IMS Paulista celebra centenário de Fernando Lemos com exposição gratuita de 400 obras

Quanto mais desejo, mais invento o que vejo
O título da exposição resume a filosofia criativa que guiou Fernando Lemos ao longo de sete décadas de trabalho artístico.
Mark

Por que uma exposição sobre Fernando Lemos agora, cem anos depois de seu nascimento? O que torna esse momento importante?

Mimi

Porque há um risco real de que artistas como Lemos desapareçam da memória coletiva. Ele trabalhou por sete décadas, criou em múltiplos formatos, influenciou gerações, mas não é um nome que a maioria das pessoas conhece. O centenário é uma oportunidade institucional para dizer: este homem importa.

Luke

Mas a questão é: importa para quem? A exposição é gratuita, o que é bom, mas o IMS Paulista fica na avenida Paulista, em um bairro de classe média alta. Quantas pessoas que realmente precisam conhecer Lemos vão chegar lá?

Mimi

É uma crítica justa. Mas também é verdade que a instituição está tentando remover uma barreira — a do preço. O resto depende de divulgação, de curiosidade, de acaso.

Mark

Quatrocentas obras é muito. Como se organiza uma exposição desse tamanho? Há um fio condutor?

Mimi

O título da exposição — "Quanto Mais Desejo, Mais Invento o que Vejo" — parece ser o fio. É uma declaração sobre o método de Lemos: não reproduzir, mas transformar. Reinventar.

Luke

Mas nós não sabemos exatamente como as obras estão organizadas. Cronologicamente? Por meio? Por tema? O material de divulgação não deixa claro.

Mimi

Verdade. Há um mistério aí que só se resolve visitando.

Mark

O que é mais surpreendente sobre a vida de Lemos?

Mimi

Talvez o fato de que ele conseguiu manter uma prática criativa consistente por mais de sete décadas, atravessando linguagens diferentes, sem parecer estar buscando uma única resposta. Muitos artistas encontram seu estilo e repetem. Lemos parecia estar sempre inventando.

Luke

Ou talvez ele simplesmente não teve acesso a galerias ou instituições que o permitissem se especializar. A emigração, o contexto histórico — essas coisas moldam as carreiras de formas que não vemos na narrativa heroica.

  • Um artista que influenciou gerações permaneceu, por décadas, menos celebrado do que merecia — e esta exposição existe, em parte, para corrigir esse silêncio.
  • Quatrocentas obras reunidas em um só espaço criam uma experiência de escala rara, incluindo documentos inéditos que o público nunca teve acesso antes.
  • A entrada gratuita é uma aposta deliberada da instituição em democratizar o acesso a uma figura central da história da arte moderna brasileira.
  • A mostra permanece em cartaz até fevereiro de 2027, recusando o formato de evento efêmero e propondo um encontro lento e repetido com a obra de Lemos.

Cem anos após seu nascimento, Fernando Lemos — artista que atravessou o surrealismo português, emigrou para o Brasil em 1953 e passou sete décadas inventando mundos em múltiplas linguagens — ganha uma retrospectiva à altura de sua trajetória. O IMS Paulista abre gratuitamente ao público cerca de quatrocentas obras que percorrem fotografia, pintura, desenho, design e poesia, como se a própria exposição recusasse a ideia de que a criação cabe em uma única forma. É um convite coletivo a reconhecer um artista que, apesar de sua importância para a arte moderna brasileira, viveu boa parte de sua vida à margem dos holofotes.

O Instituto Moreira Salles abre neste sábado uma retrospectiva dedicada a Fernando Lemos, artista luso-brasileiro que nasceu em 1926, integrou o movimento surrealista português no final dos anos 1940 e emigrou para o Brasil em 1953, aos 27 anos. Morreu em 2019, aos 93, deixando sete décadas de produção que atravessou fotografia, desenho, pintura, ilustração, design gráfico e poesia. A exposição, gratuita, reúne cerca de quatrocentas obras e fica em cartaz até fevereiro de 2027 no IMS Paulista, na avenida Paulista.

O título escolhido para a mostra — "Quanto Mais Desejo, Mais Invento o que Vejo" — resume a filosofia que parece ter guiado Lemos ao longo de toda a sua trajetória: não reproduzir a realidade, mas transformá-la. Era um artista que não aceitava fronteiras entre disciplinas, e que encontrou no Brasil um ambiente mais permeável às experimentações que o surrealismo propunha do que o Portugal daquele tempo permitia.

