Moradores vivem em barracas após cheia do Rio Uruguai no RS

Aproximadamente 500 pessoas desabrigadas em Uruguaiana, incluindo bebês prematuros de três meses vivendo em abrigos; famílias vivem em barracas improvisadas com água atingindo até um metro de profundidade em suas casas.
Hoje mesmo de manhã eu fui lá ver minha casa, me deu pena
Eva Maria Farias, aposentada que vive em barraca após a cheia do Rio Uruguai inundar sua casa em Uruguaiana.
Mark

Por que essas pessoas escolhem ficar em barracas em vez de ir para abrigos? Parece mais confortável estar protegido.

Mimi

Eva e Rosa dizem que é pela privacidade e por ficar perto de casa. Quando você perde tudo, estar próximo ao que sobrou é importante — você pode monitorar, você pode tentar salvar algo, você não se sente completamente deslocada.

Luke

Mas a reportagem não explica se os abrigos são ruins, se faltam recursos, ou se é realmente só uma questão de preferência pessoal. Sabemos que Eva e Rosa escolhem ficar, mas não sabemos por que outras 500 pessoas não têm essa escolha.

Mark

E as gêmeas? Como é possível um bebê prematuro de três meses estar em um abrigo durante uma enchente?

Mimi

Elas nasceram com 32 semanas, então já têm alguma resistência. A mãe diz que dormem bem à noite, que acordam só para mamar. Mas é a segunda inundação do ano para essa família — elas nasceram em meio a uma crise.

Luke

A reportagem não diz se há cuidados médicos no abrigo, se há pediatra, se há estrutura para bebês prematuros. Sabemos que elas estão lá, mas não sabemos se estão seguras.

Mark

O Rio Uruguai ainda estava subindo quando a reportagem foi publicada. Isso significa que mais gente poderia ser desabrigada?

Mimi

Sim. O Serviço Geológico alertava que o nível continuaria a subir em Uruguaiana, São Borja e Itaqui. O alerta vermelho seguia até terça-feira. Ninguém sabia ainda qual seria o pico.

Luke

Mas não há números sobre quantas pessoas poderiam ser afetadas se o rio subisse mais. É tudo baseado no que já aconteceu — quase 500 desabrigados — mas não há projeção.

  • O Rio Uruguai transborda e ainda não atingiu seu pico, mantendo quase 500 pessoas fora de casa na Fronteira Oeste com alerta vermelho até terça-feira.
  • Água de até um metro de profundidade invadiu residências inteiras, forçando famílias a abandonar tudo em questão de horas — algumas pela segunda vez no mesmo ano.
  • Muitas famílias recusam os abrigos oficiais e montam barracas no próprio quintal, escolhendo a precariedade familiar à segurança impessoal dos alojamentos coletivos.
  • Bebês prematuros de três meses vivem em abrigos enquanto suas mães aguardam o momento de retornar a casas ainda submersas.
  • A Defesa Civil e o Serviço Geológico monitoram a elevação do rio em Uruguaiana, São Borja e Itaqui, sinalizando que o cenário pode se agravar antes de melhorar.

Às margens do Rio Uruguai, em Uruguaiana, centenas de famílias enfrentam mais uma vez a força das águas que invadiram seus lares em outubro de 2026. Enquanto o rio permanece 1,30 metro acima da cota de inundação e continua subindo, cerca de 500 pessoas reorganizam a vida em barracas improvisadas ou abrigos coletivos, suspensas entre o que perderam e o que esperam recuperar. É uma história antiga naquela fronteira — a de comunidades que aprenderam a sobreviver às enchentes sem jamais se acostumar à dor que elas trazem.

Eva Maria Farias tem 70 anos, é aposentada, e acorda cedo para visitar o que resta de sua casa — cômodos com quase um metro de água onde antes havia vida cotidiana. Em vez de aceitar um abrigo da prefeitura, ela escolheu montar uma barraca no próprio quintal, onde dorme com uma filha e cinco netos. A razão é simples: privacidade e proximidade. Ali, naquele espaço mínimo, a família reorganiza a rotina enquanto espera as águas recuarem.

Na mesma rua, Rosa Maria Minho Viana repete um ritual que conhece há décadas. Nascida na região, ela mesma armou a barraca onde vive com o filho, enquanto filha, genro e neto ocupam outra estrutura ao lado. Tudo precário, mas tudo seu — uma forma de resistência silenciosa que a enchente não conseguiu apagar.

