Ibovespa cai 0,48% com pressão do petróleo e inflação acima do esperado

Petróleo caiu porque o mercado apostou em desescalada
A reação do mercado ao boato de acordo entre EUA e Irã foi rápida, mas Trump desfez a esperança.
Mark

Por que o petróleo caiu tanto se as negociações entre EUA e Irã ainda estão incertas?

Mimi

O mercado reagiu ao boato de um esboço de acordo, mas Trump rapidamente desfez essa esperança. O petróleo caiu porque o mercado apostou em desescalada, não porque a desescalada seja real.

Mark

E como isso afeta a Petrobras especificamente?

Mimi

Petrobras é uma empresa de petróleo em um país que importa combustível. Preço de petróleo mais baixo significa receita menor, então as ações caem. É direto.

Mark

A inflação em alimentos é um problema só brasileiro ou global?

Mimi

É um problema global, mas aqui no Brasil tem peso maior porque alimentos representam uma fatia maior do orçamento das famílias. Quando sobe, pressiona tudo.

Mark

Se a inflação está acima da meta, por que o BC vai cortar juros?

Mimi

Porque o BC acredita que a inflação de alimentos é transitória, ligada a safras e clima. Se cortar juros agora, estimula a economia sem deixar a inflação descontrolar depois.

Mark

Então o mercado está apostando que o BC acerta essa aposta?

Mimi

Está apostando, sim. Se errar e a inflação não ceder, os juros terão que subir de novo, e aí o mercado sofre. É um risco calculado.

  • O petróleo despencou mais de 5% após sinais de um possível acordo nuclear entre EUA e Irã, arrastando Petrobras e pressionando o índice pela segunda sessão consecutiva.
  • Trump descartou publicamente qualquer alívio de sanções ao Irã, reacendendo a incerteza geopolítica e deixando os mercados sem uma direção clara sobre o conflito.
  • O IPCA-15 de maio veio em 4,6% acumulado em 12 meses, acima do teto da meta do Banco Central, com alimentos e bebidas respondendo por quase metade da alta mensal.
  • Enquanto Cosan despencou 6,31% e Natura perdeu 4,13%, Usiminas surpreendeu com alta de 5,90%, revelando um mercado fragmentado e seletivo diante das incertezas.
  • O mercado mantém a aposta em um corte de 0,25 ponto percentual na Selic em junho, mas a pressão nos núcleos inflacionários deixa a decisão do Banco Central sob escrutínio.

Em meio a negociações nucleares entre Washington e Teerã e a uma inflação doméstica que teimou em superar as previsões, a bolsa brasileira encerrou mais uma sessão no vermelho nesta quarta-feira. O Ibovespa, pressionado pela queda abrupta do petróleo e pelo IPCA-15 acima do teto da meta, recuou 0,48%, fechando em 175.744,37 pontos — um reflexo de como forças distantes e próximas se entrelaçam para moldar o humor dos mercados. O momento convida à cautela: investidores aguardam, em compasso de espera, as próximas sinalizações do Banco Central e os rumos de uma diplomacia ainda incerta.

A bolsa brasileira viveu nesta quarta-feira um dia de pressões vindas de duas frentes ao mesmo tempo. O Ibovespa recuou 0,48%, encerrando em 175.744,37 pontos, acumulando perda de 0,26% na semana e de 6,18% no mês — ainda que o saldo no ano permaneça positivo, em 9,07%. O giro financeiro somou R$ 22,7 bilhões.

O cenário internacional foi dominado pelas negociações entre Estados Unidos e Irã em torno do programa nuclear iraniano. A perspectiva de um acordo fez o petróleo desabar: o WTI caiu 5,55%, para US$ 88,68 o barril, e o Brent recuou 4,57%, para US$ 92,25 — ambos nos menores patamares desde meados de abril. Petrobras sentiu o impacto diretamente, com as ações ordinárias caindo 1,62% e as preferenciais recuando 1,43%. Mas o presidente Donald Trump rapidamente dissipou qualquer esperança de distensão, declarando à PBS News que não haveria alívio de sanções ao Irã em nenhuma circunstância, o que manteve a incerteza no ar.

No plano doméstico, o IPCA-15 de maio chegou com leitura acima do esperado: 4,6% acumulados em 12 meses, ultrapassando o teto da meta do Banco Central. O setor de Alimentação e Bebidas foi responsável por quase metade da inflação do mês, segundo a economista Patricia Krause, da Coface. Apesar da pressão nos núcleos, o mercado mantém a expectativa de que o Banco Central reduza a Selic em 0,25 ponto percentual na reunião de junho.

