Israel acorda diante de um daqueles impasses que testam a paciência de uma democracia: nenhum dos dois campos reuniu os 61 assentos que dão maioria no Knesset, e a chave da decisão passou a repousar nas mãos de um presidente cuja função, neste momento, é mais de mediador do que de árbitro. Netanyahu, Eisenkot e os partidos árabes, que somam 19 cadeiras e agora chegaram a seu maior número da história, encontram-se diante de uma mesma pergunta, que é menos aritmética do que moral: com quem se pode governar sem renunciar a si mesmo. A eleição, marcada por uma participação rara em décadas, mostrou
Eleições em Israel: sem maioria, Netanyahu e Eisenkot dependem dos partidos árabes para governar
Nenhum dos candidatos chegou às 61 cadeiras necessárias para formar governo
Nenhum bloco chegou aos 61. Qual é o quadro exato?
Netanyahu tem 53 cadeiras, Eisenkot 48 e os partidos árabes 19. Quem quiser governar precisa de 61.
E o que acontece agora?
Herzog tem uma semana para indicar quem tentará formar governo. O escolhido terá 28 dias, prorrogáveis por mais 14.
Vale notar que ele não precisa escolher quem tem mais cadeiras. Basta quem ele julgue ter mais chances. Como ele decidirá, a reportagem não diz.
Por que os partidos árabes ganharam tanto peso?
Elegeram 19 cadeiras, quase o dobro das 10 atuais, um recorde. O texto atribui isso à indignação da comunidade árabe com a atuação de Netanyahu.
Essa explicação é a leitura da reportagem, sem dados de pesquisa que a sustentem. O que está confirmado é o número de cadeiras e a participação de 77,9%.
E a acusação de fraude?
Netanyahu acusou fraude sem apresentar provas, e a Comissão Eleitoral Central rejeitou as alegações como infundadas.
Aqui a distinção é clara: a acusação não tem provas apresentadas, e a negativa vem do órgão eleitoral. Já a fala de Jabareen sobre racismo é a posição de um líder partidário.
Uma aliança judaico-árabe é provável?
Ainda é incerto. O bloco de Eisenkot resiste, e só alguns membros, como Yair Golan, sinalizam abertura. Não há acordo anunciado.
El Pulso
- Netanyahu tem 53 cadeiras, Eisenkot 48 e nenhum dos dois chega às 61 necessárias para governar.
- Os partidos árabes, com 19 assentos, viraram o fiel da balança e colocam em xeque tabus antigos da política israelense.
- Netanyahu acusou fraude sem provas, e a Comissão Eleitoral Central rejeitou as alegações com firmeza.
- Herzog tem uma semana para escolher o indicado, que terá 28 dias para costurar uma coalizão, sob ameaça de novas eleições.
Israel acorda diante de um daqueles impasses que testam a paciência de uma democracia: nenhum dos dois campos reuniu os 61 assentos que dão maioria no Knesset, e a chave da decisão passou a repousar nas mãos de um presidente cuja função, neste momento, é mais de mediador do que de árbitro. Netanyahu, Eisenkot e os partidos árabes, que somam 19 cadeiras e agora chegaram a seu maior número da história, encontram-se diante de uma mesma pergunta, que é menos aritmética do que moral: com quem se pode governar sem renunciar a si mesmo. A eleição, marcada por uma participação rara em décadas, mostrou um país dividido não apenas entre visões de futuro, mas sobre quem tem direito de fazer parte da conta final.
Terminada a apuração, Israel amanheceu sem vencedor. O bloco de Netanyahu somou 53 cadeiras, o de Eisenkot 48, e os partidos árabes elegeram 19, número recorde que quase dobra a bancada anterior. A participação de 77,9% foi a maior em décadas, e reflete a mobilização de uma comunidade árabe israelense indignada com a condução do premiê, que representa cerca de 20% do eleitorado.
O presidente Isaac Herzog agora decide, em uma semana, qual dos indicados terá a primeira chance de formar governo. Ele pode escolher quem julgar mais capaz de reunir apoio, não necessariamente quem tem mais cadeiras. Se o primeiro fracassar, outro nome terá sua vez, e, esgotadas as etapas, o Knesset será dissolvido e novas eleições convocadas.
