Netanyahu é criticado por sugerir criptomoedas para contornar sanções a Israel

Uma economia paralela, para o caso de sanções
Netanyahu sugeriu criptomoedas para contornar sanções, e o Banco de Israel o repreendeu.
Mark

Em termos simples, o que Netanyahu propôs?

Mimi

Ele disse que Israel precisa de uma economia paralela caso haja sanções, inclusive contra bancos. Quando perguntaram se eram criptomoedas, respondeu "exatamente, exatamente" e citou também o blockchain.

Mark

Por que a reação do Banco de Israel chama tanta atenção?

Mimi

Porque é rara. O banco disse que cripto não serve para contornar sanções e que o foco deve ser evitar as sanções, preservando as relações com os parceiros comerciais.

Luke

Vale notar que não há detalhes de um plano concreto na reportagem. Só sabemos o que ele disse numa entrevista: quais moedas, que escala, que prazo, nada disso aparece.

Mark

E a carta dos economistas?

Mimi

Mais de 100 assinaturas, incluindo Jacob Frenkel e Nobéis. Eles falam em desemprego, fuga de investimento e queda do padrão de vida, com África do Sul, Irã e Rússia como exemplos.

Luke

Mas isso são projeções dos signatários, não resultados medidos. E a carta tem tom claramente político, às vésperas da votação.

Mark

A oposição também reagiu forte.

Mimi

Eisenkot falou em "loucura" e Lapid em filas de pão. São frases de campanha.

Luke

Exato: a fila de pão é retórica de adversário, não previsão sustentada por dados na reportagem.

Mark

O que está em jogo na terça?

Mimi

As pesquisas apontam possível impasse, sem maioria clara para nenhum bloco.

  • Netanyahu sugere uma economia paralela e moedas capazes de driblar sanções, provocando alarme imediato em Israel.
  • O Banco de Israel faz uma rara repreensão pública, afirmando que criptomoedas não servem para contornar sanções.
  • Mais de 100 economistas, incluindo ex-dirigentes do Banco de Israel e laureados com o Nobel, alertam para desemprego e fuga de investimentos.
  • Adversários como Gadi Eisenkot e Yair Lapid tratam o plano como loucura, enquanto a eleição de terça-feira pode terminar em impasse.

Às vésperas de uma eleição que pode definir seu destino político, Benjamin Netanyahu levou ao centro da disputa uma pergunta antiga e delicada: até onde um país pode se proteger do isolamento sem se fechar sobre si mesmo. Ao sugerir uma economia paralela ancorada em criptomoedas para contornar eventuais sanções, ele tocou em temores coletivos sobre dependência e sobrevivência, e provocou reações de economistas, da oposição e do próprio Banco de Israel. A controvérsia revela menos um debate técnico sobre moedas digitais do que um embate sobre que tipo de futuro se quer para a nação.

Às vésperas de uma eleição que pode decidir seu futuro político, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que Israel precisa estruturar uma "economia paralela" para se proteger de possíveis sanções, inclusive contra bancos. Questionado sobre criptomoedas, respondeu "exatamente, exatamente" e citou a tecnologia blockchain como alternativa. A ideia deslocou o debate eleitoral para a economia.

A reação mais incomum veio do Banco de Israel, que fez uma rara repreensão pública. Para a instituição, criptomoedas não podem servir para contornar sanções, e o caminho correto é preservar as relações comerciais com os principais parceiros e evitar que as sanções se concretizem.

No domingo, mais de 100 economistas, entre eles ex-integrantes do Banco de Israel, o ex-presidente Jacob Frenkel e vários laureados com o Nobel, assinaram uma carta de alerta. Citando África do Sul, Irã e Rússia como exemplos, afirmam que a medida aumentaria o desemprego, afastaria investimentos e reduziria drasticamente o padrão de vida, prejudicando inclusive a capacidade de financiar a segurança do país. O texto acusa Netanyahu de conduzir o país ao isolamento.

Na oposição, Gadi Eisenkot classificou o plano como "loucura" e temeu que empresas deixem Israel. Yair Lapid disse que Netanyahu "perdeu completamente o rumo". Netanyahu, por sua vez, defendeu seu histórico, pediu votos e afirmou que ainda tem dois anos para trabalhar com Donald Trump na derrubada dos governantes do Irã.

As pesquisas apontam risco de impasse, sem maioria clara para nenhum dos blocos. Na terça-feira, as urnas mostrarão se a polêmica sobre sanções e criptomoedas terá peso decisivo.

Às vésperas de uma eleição que pode decidir seu futuro político, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse algo que acabou deslocando o debate para a economia: o país, afirmou, precisa estruturar uma "economia paralela" para se proteger de possíveis sanções, inclusive contra os bancos.

Segundo Netanyahu, existem moedas capazes de contornar sanções, e o governo também trabalha nisso. Questionado se falava de criptomoedas, respondeu "exatamente, exatamente". Acrescentou que a tecnologia blockchain seria outra alternativa.

A reação mais incomum veio do Banco de Israel, que fez uma rara repreensão pública. A instituição afirmou que as criptomoedas não podem servir de instrumento para contornar sanções e que os líderes políticos deveriam se concentrar em políticas que tornem tais medidas desnecessárias. Para o banco, o caminho correto é preservar as relações econômicas com os principais parceiros comerciais e dedicar esforços a evitar sanções e seus efeitos negativos sobre a economia.

Neste domingo (25), mais de 100 economistas assinaram uma carta manifestando preocupação com a proposta. Entre eles estão ex-integrantes do Banco de Israel, o ex-presidente da instituição Jacob Frenkel e diversos vencedores do Prêmio Nobel. Na avaliação deles, a medida levaria a mais desemprego, à queda do investimento estrangeiro e ao colapso da posição econômica de Israel no cenário internacional.

A carta cita África do Sul, Irã e Rússia, países que sofreram sanções semelhantes. Segundo os signatários, o padrão de vida dos israelenses cairia drasticamente, e a capacidade do Estado de financiar sua segurança e se defender de seus inimigos seria severamente prejudicada. O texto acusa Netanyahu de conduzir deliberadamente o país ao boicote e ao isolamento econômico internacional, oferecendo como solução uma ideia associada a organizações criminosas, que "não ajudará em absolutamente nada".

O principal adversário de Netanyahu na votação de terça-feira, Gadi Eisenkot, chamou o plano de "loucura" e disse temer que a política apelidada de "BibiCoin" leve empresas a deixar o país e comprometa a segurança nacional. O líder da oposição, Yair Lapid, foi além: disse que Netanyahu "perdeu completamente o rumo" e que prometia aos israelenses, na véspera da eleição, uma hora e meia de fila para comprar pão, como na Rússia e no Irã.

Neste domingo, Netanyahu voltou a defender seu histórico e pediu votos. Afirmou que ele e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda têm dois anos para trabalhar juntos na derrubada dos governantes do Irã.

As pesquisas indicam risco de impasse: nem a coalizão governista nem a aliança da oposição conseguiriam, até aqui, maioria parlamentar suficiente para formar governo. Terça-feira dirá se a discussão sobre sanções e criptomoedas pesa nas urnas.

Pode haver sanções, inclusive contra os bancos, então é preciso estruturar uma economia paralela.
— Benjamin Netanyahu
O caminho correto é preservar nossas relações econômicas com nossos principais parceiros comerciais.
— Banco de Israel
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