estado já conhece bem, um espelho que reflete a distância entre as promessas de reforma e a realidade das celas. A pergunta que persiste não é só onde estão os dez foragidos, mas por que o aviso nunca foi ouvido a tempo.

Na madrugada de 31 de julho, treze detentos da Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, em Nísia Floresta, na região metropolitana de Natal, passaram por um túnel que eles mesmos haviam cavado durante pelo menos uma semana — a entrada ficava debaixo de um vaso sanitário arrancado da cela. Dois foram interceptados ainda dentro do presídio. Os outros onze pularam o muro e desapareceram. Um foi recapturado à tarde. Dez seguiam foragidos.

A governadora Fátima Bezerra acompanhou o caso desde as primeiras horas e não escondeu a gravidade do momento. Seu tom carregava o peso de um passado próximo: a mesma penitenciária fica ao lado de Alcaçuz, onde 26 presos morreram em uma rebelião em janeiro de 2017, e apenas quatro meses depois 91 detentos haviam escapado por um túnel em Parnamirim. O mesmo método, menos de uma década depois. Bezerra exigiu investigação rápida e prometeu que o Rio Grande do Norte não voltaria àquele caos.

Vilma Batista, presidente do sindicato dos policiais penais, foi direta: a fuga não foi um acidente isolado. Faltavam investimentos em segurança, os procedimentos técnicos haviam sido flexibilizados e os agentes eram desviados de vistorias básicas para outras demandas. O sindicato já havia alertado a secretaria. A fuga era a prova de que os avisos não foram ouvidos. "Para os policiais penais é muito triste e muito frustrante, tendo em vista que toda responsabilidade só cai em cima de quem está na ponta", disse.

O secretário Helton Edi Xavier anunciou apuração para verificar se os protocolos estavam sendo seguidos, mas confessou ter ficado impressionado com a quantidade de areia encontrada na cela — rastro silencioso de sete dias de escavação que ninguém havia notado. O estado buscava os foragidos e, ao mesmo tempo, tentava entender como havia permitido que a história se repetisse.

Na madrugada de sexta-feira, 31 de julho, onze homens desapareceram da Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, em Nísia Floresta, na região metropolitana de Natal. Eles saíram pelo mesmo caminho que cavaram com as próprias mãos: um túnel que começava debaixo de um vaso sanitário arrancado de uma cela. O método era simples, quase primitivo. A execução levou pelo menos uma semana de trabalho silencioso.

No total, treze detentos passaram pelo túnel naquela madrugada. Dois foram interceptados por policiais penais ainda dentro do presídio e levados de volta às celas. Os outros onze conseguiram pular o muro e desaparecer na escuridão. Horas depois, durante a tarde, um deles foi localizado e recapturado. Dez continuavam foragidos.

A governadora Fátima Bezerra, do PT, acompanhava o caso desde as primeiras horas da manhã. Ela chamou o ocorrido de inadmissível e exigiu uma investigação rápida, além da recaptura dos fugitivos. Seu tom revelava mais do que preocupação imediata: era o fantasma de um passado recente que a assombrava. A Penitenciária Rogério Coutinho Madruga havia sido conhecida como Pavilhão 5 de Alcaçuz justamente porque ficava ao lado da Penitenciária de Alcaçuz, onde 26 presos morreram em uma rebelião em janeiro de 2017. Aquela morte havia sido resultado de uma disputa entre facções — o Sindicato do Crime do Rio Grande do Norte e o PCC — pelos espaços dentro dos presídios. Bezerra deixou claro que não permitiria que o estado voltasse àquele caos. "Tenho total confiança e respeito pelos bons profissionais, mas eventuais erros devem ser apurados e os responsáveis levados à Justiça", disse.

O histórico do sistema penitenciário do Rio Grande do Norte tornava a situação ainda mais delicada. Em maio de 2017, apenas quatro meses após a rebelião de Alcaçuz, o estado havia registrado a maior fuga de sua história: 91 presos escaparam por um túnel cavado na Penitenciária Estadual de Parnamirim, também na região metropolitana de Natal. Agora, menos de uma década depois, o mesmo método funcionava novamente.

Vilma Batista, presidente do Sindicato dos Policiais Penais do Rio Grande do Norte, apontava para raízes mais profundas do problema. A fuga, segundo ela, não era um acidente isolado, mas consequência direta de escolhas administrativas. Faltavam investimentos em segurança. Os procedimentos técnicos haviam sido flexibilizados. Os policiais penais, aqueles que estavam na linha de frente todos os dias, não conseguiam nem realizar atividades básicas como vistorias internas e estruturais porque eram desviados para outras demandas. "Para os policiais penais é muito triste e muito frustrante, tendo em vista que toda responsabilidade só cai em cima de quem está na ponta", disse. O sindicato já havia alertado a secretaria sobre essas dificuldades. Agora, a fuga era a prova de que os avisos não haviam sido ouvidos.

Helton Edi Xavier, secretário de Administração Penitenciária, anunciou que seria realizada uma apuração para verificar se os protocolos de segurança estavam sendo seguidos. Ele disse ter ficado impressionado com a quantidade de areia encontrada na cela onde o túnel havia sido cavado. Xavier acreditava que os presos trabalhavam naquele túnel há pelo menos uma semana — sete dias de escavação que ninguém havia detectado. Era um fracasso que falava por si só.

Dez homens ainda estavam foragidos. O estado buscava recuperá-los e, ao mesmo tempo, tentar entender como havia permitido que isso acontecesse novamente.

É inadmissível o que aconteceu hoje. Tenho total confiança e respeito pelos bons profissionais, mas eventuais erros devem ser apurados e os responsáveis levados à Justiça
— Governadora Fátima Bezerra
O atual cenário é consequência direta de decisões da gestão, que flexibilizou procedimentos e deixou de priorizar a segurança
— Vilma Batista, presidente do Sindicato dos Policiais Penais do RN
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