Netanyahu volta a falhar maioria nas quartas eleições em dois anos

O antigo aliado-rival pode estar prestes a voltar a ser aliado.
Bennett, do Nova Direita, ainda não disse a que bloco se junta depois das quartas eleições em dois anos.
Mark

Porque é que Bennett é tão importante nesta contagem?

Mimi

Porque sem ele o bloco de Netanyahu fica longe dos 61. Com o Nova Direita chega a 59, ainda assim insuficiente. E Bennett disse que só decide com os resultados finais.

Luke

Convém lembrar que a contagem estava em cerca de 90%. Os 59 lugares são uma projeção do bloco, não um número fechado.

Mark

E o Ra'am de Mansour Abbas?

Mimi

Abbas diz que não se alinha com nenhum bloco. Admitiu negociar com Netanyahu e o Likud já admite integrá-lo numa coligação.

Luke

Admitir não é acordar. Não há nenhum acordo anunciado, apenas declarações de disponibilidade de ambos os lados.

Mark

O que quer Abbas, afinal?

Mimi

Um programa que traga benefícios aos árabes israelitas, que se sentem cidadãos de segunda na distribuição de investimento e oportunidades. Não excluía apoiar leis que ajudassem Netanyahu a fugir ao processo.

Luke

Aí há que ser rigoroso: não excluir não significa que tenha prometido. O texto não indica que leis seriam essas.

Mark

E a oposição, pode fazer algo sem maioria?

Mimi

Pode tentar aprovar legislação que pressione Netanyahu a demitir-se, dependendo dos resultados e da coligação.

Luke

"Pode" é a palavra-chave. Ainda não se sabe se terá os votos para isso.

  • Com cerca de 90% dos votos contados, o Likud lidera, mas nenhum bloco chega aos 61 lugares necessários no Knesset.
  • Bennett, que lidera o Nova Direita, recusa revelar o seu jogo e promete esperar pelos resultados finais antes de decidir.
  • Mansour Abbas, do Ra'am, pode ser a peça que desequilibra a balança, e o próprio Likud já admite integrá-lo numa coligação.
  • A oposição de Lapid tenta construir uma alternativa e, com força suficiente, pode aprovar leis que forcem Netanyahu a demitir-se.
  • Se a aritmética falhar, a ameaça de uma quinta eleição paira sobre o país, e ninguém a quer.

Em Israel, a quarta ida às urnas em dois anos devolveu ao Likud o primeiro lugar, mas não a força para governar sozinho nem a qualquer coligação. Netanyahu fica assim refém de decisões que não controla, sobretudo as de Naftali Bennett, antigo aliado transformado em rival, e as do líder árabe Mansour Abbas. É mais um capítulo de um país cansado de eleições, onde o destino de um primeiro-ministro acusado de corrupção depende agora de aritmética e de consciências ainda por definir.

Na terça-feira à noite, depois de votar, Naftali Bennett limitou-se a dizer que faria "o que for bom para o Estado de Israel". A pergunta que todos fazem é simples: com quem ficará o Nova Direita quando a contagem terminar? Bennett já avisou Netanyahu de que o partido só decidirá depois dos resultados finais.

Israel voltou às urnas pela quarta vez em dois anos, e com quase todos os boletins contados o cenário repete-se. O Likud vence, mas sem maioria. Com o Nova Direita, o bloco de Netanyahu chega aos 59 lugares, dois abaixo dos 61 necessários. O antigo aliado, agora rival, pode vir a ser de novo aliado.

Do outro lado, o bloco anti-Netanyahu também fica aquém. Yair Lapid, do Yesh Atid, pode chegar aos 17 lugares e já fala com outros líderes sobre uma mudança de governo, prometendo fazer "tudo o que for possível" por um executivo sério. Mesmo sem maioria, a oposição pode pesar o suficiente para aprovar leis que pressionem Netanyahu, que enfrenta um processo judicial por corrupção.

A chave pode estar em Mansour Abbas, do Ra'am, partido árabe que saiu da Lista Unida. Abbas recusa comprometer-se com qualquer bloco e até admitiu negociar com Netanyahu. O Likud, por seu lado, admite agora integrá-lo numa coligação. Para Abbas, o objetivo é conseguir benefícios para os árabes israelitas, muitas vezes sentidos como "cidadãos de segunda" na distribuição de investimento e oportunidades.

