Às vésperas de uma votação que pode redesenhar o poder em Israel, Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior que já foi indicado pelo próprio Netanyahu, surge como o rival capaz de encerrar três décadas de domínio político do primeiro-ministro. Sua promessa é a de reunir um país dividido pela guerra e pela polarização, ainda que suas posições sobre Gaza e a Cisjordânia pouco se afastem do que o governo já defende. A história que se desenha é menos a de um salvador do que a de um homem de farda que tenta converter a autoridade militar em mandato civil, e cujo destino dependerá, no fim, de alianças
Gadi Eisenkot, ex-chefe militar, surge como principal rival de Netanyahu em eleição decisiva em Israel
Netanyahu o nomeou chefe do Exército; agora Eisenkot quer derrotá-lo nas urnas
Por que Eisenkot é visto como uma ameaça real a Netanyahu?
Porque une popularidade e um currículo que o próprio Netanyahu ajudou a construir: foi ele quem o nomeou chefe do Estado-Maior em 2015.
E o que ele muda, na prática, em relação ao governo atual?
Em Gaza e na Cisjordânia, pouco. Rejeita um Estado palestino e apoia assentamentos. A diferença está nas instituições: revogar a reforma judicial, investigar o 7 de outubro, acabar com a isenção dos ultraortodoxos.
Vale separar o que é promessa do que está garantido. Derrotar o Hamas em 18 meses é um compromisso de campanha, não algo que o texto mostre ser viável.
Há também a dimensão pessoal, não?
Sim. Ele soube da morte do filho Gal Meir, de 25 anos, durante uma reunião do gabinete de guerra. Saiu do governo em junho de 2024.
E a acusação de que Netanyahu sabotou as negociações pelos reféns é de Eisenkot. O texto a apresenta como acusação dele, não como fato apurado.
As pesquisas o favorecem?
O texto diz apenas que o bloco de centro-direita ameaça a coalizão governista. Não traz números nem garante vitória.
E mesmo vencendo, ele precisará de aliados para governar.
Il Polso
- A campanha termina sob tensão: as pesquisas indicam que o bloco de centro-direita ameaça a coalizão governista de Netanyahu.
- Eisenkot ergue a bandeira da alternância, dizendo que Netanyahu 'deve voltar para casa' e que o desejo de mudança nunca foi tão forte.
- O luto pessoal atravessa a disputa: seu filho mais novo, Gal Meir, de 25 anos, morreu como reservista em Gaza, e a notícia chegou durante uma reunião do gabinete de guerra.
- Eisenkot tenta se desvencilhar de sua antiga ligação com o governo, após deixar o cargo em 2024 acusando Netanyahu de sabotar as negociações pelos reféns.
- Mesmo que vença, o caminho segue incerto: ele precisará de aliados para formar governo, e é nessa negociação que a eleição pode se definir.
Às vésperas de uma votação que pode redesenhar o poder em Israel, Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior que já foi indicado pelo próprio Netanyahu, surge como o rival capaz de encerrar três décadas de domínio político do primeiro-ministro. Sua promessa é a de reunir um país dividido pela guerra e pela polarização, ainda que suas posições sobre Gaza e a Cisjordânia pouco se afastem do que o governo já defende. A história que se desenha é menos a de um salvador do que a de um homem de farda que tenta converter a autoridade militar em mandato civil, e cujo destino dependerá, no fim, de alianças ainda por costurar.
Na noite de domingo (25), véspera das eleições legislativas, Gadi Eisenkot, de 66 anos, subiu ao palco do último comício da campanha diante de seus apoiadores. Ex-chefe das Forças Armadas, ele é hoje o principal rival do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu na votação de terça-feira (27). Disse que não quer que um lado prevaleça sobre o outro e prometeu reunir todos os israelenses, dos que votaram nele e dos que não votaram.
Sua trajetória é a de um militar de carreira, que começou como soldado na Brigada Golani e chegou, em 2015, ao comando do Exército, indicado justamente por Netanyahu. Na política desde 2022, aliou-se a Benny Gantz e, após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, entrou no governo em nome da unidade nacional, com assento no gabinete de guerra. Foi durante uma reunião desse grupo que recebeu a notícia da morte de seu filho mais novo, Gal Meir, reservista que servia em Gaza.
