O futebol, esporte que por décadas definiu a identidade coletiva do Brasil, vê sua influência encolher: uma pesquisa Datafolha de julho de 2026 revela que apenas 64% dos brasileiros ainda se interessam pelo jogo, oito pontos a menos do que em 2023. A queda, registrada dias após uma eliminação precoce da seleção na Copa do Mundo, não é apenas estatística — é um sinal de que a relação entre o país e seu esporte mais simbólico está em transformação. No horizonte, a Copa do Mundo feminina de 2027, sediada em solo brasileiro, surge como uma possível virada nessa história.
Futebol desperta interesse em 64% dos brasileiros, aponta Datafolha
O desinteresse subiu de 28% para 36% em três anos
Por que você acha que o futebol perdeu interesse em três anos? Não era para ser mais forte ainda?
A derrota na Copa do Mundo certamente abala. Mas oito pontos percentuais em três anos sugere algo mais profundo — talvez cansaço, talvez a competição de outras formas de entretenimento. O timing da pesquisa logo após a eliminação do Brasil não ajuda.
A diferença entre homens e mulheres é gritante. 77% contra 52%. Como você lê isso?
É um retrato de como o futebol foi construído no Brasil. Historicamente, o esporte foi vendido como coisa de homem. As mulheres que se interessam muitas vezes precisam navegar um espaço que não foi feito para elas. A Copa feminina de 2027 pode começar a mudar isso.
E a escolaridade? Por que quem tem ensino superior se interessa mais?
Pode ser acesso — pessoas com mais educação têm mais tempo e recursos para acompanhar futebol. Ou pode ser que o futebol seja consumido de formas diferentes. Quem tem fundamental talvez veja futebol como lazer passivo; quem tem superior pode estar mais engajado em análise, debate, consumo de conteúdo.
A Copa feminina consegue trazer de volta esses 13 milhões que saíram?
Não sabemos. Mas o Brasil tem histórico de se mobilizar em torno de competições internacionais. Se a seleção feminina jogar bem e o país abraçar o torneio, é possível. Não é garantido, mas é possível.
The Pulse
- Cerca de 13 milhões de brasileiros deixaram de se interessar por futebol em apenas três anos, uma erosão silenciosa que os números de 2026 tornam impossível de ignorar.
- A eliminação da seleção nas oitavas de final da Copa do Mundo, derrotada pela Noruega por 2 a 1, lançou uma sombra sobre o ânimo nacional justamente quando a pesquisa foi realizada.
- O abismo entre gêneros é gritante: 77% dos homens têm interesse no esporte, contra apenas 52% das mulheres, revelando que o futebol ainda não conquistou metade do país de forma igualitária.
- A escolaridade divide o interesse de forma surpreendente — quem tem ensino superior é mais apaixonado pelo esporte (75%) do que quem tem apenas o fundamental (49%).
- A CBF aposta na Copa do Mundo feminina de 2027 como catalisador de renovação, esperando que o torneio inspire novas gerações e reconquiste os milhões que se afastaram do jogo.
O futebol, esporte que por décadas definiu a identidade coletiva do Brasil, vê sua influência encolher: uma pesquisa Datafolha de julho de 2026 revela que apenas 64% dos brasileiros ainda se interessam pelo jogo, oito pontos a menos do que em 2023. A queda, registrada dias após uma eliminação precoce da seleção na Copa do Mundo, não é apenas estatística — é um sinal de que a relação entre o país e seu esporte mais simbólico está em transformação. No horizonte, a Copa do Mundo feminina de 2027, sediada em solo brasileiro, surge como uma possível virada nessa história.
Dois terços dos brasileiros dizem se interessar por futebol — um número expressivo, mas que esconde uma tendência preocupante. Pesquisa do Datafolha, realizada em 22 e 23 de julho com mais de dois mil entrevistados em 139 municípios, encontrou 64% com algum grau de interesse no esporte. Em 2023, esse índice era de 72%. A diferença de oito pontos percentuais representa, na prática, cerca de 13 milhões de pessoas que deixaram de se importar com o jogo.
O momento da pesquisa não é neutro. O levantamento foi feito logo após o encerramento da Copa do Mundo, na qual a Espanha derrotou a Argentina na final. O Brasil saiu cedo e decepcionado, eliminado pela Noruega nas oitavas por 2 a 1. É provável que o resultado tenha colorido o humor dos entrevistados.