Entre os destaques positivos, Usiminas avançou 5,90%, RD Saúde subiu 2,72% e CSN Mineração ganhou 2,66%. No campo negativo, Cosan cedeu 6,31%, Copasa recuou 4,71% e Natura perdeu 4,13%. O setor financeiro operou com cautela: Bradesco PN subiu 0,90% e Itaú PN avançou 0,65%, enquanto Banco do Brasil ON fechou levemente no vermelho. O dólar subiu 0,67%, encerrando em R$ 5,0609, enquanto as bolsas americanas tiveram variações mínimas. O mercado segue em compasso de espera.

A bolsa brasileira fechou em queda nesta quarta-feira, refletindo um dia de pressões simultâneas vindas de dois lados: as negociações internacionais sobre o programa nuclear iraniano e os números da inflação doméstica que chegaram acima do esperado. O Ibovespa recuou 0,48%, terminando em 175.744,37 pontos, marcando a segunda sessão negativa seguida e acumulando uma perda de 0,26% na semana. O giro foi de R$ 22,7 bilhões.

A semana começou com esperança — segunda-feira trouxe ganhos de 0,91% — mas as duas sessões posteriores inverteram essa trajetória. No mês, o índice já acumula queda de 6,18%, embora no ano ainda mantenha ganho de 9,07%. O desempenho refletiu movimentos desiguais entre os setores. Petrobras foi o destaque negativo, com as ações ordinárias caindo 1,62% e as preferenciais recuando 1,43%. Vale avançou modestamente com ganho de 0,46%. O setor financeiro, o de maior peso na B3, teve movimento contido: Bradesco PN subiu 0,90% e Itaú PN ganhou 0,65%, mas Banco do Brasil ON cedeu 0,19% no fechamento. Na ponta ganhadora, Usiminas disparou com alta de 5,90%, seguida por RD Saúde com 2,72% e CSN Mineração com 2,66%. Do lado oposto, Cosan caiu 6,31%, Copasa recuou 4,71% e Natura perdeu 4,13%.

O pano de fundo internacional girou em torno das negociações entre Estados Unidos e Irã sobre o programa nuclear iraniano. Havia sinais de que um esboço de acordo estava sendo discutido, o que inicialmente pressionou os preços do petróleo para baixo. O WTI para julho fechou em queda de 5,55%, caindo US$ 5,21 para US$ 88,68 o barril, atingindo o menor nível desde 21 de abril. Em Londres, o Brent para agosto recuou 4,57%, caindo US$ 4,42 para US$ 92,25 o barril, também no seu patamar mais baixo desde 17 de abril. Porém, o presidente Donald Trump rapidamente descartou qualquer alívio de sanções ao Irã em troca do abandono do urânio altamente enriquecido. "Não, não, de jeito nenhum. Sem alívio das sanções", disse à PBS News. Essa declaração reforçou a incerteza sobre o conflito e manteve a pressão nos mercados. Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos, apontou que o mercado reagiu às indicações de novo retrocesso nas negociações, com dúvidas persistentes sobre o destino do urânio enriquecido, um ponto crucial das discussões.

No front doméstico, o IPCA-15 de maio trouxe leitura acima das expectativas do mercado. A inflação acumulada em 12 meses ficou em 4,6%, acima do teto da meta do Banco Central. Embora tenha havido desaceleração em relação a abril, o resultado mantém pressão nos núcleos inflacionários. Patricia Krause, economista-chefe da Coface para América Latina, destacou que o setor de Alimentação e Bebidas contribuiu sozinho com quase metade da inflação do mês, sinalizando que a pressão inflacionária segue concentrada em itens essenciais. Apesar disso, a expectativa para junho mantém-se de que o Banco Central reduza a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual.

Os mercados globais tiveram movimentos contidos. Nos Estados Unidos, o Dow Jones subiu 0,36%, o S&P 500 avançou 0,02% e o Nasdaq ganhou 0,07%. O dólar à vista no Brasil subiu 0,67%, fechando em R$ 5,0609. A combinação de incerteza geopolítica, pressão inflacionária doméstica e expectativas sobre a política monetária brasileira mantém o mercado em compasso de espera, com investidores atentos às próximas decisões do Banco Central e aos desdobramentos das negociações internacionais.

Não, não, de jeito nenhum. Sem alívio das sanções
— Donald Trump, presidente dos EUA, sobre negociações com Irã
Alimentação e Bebidas contribuiu, sozinho, com quase a metade da inflação no mês
— Patricia Krause, economista-chefe Latin America da Coface
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