Nem todos ficaram perto de casa. Rosicler Soares da Silva saiu no dia 6 de outubro com o marido e as três filhas para um abrigo coletivo. As duas mais novas, as gêmeas Julia e Maria Antônia, têm apenas três meses — nascidas prematuras, com 32 semanas. Era a segunda inundação do ano para essa família. Mesmo assim, as bebês dormem a noite toda no abrigo, alheias ao caos, acordando apenas nos horários das mamadas.

No dia 13 de outubro, o Rio Uruguai marcava 1,30 metro acima da cota de inundação em Uruguaiana, e o Serviço Geológico do Brasil alertava que o nível seguiria subindo em Uruguaiana, São Borja e Itaqui. Com quase 500 pessoas desabrigadas na Fronteira Oeste e alerta vermelho da Defesa Civil mantido até terça-feira, a região aguarda — entre barracas, abrigos e casas submersas — o momento em que as águas, enfim, comecem a ceder.

Eva Maria Farias acordou cedo e foi ver o que restava de sua casa. A água tinha invadido tudo — quase um metro de profundidade nos cômodos onde ela e sua família viviam. Agora, aos 70 anos, aposentada, ela dorme em uma barraca armada no quintal, junto com uma de suas filhas e cinco netos. Quando voltou de lá naquela manhã, o peso do que vira a deixou sem palavras. "Hoje mesmo de manhã eu fui lá ver minha casa, me deu pena", disse ela, simples e direto.

Mas Eva escolheu ficar ali, naquela barraca improvisada, em vez de se mudar para um dos abrigos que a prefeitura oferecia. A razão era prática: privacidade e proximidade. Enquanto a água do Rio Uruguai recuava lentamente, ela e os seus reorganizavam a rotina do dia a dia — cozinhar, cuidar das crianças, dormir — tudo dentro daquele espaço mínimo, esperando o momento em que pudessem voltar para dentro de casa.

Na mesma rua, Rosa Maria Minho Viana fazia o mesmo. Ela nasceu naquela região e passou décadas convivendo com as enchentes — era quase um ritual de sobrevivência que ela conhecia bem. Desta vez, ela mesma tinha montado a barraca onde agora vivia com o filho, que precisava de acompanhamento constante. Sua filha, o genro e um neto ocupavam outra estrutura ao lado, onde preparavam as refeições. Tudo muito próximo, tudo muito precário, mas tudo muito seu.

Nem todos escolheram ficar perto. Rosicler Soares da Silva tinha saído completamente de casa no dia 6 de outubro, levando o marido e as três filhas para um abrigo. As duas mais novas, as gêmeas Julia e Maria Antônia, tinham apenas três meses de vida — nascidas prematuramente, com 32 semanas. Para essa família, era a segunda vez em 2026 que uma inundação as expulsava de casa. Mesmo assim, Rosicler notava que as bebês conseguiam dormir a noite toda, acordando apenas nos horários das mamadas, como se o caos ao redor não as tocasse.

Na casa de Rosicler, assim como na de Eva, a água tinha chegado a pouco menos de um metro de profundidade. Não era uma enchente qualquer — era o Rio Uruguai transbordando, e ele ainda não tinha terminado de subir. No dia 13 de outubro, o rio estava 1,30 metro acima da cota de inundação em Uruguaiana, e o Serviço Geológico do Brasil alertava que o nível continuaria a subir nas horas seguintes, tanto em Uruguaiana quanto em São Borja e Itaqui.

Quase 500 pessoas estavam fora de suas casas na Fronteira Oeste. Algumas em barracas, algumas em abrigos, todas esperando. A Defesa Civil estadual mantinha o alerta vermelho para inundações na região até terça-feira — um aviso de que o pior ainda não tinha passado, que as famílias precisavam estar prontas para o que viesse a seguir. Eva continuava visitando sua casa pela manhã, vendo a água, sentindo a pena. Rosa continuava em sua barraca, como tinha feito tantas vezes antes. E Rosicler ouvia as gêmeas dormindo no abrigo, esperando o dia em que pudesse levá-las de volta para casa.

Eu mesma que montei
— Rosa Maria Minho Viana, sobre a barraca onde vive durante a cheia
Elas dormem a noite toda, só acordam o horário que têm que mamar
— Rosicler Soares da Silva, mãe das gêmeas prematuras em abrigo
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