IA Claude resolve em 30 minutos enigma criptográfico da NSA de 25 anos

Um gerador simples dos anos 1990 por trás de 25 anos de suspeita
Claude descobriu que o lrand48, um gerador pseudoaleatório básico das bibliotecas C, era responsável pelos números misteriosos da NSA.
Mark

Por que esse mistério da NSA durou tanto tempo? Parece que deveria ser mais fácil rastrear a origem de alguns números.

Mimi

Porque ninguém sabia exatamente o que procurar. Havia uma suspeita de que a NSA teria escolhido deliberadamente parâmetros com fraquezas conhecidas, mas sem saber como eles foram gerados, era impossível verificar isso.

Luke

Mas espera — Claude não quebrou nada, certo? Não há vulnerabilidade descoberta aqui?

Mimi

Correto. Na verdade, a descoberta sugere o oposto: que a NSA usou um método simples e documentado, não uma manipulação sofisticada.

Mark

Então por que as pessoas suspeitavam tanto?

Mimi

Porque a NSA nunca explicou como escolheu esses números. Essa falta de transparência, combinada com o conhecimento de que a agência tinha interesse em criptografia, alimentou teorias.

Luke

E quanto ao Bitcoin? Isso muda algo para os usuários?

Mimi

Não. O Bitcoin usa uma curva diferente, o secp256k1, que tem parâmetros muito mais simples e menos espaço para manipulação.

Mark

Então Claude resolveu um mistério histórico, mas não descobriu nenhuma vulnerabilidade real?

Mimi

Exatamente. Mudou nossa compreensão do que aconteceu, mas não alterou a segurança de nada que está em uso hoje.

Luke

Há ainda muitas perguntas sem resposta, certo? Outras seeds, outros pontos base?

Mimi

Sim. Claude resolveu as cinco principais, mas não tudo. E a questão de por que certas curvas candidatas foram ignoradas ainda permanece.

Mark

Qual é a lição maior aqui?

Mimi

Que a IA pode resolver problemas criptográficos complexos muito mais rápido do que humanos — o que é impressionante, mas também preocupante quando pensamos em segurança futura.

  • Claude resolveu o enigma em menos de 30 minutos
  • As seeds foram geradas pelo lrand48 entre maio de 1997 e abril de 1998
  • A seed de P-256 correspondia ao 1.842º candidato gerado
  • Bitcoin não foi afetado pois usa secp256k1, não P-256

Claude identificou que as seeds misteriosas usadas pela NSA em 2000 foram geradas pelo lrand48, um gerador pseudoaleatório simples das bibliotecas C dos anos 1990. A descoberta refuta a teoria de que a NSA teria deliberadamente escolhido parâmetros com fraquezas conhecidas, mudando a leitura histórica do caso após décadas de suspeitas.

O modelo de IA Claude da Anthropic resolveu em menos de 30 minutos um enigma criptográfico de 25 anos, identificando que cinco números fornecidos pela NSA para curvas elípticas NIST provinham de um gerador pseudoaleatório dos anos 1990.

Em menos de trinta minutos, um modelo de inteligência artificial conseguiu resolver um quebra-cabeça criptográfico que havia intrigado pesquisadores durante um quarto de século. Claude, desenvolvido pela Anthropic, identificou a origem de cinco números misteriosos que a NSA havia fornecido para gerar curvas elípticas padronizadas pelo NIST no ano 2000. A descoberta encerra uma longa especulação sobre se esses valores poderiam conter uma porta dos fundos deliberadamente inserida pela agência de segurança americana.

O caso começou no final dos anos 1990, quando a NSA entregou um conjunto de números, chamados seeds, que seriam usados na construção de curvas elípticas incorporadas ao padrão ECDSA do NIST. Durante décadas, ninguém conseguiu explicar como exatamente esses números foram selecionados. Essa lacuna alimentou suspeitas crescentes, especialmente após as revelações sobre as operações criptográficas da NSA. A teoria mais difundida entre criptógrafos era que Jerry Solinas, matemático da agência, teria escolhido uma frase humorística, extraído seu hash, e usado o resultado como base para gerar os parâmetros — uma abordagem que deixaria espaço para manipulação deliberada.

Um funcionário da Anthropic pediu a Claude que investigasse a questão sem fornecer essa hipótese privilegiada. O modelo de IA seguiu um caminho diferente. Analisou as características de antigos geradores de números pseudoaleatórios disponíveis nas bibliotecas C da década de 1990 e, em menos de meia hora, havia encontrado uma pista decisiva. Claude detectou nas seeds uma assinatura estatística compatível com o funcionamento do lrand48, um gerador simples que existia naquelas bibliotecas antigas. Reconstruiu então o estado interno do gerador e recuperou a origem das seeds para as cinco curvas principais: P-192, P-224, P-256, P-384 e P-521.

Para a curva P-256, o programa havia sido inicializado com um timestamp Unix — um carimbo de data e hora do sistema. A partir daí, o gerador produziu candidatos sucessivos, e a seed finalmente publicada correspondia ao 1.842º candidato gerado. Claude também localizou os timestamps originais para as diversas curvas, todos situados entre maio de 1997 e abril de 1998. Essa descoberta muda fundamentalmente a narrativa histórica do caso. Durante anos, a hipótese dominante era que a NSA teria testado muitos parâmetros antes de selecionar deliberadamente uma curva que contivesse uma fraqueza conhecida apenas pela agência — uma vulnerabilidade que poderia ser explorada para quebrar criptografia sem que ninguém soubesse.

A Anthropic agora considera essa possibilidade muito menos provável à luz dos achados. Isso não significa, porém, que todas as questões desapareceram. Algumas curvas candidatas aparentemente válidas foram ignoradas sem razão conhecida. A origem de vários pontos base também permanece inexplicada. Uma seed, a de B-163, ainda resiste à análise. Claude, portanto, não resolveu completamente o mistério, mas as cinco seeds principais que alimentavam o debate público agora têm uma origem reproduzível e verificável.

É importante esclarecer o que essa descoberta não significa. Claude não quebrou o ECDSA nem o Bitcoin. A Anthropic deixa isso explícito. Nenhum usuário das curvas NIST afetadas precisa trocar suas chaves ou sistemas após essa descoberta. O Bitcoin, além disso, não usa a curva P-256. Satoshi Nakamoto escolheu o secp256k1, uma curva com parâmetros particularmente simples que oferece muito menos margem para esconder secretamente certos valores e introduzir fraquezas. A descoberta de Claude, portanto, não altera a segurança atual da rede Bitcoin.

O que a performance de Claude ilustra é outra coisa: uma inteligência artificial explorou em algumas dezenas de minutos uma pista que criptógrafos humanos perseguiam há anos. Identificou uma estrutura estatística, testou vários geradores antigos, aplicou técnicas matemáticas de redução de redes e verificou o resultado por cálculo. A velocidade e a precisão dessa análise sugerem que as capacidades de IA em cibersegurança continuam evoluindo de forma significativa — um desenvolvimento que a própria Anthropic reconheceu ao documentar vários incidentes durante testes envolvendo seu modelo. Enquanto isso, outras ameaças criptográficas permanecem em aberto: o Google avançou recentemente com seu processador quântico Willow, embora ainda não disponha de uma máquina capaz de quebrar as assinaturas do Bitcoin hoje em dia.

A Anthropic agora considera muito menos provável que a NSA tivesse deliberadamente escolhido parâmetros com fraquezas conhecidas
— Análise da Anthropic sobre os achados
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