Netanyahu acusou fraude sem apresentar provas, e a Comissão Eleitoral Central rejeitou a acusação. Lideranças árabes reagiram com dureza, acusando o premiê de negar a legitimidade de quase um milhão de cidadãos. Do lado da oposição, a aliança judaico-árabe é vista como o caminho mais viável, embora Eisenkot tenha afirmado que não faria acordos com o atual primeiro-ministro. A próxima palavra é de Herzog, e dela depende se Israel terá governo ou voltará às urnas.
Terminada a apuração dos votos em Israel, o país amanheceu diante de um impasse. Nenhum dos candidatos chegou às 61 cadeiras necessárias para formar governo no Knesset. O bloco de Benjamin Netanyahu somou 53, o de Gadi Eisenkot ficou com 48, e os partidos árabes elegeram 19.
A partir daqui, o relógio institucional começa a andar. O presidente Isaac Herzog terá uma semana, contada a partir da comunicação do resultado oficial, para decidir qual dos indicados a primeiro-ministro terá a chance de montar uma coalizão. Ele não precisa escolher quem tem mais parlamentares eleitos, e sim aquele que julgar ter mais chances de reunir o apoio necessário.
O escolhido terá 28 dias, prorrogáveis por mais 14, para costurar alianças e chegar às 61 cadeiras. Se fracassar, Herzog poderá indicar um segundo nome, com outros 28 dias, desta vez sem prorrogação. Se este também não conseguir, os deputados terão 21 dias para propor um candidato, que disporá de mais 14 dias para formar governo. Esgotada essa etapa, o Knesset é dissolvido e novas eleições são convocadas.
Os números colocam os partidos árabes no centro da equação: para governar, Netanyahu ou Eisenkot terá de buscar algum tipo de aliança com eles. Essa é a primeira eleição desde os ataques do Hamas, em 7 de outubro de 2023, e da resposta israelense na Faixa de Gaza. Nenhum dos dois campos pretende interromper a ofensiva no território palestino.
As 19 cadeiras árabes são um recorde, quase o dobro das 10 que a bancada tinha até agora. O avanço foi impulsionado pela indignação da comunidade árabe israelense com a atuação de Netanyahu. Esses eleitores são descendentes dos palestinos que permaneceram no território após a criação de Israel e representam cerca de 20% do eleitorado. A participação geral foi de 77,9% dos eleitores aptos, a maior em décadas.
O resultado levou Netanyahu a acusar as eleições de fraude, sem apresentar provas. A Comissão Eleitoral Central rejeitou as alegações em comunicado divulgado nesta sexta-feira (30/10), reiterando a fala do diretor interino Dean Livne, na quinta-feira (29/10): as notícias publicadas ao longo do dia seriam "totalmente infundadas". Os partidos árabes também reagiram. Yousef Jabareen, líder da coligação de esquerda Joint List, afirmou que Netanyahu não aceita que o público árabe votou e decidiu, e acusou o premiê e seus aliados na mídia de tentar negar a legitimidade de quase um milhão de cidadãos, no que chamou de trama racista.
Por ora, o caminho mais viável para a oposição tirar Netanyahu do poder é uma aliança judaico-árabe. O bloco de Eisenkot resiste a essa ideia, mas alguns integrantes já acenam com ela. Yair Golan, líder do principal partido de esquerda e parte do campo de Eisenkot, disse que farão tudo para estabelecer um governo de mudança e salvação, por ser essa a vontade do eleitor.
Há ainda a hipótese de uma união entre partidos dos dois blocos, mas Eisenkot declarou, antes mesmo da votação, que não faria acordos nem entraria em governo liderado pelo atual primeiro-ministro. A próxima decisão é de Herzog, e dela dependerá se Israel terá governo ou voltará às urnas.
Citas Notables
As notícias publicadas ao longo do dia são totalmente infundadas.— Dean Livne, diretor interino da Comissão Eleitoral Central
Faremos tudo para estabelecer um governo de mudança e salvação, porque esta é a vontade do eleitor.— Yair Golan, líder do principal partido de esquerda de Israel