Em junho de 2024, deixou o governo, acusando Netanyahu de sabotar deliberadamente as negociações pelos reféns para atender à extrema direita. Em 2025, fundou o partido Yashar, algo como "direto ao ponto". Apesar da pouca experiência política, mantém grande popularidade, embora seus posicionamentos sobre Gaza, a Cisjordânia e os assentamentos pouco divirjam do governo atual, incluindo a oposição a um Estado palestino.
Sua promessa de ruptura atrai eleitores cansados da polarização. Filho de imigrantes marroquinos, ele seria, se vencer, o primeiro chefe de governo sefardita de Israel. Mas a vitória nas urnas é só o primeiro passo: a coalizão que ele conseguir costurar é que dirá, de fato, o que o eleitorado decidiu.
Na noite de domingo (25), às vésperas das eleições legislativas de Israel, Gadi Eisenkot, de 66 anos, reuniu seus apoiadores para o último comício da campanha. Ex-chefe das Forças Armadas, ele é hoje o principal rival do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu na votação de terça-feira (27). Diante da plateia, disse que seu objetivo não é fazer um lado prevalecer sobre o outro e prometeu reunir de novo todos os israelenses, tanto os que votaram nele quanto os que não votaram.
O discurso final girou em torno de transparência, fortalecimento das instituições e senso de responsabilidade do Estado. Eisenkot pediu alternância de poder, afirmando que Netanyahu "deve voltar para casa" e que o espírito da mudança está mais forte do que nunca. Também prometeu romper com o modelo de governança do adversário, figura central da política israelense há cerca de três décadas. "No fundo, vocês sabem que Israel não pode continuar assim", declarou. As pesquisas mostram que o bloco de centro-direita ameaça a coalizão governista.
A trajetória de Eisenkot é a de um militar de carreira. Começou como soldado na Brigada Golani, unidade conhecida por sua atuação no Líbano, e percorreu todos os postos da hierarquia até chegar ao comando da força. Em 2015, tornou-se o 21º chefe do Estado-Maior do Exército israelense, indicado justamente por Netanyahu, hoje seu principal adversário.
A entrada na política veio em 2022, quando se uniu à aliança de centro liderada por Benny Gantz, seu antecessor no comando militar, e foi eleito deputado ao Knesset. Após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza, decidiu integrar o governo de Netanyahu em nome da unidade nacional. Como ministro sem pasta, entrou no gabinete de guerra e participou das decisões sobre a ofensiva. Foi numa reunião desse grupo que soube da morte de seu filho mais novo, Gal Meir Eisenkot, de 25 anos, reservista que servia em Gaza.
Em junho de 2024, Eisenkot deixou o governo. Acusou Netanyahu de ter comprometido deliberadamente as negociações pela libertação dos reféns mantidos em Gaza, por ter cedido à pressão de aliados da extrema direita. Em 2025, fundou o partido Yashar, algo como "direto ao ponto".
Apesar da pouca experiência política, goza de grande popularidade. Suas posições sobre o conflito israelense-palestino pouco divergem das do governo atual: opõe-se à criação de um Estado palestino, promete derrotar o Hamas em até 18 meses e apoia a expansão dos assentamentos na Cisjordânia, considerados ilegais pelo direito internacional. Ao mesmo tempo, promete acabar com a impunidade de colonos envolvidos em ataques recorrentes contra civis palestinos. Defende ainda revogar a reforma judicial do governo Netanyahu, criar uma comissão de investigação sobre o 7 de outubro e encerrar a isenção de serviço militar dos judeus ultraortodoxos, tema que há anos divide a sociedade e a classe política.
A proposta de ruptura atrai eleitores cansados da polarização. Filho de imigrantes marroquinos e de origem muito humilde, Eisenkot seria, se vencer, o primeiro chefe de governo sefardita de Israel, grupo de judeus originários do Norte da África e do Oriente Médio. Mas mesmo que termine em primeiro lugar, precisará buscar aliados para formar uma coalizão de governo, e é nessa negociação que a eleição pode, de fato, se decidir.
Citazioni salienti
Nosso objetivo não é que um lado prevaleça sobre o outro.— Gadi Eisenkot, em comício no domingo (25)
No fundo, vocês sabem que Israel não pode continuar assim.— Gadi Eisenkot, último discurso de campanha