Entre as quatrocentas obras há documentos inéditos, trabalhos que o público nunca viu. A instituição aposta na gratuidade e na longa duração da mostra como forma de dar a Lemos o reconhecimento que lhe escapou em vida — e de permitir que o visitante volte mais de uma vez, deixando as obras revelarem suas camadas de significado com calma.

No sábado que vem, o Instituto Moreira Salles abre as portas para uma retrospectiva que reúne quatro séculos de criatividade em um só lugar — ou quase. A exposição "Quanto Mais Desejo, Mais Invento o que Vejo" marca cem anos do nascimento de Fernando Lemos, o artista luso-brasileiro que morreu em 2019 aos 93 anos, deixando para trás sete décadas de trabalho que atravessou fotografia, desenho, pintura, ilustração, design gráfico e poesia. A mostra, que é gratuita, reúne cerca de quatrocentas obras e permanece em cartaz até fevereiro de 2027.

Fernando Lemos nasceu em 1926 e começou sua carreira artística integrado ao movimento surrealista português no final dos anos 1940. Aquele era um tempo em que o surrealismo ainda respirava a rebeldia de suas origens, e Lemos estava lá, entre os que queriam desafiar as convenções visuais e narrativas. Mas Portugal, naquele momento, não era o lugar mais acolhedor para quem quisesse expandir horizontes. Em 1953, aos 27 anos, Lemos fez a escolha que definiria o resto de sua vida: emigrou para o Brasil.

A mudança para São Paulo marcou uma transformação. Aqui, o artista encontrou um ambiente diferente, mais permeável às experimentações que o surrealismo propunha. Durante os mais de sete décadas que se seguiram, Lemos desenvolveu um trabalho que não se deixava encaixotar em uma única linguagem. Fotografava, desenhava, pintava. Criava ilustrações e projetos de design gráfico. Escrevia poesia. Era um artista que acreditava que a criatividade não reconhecia fronteiras entre disciplinas — que a invenção podia acontecer em qualquer suporte, em qualquer formato.

A exposição que abre neste sábado no IMS Paulista, na avenida Paulista, funciona como um mapa dessa trajetória. Quatrocentas obras não é um número pequeno. É o suficiente para que o visitante sinta o peso e a extensão de uma vida dedicada à criação. Há documentos inéditos na mostra, o que significa que há coisas aqui que o público nunca viu antes — trabalhos que ficaram guardados, que talvez o próprio artista tenha considerado experimentais demais, ou simplesmente não havia oportunidade de mostrar.

O título da exposição é uma frase que parece vir do próprio Lemos, e ela resume bem a filosofia que parece ter guiado seu trabalho: quanto mais desejo, mais invento o que vejo. Não é uma frase sobre reproduzir a realidade. É sobre transformá-la, reinventá-la, fazer dela algo novo. É a promessa do surrealismo — que a imaginação pode reescrever o mundo — mas dita de um jeito que soa pessoal, quase íntimo.

A entrada é gratuita, o que significa que a instituição está apostando em tornar acessível a vida e obra de um artista que, apesar de sua importância para a história da arte moderna brasileira, não é exatamente um nome que todos conhecem. Lemos trabalhou durante décadas, criou muito, influenciou gerações de artistas, mas permaneceu, de certa forma, na sombra de figuras mais celebradas. Esta exposição é uma chance de corrigir isso, de permitir que quem quiser entenda por que um homem que nasceu em Portugal, que se envolveu com o surrealismo europeu, que depois se mudou para o Brasil e passou a vida inteira criando, merece ser lembrado.

A mostra fica em cartaz até sete de fevereiro de 2027, o que dá tempo. Não é uma exposição relâmpago. É um convite para voltar, para passar mais de uma vez, para deixar as quatrocentas obras fazerem seu trabalho lentamente, revelando camadas de significado que talvez não apareçam na primeira visita. É assim que funciona com artistas como Lemos — você precisa de tempo para entender o que eles estavam tentando dizer.

Integrou o movimento surrealista português no final dos anos 1940 antes de emigrar para o Brasil em 1953, onde desenvolveu trabalho que atravessou fotografia, desenho, pintura, ilustração, design gráfico e poesia
— Informações sobre Fernando Lemos na exposição
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