A queda, porém, não atinge todos da mesma forma. Homens mantêm interesse elevado — 77% —, enquanto entre as mulheres o índice cai para 52%. A escolaridade também traça diferenças: apenas 49% dos que têm ensino fundamental se interessam pelo esporte, contra 75% dos que chegaram ao ensino superior. O desinteresse, por sua vez, subiu de 28% para 36% no total.
Há, no entanto, uma aposta no futuro. A Copa do Mundo feminina de 2027 será realizada no Brasil, e a CBF vê no torneio uma oportunidade de transformação. A seleção feminina chega em boa forma, com uma prata olímpica em Paris em 2024. O presidente da confederação, Samir Xaud, acredita que o Mundial pode inspirar meninas em todo o país e deixar um legado duradouro. Para reconquistar os patamares de 2023, o futebol precisaria atrair de volta cerca de 13 milhões de pessoas. É um desafio real — mas o Brasil já mostrou que sabe se mobilizar quando o jogo importa.
Dois terços dos brasileiros dizem que se interessam por futebol. Não é pouco, mas também não é tudo — e o número vem caindo. Uma pesquisa do Datafolha realizada em 22 e 23 de julho ouviu mais de dois mil pessoas em 139 municípios espalhados pelas cinco regiões do país e encontrou 64% com algum grau de interesse no esporte. Desses, 28% afirmam ter muito interesse e 35% têm um pouco. Os outros 36% simplesmente não se importam. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Esse número representa uma queda sensível em relação ao que o Datafolha havia medido três anos antes. Em 2023, 72% dos brasileiros declaravam interesse em futebol. A diferença de oito pontos percentuais não é trivial — significa que aproximadamente 13 milhões de pessoas deixaram de se interessar pelo esporte em um intervalo de três anos. O desinteresse, por sua vez, subiu de 28% para 36%.
O timing da pesquisa importa. O levantamento foi feito poucos dias após o encerramento da Copa do Mundo, quando a Espanha derrotou a Argentina na final. O Brasil, que deveria ser protagonista, saiu decepcionado. A seleção foi eliminada nas oitavas de final, perdendo por 2 a 1 para a Noruega em um resultado que chocou o país. É possível que essa derrota tenha influenciado o ânimo dos entrevistados.
Mas a queda não é uniforme. Homens e mulheres vivem o futebol de formas muito diferentes, segundo a pesquisa. Entre os homens, 77% têm interesse — 44% muito interesse, 33% um pouco. Entre as mulheres, o número cai para 52%, com apenas 14% declarando muito interesse e 38% um pouco. A margem de erro nesse recorte é de três pontos percentuais. A diferença de 25 pontos percentuais entre gêneros é o abismo mais profundo que a pesquisa revela.
A escolaridade também marca presença. Pessoas com ensino fundamental mostram o menor interesse: apenas 49% se importam com futebol, sendo 22% muito interessadas e 27% um pouco. O interesse sobe para 67% entre quem tem ensino médio — 32% muito, 35% um pouco. E chega a 75% entre pessoas com ensino superior, onde 29% têm muito interesse e 46% têm um pouco. As margens de erro variam entre três e quatro pontos percentuais nesses recortes.
O cenário pode mudar em breve. A Copa do Mundo feminina de 2027 será sediada no Brasil, e há esperança de que o torneio desperte novo interesse pelo futebol. A seleção feminina brasileira vem em boa forma — conquistou prata nos Jogos Olímpicos de 2024 em Paris e tem mostrado qualidade consistente nos últimos anos. Samir Xaud, presidente da Confederação Brasileira de Futebol, vê a competição como oportunidade transformadora. Ele afirmou que sediar o torneio é motivo de orgulho e que a expectativa é mostrar ao mundo a paixão brasileira pelo futebol, especialmente a força do futebol feminino. Para Xaud, o Mundial tem potencial de inspirar meninas em todas as regiões do país e deixar um legado duradouro.
Se a Copa feminina conseguir reverter a tendência, ela teria que conquistar aproximadamente 13 milhões de novos interessados para devolver o futebol aos patamares de 2023. É um desafio grande, mas não impossível. O Brasil tem tradição de se mobilizar em torno de competições internacionais. A questão agora é se o futebol feminino conseguirá fazer isso.
Notable Quotes
É motivo de muito orgulho sediar a Copa do Mundo feminina. Será uma oportunidade de mostrar ao mundo a nossa paixão pelo futebol e, principalmente, a força do futebol feminino brasileiro.— Samir Xaud, presidente da CBF