O desfecho depende dos resultados finais e das escolhas de Bennett e Abbas. Sem eles, nenhum dos lados chega à maioria, e a alternativa que o Likud mais quer evitar é uma quinta eleição.

Na terça-feira à noite, depois de votar, Naftali Bennett disse apenas que faria "o que for bom para o Estado de Israel". Era uma resposta curta para uma pergunta que pesa sobre todo o país: com quem ficará o Nova Direita, o partido que lidera, quando a contagem terminar? Já tinha avisado Benjamin Netanyahu de que o partido vai esperar pelos resultados finais antes de decidir os passos seguintes.

Israel votou pela quarta vez em apenas dois anos, e com perto de 90% dos boletins contados o quadro repete-se. O Likud, o partido do primeiro-ministro, surge como vencedor, mas sem maioria. Netanyahu não tem um caminho claro para os 61 lugares no Knesset que garantiriam a maioria a qualquer coligação que consiga formar.

As contas, por agora, ficam aquém. Se incluir o Nova Direita, o bloco de Netanyahu pode reunir 59 lugares. Mas Bennett é um dos antigos aliados que se tornaram rivais do primeiro-ministro, e ainda não declarou qual dos blocos apoia. Na prática, o antigo aliado-rival pode estar prestes a voltar a ser aliado.

Do outro lado, o bloco anti-Netanyahu, que junta formações de esquerda, direita e centro, também não chega à maioria. O líder da oposição é Yair Lapid, do partido centrista Yesh Atid, que pode chegar aos 17 lugares. Lapid tinha substituído o antigo chefe do Exército Benny Gantz no segundo lugar das intenções de voto, depois de abandonar a aliança que os unia. Diz-se "orgulhoso" dos "grandes" sucessos do partido e garante que já começou conversas com alguns líderes do bloco pela mudança, que continuarão nos próximos dias. Fará, afirmou, "tudo o que for possível para estabelecer um governo são".

Mesmo sem maioria, a oposição pode ter peso. Dependendo dos resultados finais e da coligação formada, pode reunir força suficiente para aprovar legislação no Knesset e ameaçar a sobrevivência política de Netanyahu, tentando obrigá-lo a demitir-se. O primeiro-ministro enfrenta um processo judicial por corrupção e tráfico de influência.

Outra peça decisiva é Mansour Abbas, líder do Ra'am, partido árabe que saiu da Lista Unida, a formação que juntava todos os partidos árabes israelitas. Abbas insistiu que não se sente obrigado a declarar aliança a nenhum dos blocos, e durante a campanha admitiu negociar com Netanyahu. Agora que se sabe que o Ra'am passou o limiar mínimo para entrar no Parlamento, é o próprio Likud que admite integrá-lo numa possível coligação.

Tzachi Hanegbi, ministro do Governo em funções, explicou a preferência numa entrevista ao Channel 12: um governo com pelo menos 61 deputados que apoiem as ideias centrais do campo nacionalista. Se isso falhar, restam "possibilidades que não são desejadas mas que são melhores do que umas quintas eleições". Uma delas é Abbas fazer o que disse na campanha, apoiar qualquer coligação que apresente um plano para os assuntos do seu sector.

Isso significa um programa de governo que lhe permita obter benefícios para os árabes israelitas, habituados a sentirem-se "cidadãos de segunda", discriminados na distribuição de investimento e oportunidades. Para o conseguir, o líder do Ra'am não excluía apoiar leis que ajudem Netanyahu a escapar ao processo legal.

O desfecho depende agora dos resultados finais e das escolhas de Bennett e Abbas. Sem eles, nem Netanyahu nem Lapid chegam aos 61 lugares, e a alternativa que o Likud quer evitar é uma quinta eleição.

Farei apenas o que for bom para o Estado de Israel.
— Naftali Bennett, líder do Nova Direita
Farei tudo o que for possível para estabelecer um governo são no Estado de Israel.
— Yair Lapid, líder do Yesh Atid
Vuoi la storia completa? Leggi l'originale su PÚBLICO ↗
Contattaci Domande frequenti